quinta-feira, 6 de julho de 2017

Crítica: Sucesso Acima de Tudo | Um Filme de Owen Harris (2015)


O ano é 1997 e Steven Stelfox (Nicholas Hoult) é um jovem e ambicioso funcionário de uma gravadora que trabalha no processo de descoberta de novos sucessos musicais. Entre bandas em ascensão e promissores hits da moda, sua principal tarefa é separar o joio do trigo e se certificar que a gravadora está investindo nas pessoas certas. Uma tarefa tão difícil quanto crescer profissionalmente num ambiente profissional que exala competividade. Assim sendo, Steven não vê outra forma, a não ser adotar métodos nada éticos para crescer nos bastidores do cenário musical britânico. “Sucesso Acima de Tudo” (Kill Your Friends, 2015) é uma produção de comédia e suspense dirigida por Owen Harris. Adaptado para o cinema por John Niven de seu próprio best-seller que retrata os bastidores da música dos anos 90, no auge do cenário Britpop londrino, seu material tem como inspiração suas próprias experiências e impressões pessoais adquiridas durante um período de sua vida que trabalhou em um escritório de Londres para indústria musical. Sem grandes ideias e um argumento sólido, Owen Harris estabelece uma narrativa ácida e recheada de excentricidades regada a muitas drogas ilícitas para contar a alucinada trajetória de um personagem desprovido de conceitos morais dentro de um ambiente cooperativista.

Sucesso Acima de Tudo” é ligeiramente cansativo. As sugestões didáticas proferidas metodicamente por Steven Stelfox até possuem o seu brilho para qualquer um que tenha algum fascínio pelo mercado musical estrangeiro, pois há uma série de conselhos sensatos que são peças de fácil encaixe no contexto real do cenário musical internacional. Sobretudo também é um soco no estômago do espectador que possui dúvidas sobre alguns aspectos que diferenciam o sucesso do fracasso nesse mercado. Entretanto, o problema real de “Sucesso Acima de Tudo” se encontra em vários aspectos do enredo, desde o título original que numa tradução livre seria algo como “Mate Seus Amigos”, se mostrando um spoiler escancarado da história, até a conjunção de eventos artificiais seguidos por personagens desinteressantes. Para começar pelo Steven Stelfox, interpretado por Nicholas Hoult, que embora tenha se mostrado nos últimos anos como um trabalhador de frequente crescimento, ele não convence no papel A&R sem escrúpulos. Nem suas ações extremadas e seus discursos insensíveis em off auxiliam seu desempenho. Some-se a esse conjunto uma série de personagens de pouco carisma, um cenário clichê e um punhado de furos no roteiro (os ligados a presença do detetive Woodham interpretado por Edward Hogg são delicados para o conjunto da obra).

Sucesso Acima de Tudo” é uma sátira que de certa forma não é engraçada. Vendida como comédia, essa produção não funciona realmente como tal. As piadas são forçadas e o cinismo não brilha como esperado. Poderia ser mais engraçada. Por outro lado, como um suspense o espectador fica numa expectativa danada de ver todo mundo se dar mal. Porque de certo modo, parece que ninguém presta mesmo em Sucesso Acima de Tudo. E o desfecho chocante só vem afirmar isso. E quando num costumeiro exercício de reflexão que busca uma indagação memorável para o sentido da vida, a resposta obtida em coro pelos que restaram demonstra o quanto a industria musical está alheia aos amantes da boa música. A mensagem foi recebida.   

Nota:  5/10
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6 comentários:

  1. Marcelo eu não assisti o filme mas nossa as críticas deu pra ter noção como é o filme kkkk odeio filmes cansativos....

    Beijinhosss ;*
    Blog Resenhas da Pâm

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    1. Também não gosto, porque geralmente são filmes que se mostram no final uma perda de tempo. Em alguns casos, lá pelo final até são capazes de impressionar, mas não é caso deste.

      bjus

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  2. Não assisti, mas a premissa é interessante, principalmente por focar a cena do rock britânico dos anos oitenta.

    A aparente escolha do diretor em criar uma sátira e as críticas ruins deixam com um pé atrás.

    Abraço

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    1. Seria interessante você assistir Hugo. Igual a você, foi o enredo que chamou a minha atenção, mas me desagradei com os demais elementos do filme. Confesso que fui muito rigoroso na hora de conferir a nota, mas não gostei mesmo do filme. Uma pena.

      abraço

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  3. Não conheço o ator.
    Mas a história parece ser interessante.
    E até saber como funciona o comercio da música.

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    1. As regras propagandas pelo filme não se diferem muito do mercado mundial. Inclusive por aqui no Brasil. Também gosto desse aspecto do filme, mas fico por aí mesmo. O resto deixa a desejar.

      Bjus

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