domingo, 30 de julho de 2017

Cartaz Alternativo: Donnie Darko

Cartazes Alternativos

sábado, 29 de julho de 2017

Crítica: Animais Noturnos | Um Filme de Tom Ford (2016)


Susan (Amy Adams) é uma bem sucedida negociante de arte que se sente cada vez mais solitária, mesmo na companhia de seu parceiro (Armie Hammer), um bem sucedido executivo. Certo dia ela recebe um manuscrito de um livro escrito por Edward (Jake Gylenhaal), seu ex-marido a quem não tinha noticias há muito tempo e que curiosamente confere a ela a responsabilidade de dar a sua opinião. Por sua vez, ela passa a ler o misterioso livro e acompanha a trajetória do personagem Tony Hasting (interpretado por Jake Gylenhaal), um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para uma viagem, mas o passeio toma contornos violentos quando essa família cruza o caminho de uma gangue no deserto. Durante a tensa leitura do material escrito, Susan busca entender as razões pela qual recebeu o manuscrito que a leva a descobrir algumas verdades dolorosas de si mesma e a faz relembrar certos traumas de seu relacionamento fracassado. “Animais Noturnos” (Nocturnal Animals, 2016) é um drama de terror psicológico estadunidense escrito, co-produzido e dirigido por Tom Ford. Baseado no romance escrito por Austin Wright, chamado “Tony e Susan”, o filme estreou na 73º Edição do Festival de Veneza e ganhou o Grand Jury Prize, como também Michael Shannon recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Perturbador, tenso e visualmente opressivo, Tom Ford cria um pesadelo elegante e amedrontador.

A inesperada introdução de “Animais Noturnos” já denota a atmosfera que o estilista Tom Ford intenciona imprimir em seu trabalho. Desconfortável aos olhos, as primeiras cenas já são um preparo de terreno consciente de que demostra toda a sua preocupação com a estética visual dessa obra, seu segundo filme como cineasta. Distante dos moldes comerciais de Hollywood, o cineasta se arrisca em fazer um estudo autoral sobre temas como arrependimento e desespero que obtêm resultados bastante satisfatórios por imprimir uma atmosfera claustrofóbica e repleta de simbolismos bem inseridos. “Animais Noturnos” é um filme repleto de detalhes, genialmente expressos em sua aparência, nas formas, nos enquadramentos meticulosos e que ainda se contextualizam com o enredo. Já fazia tempo que eu não comtemplava uma obra tão desconfortável quanto essa. Sendo que os rumos para qual a trama por si só nos leva, já era o suficiente para prender a atenção do espectador com facilidade, o filme ainda rende muito mais, quando o roteiro e a direção segura de seu objetivo nos entrega uma obra incomum somada por atuações impressionantes como a de Michael Shannon, um policial da pequena cidade onde se passa os momentos mais angustiantes da história e se torna um aliado de Edward na busca por justiça, ou mesmo da própria Amy Adams e Jake Gylenhaal.

Sobretudo, “Animais Noturnos” eleva o poder do uso das imagens a algo mais do que uma qualidade estética comum que tenta abrilhantar um produto. Seu uso é um facilitador para melhor compreender a rica reserva de ideias presentes na história que Tom Ford conduz paralelamente. Se de um lado temos o anti-herói do livro, Edward, vagando pelo deserto do Texas tentando salvar sua família ou fazer justiça diante de uma irreparável tragédia, e do outro, Susan, presa em seu mundo estéril repleto de assombrações do passado, na frente com certeza haverá um espectador abismado com a tensão cruel com que trabalha para se mostrar relevante e duradouro na memória.

Nota:  8/10
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Crítica: Transformers: O Último Cavaleiro | Um Filme de Michael Bay (2017)


Em meio à guerra entre Autobots e Decepticons, a raça humana vive com medo da crescente invasão de robôs alienígenas. Enquanto uma pequena parcela de humanos que simpatizam com a presente necessidade de ajudar os Autobots, que agora sem a liderança de Optimus Prime que viajou para o espaço, os que permaneceram se desdobram no planeta diante de constantes perseguições das autoridades e embates com os perigosos Decepticons. Enquanto isso um plano de destruir a terra para reconstruir Cybertron é articulado no espaço por uma força sombria maior, que está diretamente ligada a criação dos Transformers. Em um cenário de guerra inflamada, a chave para salvação da humanidade acaba se mostrando em seu passado, em sua história esquecida e em segredos enterrados há muito tempo. “Transformers: O Último Cavaleiro” (Transformers: The Last Kinght, 2017) é uma produção estadunidense de ação e ficção científica baseado nos personagens da Hasbro. Dirigida por Michael Bay, esse é o quinto filme dirigido pelo diretor, que amplia ainda mais as dimensões gigantescas da produção que não para de crescer desde seu inicio em 2007, sucateia nomes familiares de astros da franquia como Mark Wahlberg, John Turturro e Josh Duhamel e que decididamente se afunda na completa mediocridade ao apresentar um dos piores blockbusters desse ano.

Transformers: O Último Cavaleiro” é de uma artificialidade perturbadora. Embora as tramas de seus antecessores nunca tivessem um texto primoroso, um enredo bem explorado ou personagens humanos realmente gratificantes que rivalizassem com o brilhantismo do visual que os personagens da Hasbro eram capazes de proporcionar, essa mais recente obra ridiculariza tudo que já havia sido feito antes em termos de história. As três primeiras histórias tinham foco, enquanto essa trama é confusa, bagunçada, irritante e a maioria dos novos personagens humanos se mostram bastante apagados apesar do tempo de tela que foi conferido a eles (o par romântico de Mark Wahlberg com Isabela Moner não podia ser pior e a adição da órfã é um obstáculo da lógica). Além do mais, é impossível o espectador não se frustrar com o nível de caos que Bay adiciona ao tropeço enredo. As proporções épicas da trama atravessam milhares de anos e atropelam qualquer tentativa do espectador de condensar todo material que o roteiro mal costurado tenta sem sucesso emplacar. Em resumo, a história dessa produção é a mais pobre de toda franquia. O enorme número de roteiristas prejudicou o conjunto, que adicionou uma série de elementos mal explorados no espetáculo pirotécnico que essa produção apresenta com prioridade.

Embora Michael Bay seja comprovadamente um cineasta que domina a fórmula que o alçou ao sucesso, inexplicavelmente ele sabota a mesma, apenas para tirar algumas passagens de humor fácil e desnecessário (o joguete da trilha sonora que intensifica os acontecimentos é sabotado pelo roteiro e se mostra uma passagem constrangedora para o conjunto). Inclusive o humor tem se voltado para um público mais infantil, insultando um percentual significativo de espectadores. A ação monopolizada por efeitos visuais de primeira linha são mal orquestrados na montagem e cansativos pelo seu excesso, deixando um débito com o espectador pela falta de competência com que lida com seu maior atrativo. Ainda que uma boa parcela da ação encontre o derradeiro funcionamento, quando não é prejudicada pelas sucessivas sequências de ação marcadas de caos, o filme até atende ao desejo de entreter. Embora haja um desperdício desagradável dos recursos digitais, que se mostram fascinantes na construção dos personagens robóticos, mas que não compensam ou concertam as falhas gritantes de uma história rasa e sem atrativos. 

Ainda que “Transformers: O Último Cavaleiro” seja o mais movimentado, explosivo e épico filme da franquia até o presente momento (há um desinteressante gancho no final para um sexto episódio), Michael Bay deixa sua ligação com a franquia de forma decepcionante. Se por um lado “Transformers: A Era da Extinção” (2015) deixava alguns indícios do rumo vexaminoso que a franquia tomaria nos próximos filmes, dessa vez o diretor não deixa dúvidas sobre isso. Toda a sua desenvoltura e estética são desperdiçados em algo grandioso comercialmente e consequentemente superficial. Um dos piores filmes da franquia que nem as suas esperadas qualidades o salva de ser o lixo que se mostrou ser no final. Uma merda! Desculpem minha truculência, mas eu não achei que fossem ler esse texto até o final.

Nota:  3/10
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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Crítica: Kong: A Ilha da Caveira | Um Filme de Jordan Vogt-Roberts (2017)


O ano é 1973. Em algum lugar do pacifico sul existe uma ilha desconhecida pelo homem que esconde segredos inimagináveis da natureza. Entre muitos rumores e nenhum fato, o governo americano autoriza uma missão de reconhecimento dessa ilha chamada Ilha da Caveira. Quando uma organização secreta chamada Monarch organiza uma expedição para a descoberta de seus segredos, tendo a ajuda de militares recém-saídos da vexaminosa Guerra do Vietnã, esse grupo é confrontado com um paraíso intocado de belezas naturais nunca antes visto que se contrasta com criaturas selvagens vindas das profundezas da terra. À medida que a expedição fracassa e seus membros lutam para sobreviver nesse ambiente hostil, descobre-se que King Kong, um primata do tamanho de um prédio está no centro de uma batalha pelo domínio dessa ilha que está ameaçada por perigosas criaturas e por um general que insiste em declarar guerra contra o inimigo errado. “Kong: A Ilha da Caveira” (Kong: Skull Island, 2017) é uma aventura de horror e ficção cientifica que instala um reboot da franquia King Kong iniciada na década de trinta. Dirigido por Jordan Vogt-Roberts, o filme tem no elenco principal nomes como Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, Jason Mitchell, Toby Kebbell, Tom Wilkinson, Thomas Mann, Terry Notary, John Goodman e John C. Reilly. Com uma pegada bastante comercial, o diretor americano Jordan Vogt-Roberts consegue revigorar a franquia com um bom nível de excelência se comparado a uma boa parcela de blockbusters.

É evidente que “Kong: A Ilha da Caveira” tem sua inspiração em filmes de guerra como “Apocalipse Now”, pois ambos os filmes se passam no delicado período da Guerra do Vietnã. Há um punhado de passagens visuais, na trilha sonora nostálgica e personagens que remetem a lembrança do icônico filme realizado por Francis Ford Coppola. Assim, mesclando o gênero de guerra com o de monstros do cinema fantástico, o roteiro trabalha com flexibilidade essa inusitada união. Recheado de boas cenas de ação, efeitos visuais competentes e algumas atuações de credibilidade dadas pela presença de atores como Samuel L. Jackson e Tom Hiddleston, essa produção atinge um bom nível de eficiência ao que se propõe alcançar: divertir o espectador. Embora este filme esteja desprovido de momentos memoráveis inéditos (a figura do gorila gigante no topo do edifício Empire State enquanto é alvejado por disparos de aviões de guerra é um momento icônico do cinema), “Kong: A Ilha da Caveira” é obviamente desconectado da realidade ainda que esboce o desejo de se fazer lógico de alguma forma. Esta versão de King Kong não supera o trabalho de Peter Jackson em 2005, seja nos quesitos técnicos ou na eficiência do produto em geral, mas ainda assim proporciona uma boa dose de ação e diversão além de intencionar numa cena pós-credito ser o primeiro filme de uma sequência que se espera supostamente haver um confronto entre King Kong e Godzilla. Por isso, “Kong: A Ilha da Caveira” pode não ser uma gloriosa retomada da franquia, mas ainda assim é um blockbuster melhor do que eu esperava.

Nota:  7/10
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sábado, 22 de julho de 2017

Crítica: O Último dos Moicanos | Um Filme de Michael Mann (1992)


Em 1757, durante a Guerra dos Sete Anos travada entre franceses que viviam no Canadá e os ingleses que viviam nos Estados Unidos, Nathaniel (Daniel Day-Lewis), um homem branco que foi adotado ainda quando criança por índios americanos se vê envolvido no confronto. Quando as tropas do exército inglês, composta por um seleto grupo de oficiais britânicos é traída por índios nativos amando das tropas francesas, Nathaniel se faz necessário para salvar a vida de Cora Munro (Madeleine Stone) uma das filhas do Coronel Edmund Munro, o seu grande amor. Em meio a uma suicida missão de resgate, Nathaniel se vê em meio ao combate tornar-se um dos últimos de sua tribo. “O Último dos Moicanos” (The Last of the Mohicans, 1992) é um drama estadunidense escrito por Michael Mann e Christopher Crowe baseado no romance homônimo de James Fenimore Cooper. Dirigido por Michael Mann, esse longa-metragem é dono de uma das melhores trilhas sonoras da década de 90, cujo trabalho em paralelo venceu o Oscar de Melhor Som na 65º Cerimonia do Oscar. Estrelado por Daniel Day-Lewis e Madeleine Stone, o filme é marcado por uma história envolvente, uma reconstituição de época perfeita e uma construção delicada de sensações marcantes.

Certamente que “O Último dos Moicanos” não se define como o melhor trabalho de Michael Mann, mas com certeza é um dos mais memoráveis de sua vasta filmografia. Em suma, trata-se de um deleite para apreciadores de filmes de época. Flertando com um vasto leque de gêneros diferentes, essa produção passeia por gêneros como aventura, drama e romance com grande facilidade. Mescla a construção brilhante de grandiosas batalhas a um enredo que nos leva a acompanhar um romance impossível. Em resumo, o espectador é agraciado com uma história romântica tocante em seu primeiro plano tão competente quanto à reprodução dos acontecimentos históricos que é usado como pano de fundo. Suas atuações são eficientes, seu ritmo fugaz e os desdobramentos do enredo ainda remetem a uma boa parcela da história dos acontecimentos que se passaram durante a Guerra dos Sete Anos. No meio do conflito, surge um herói admirável interpretado por Daniel Day-Lewis que divide a tela com a sensível performance de Madeleine Stone em meio a um conflito genialmente orquestrado pela câmera de seu diretor, que anos mais tarde veio a entregar outros filmes brilhantes como “O Informante” (1999) e “Colateral” (2004), entre outros mais. Destaque para trilha sonora de Trevor Jones e Randy Edelman, que intensifica com eficiência tanto uma série passagens épicas que são permeadas por toda a produção até momentos mais coloquiais e necessários para o desenvolvimento dos acontecimentos.

Assim sendo, “O Último dos Moicanos” é um épico de guerra, de paixão e vingança, que aborda vários temas diferentes com simplicidade e precisão. Sua forma harmônica de mesclar eventos históricos com ficção, propondo reflexões e emoções fortes são seus grandes acertos. Indispensável para tantos públicos diferentes, esse longa-metragem aborda de modo impactante o conflito entre os nativos e os colonizadores europeus, sem perder o foco no romance que encabeça toda a trama.

Nota:  8/10
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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Black Marvel: Pantera Negra


Pantera Negra é um personagem fictício das histórias em quadrinhos publicadas pela Marvel Comics, cuja identidade secreta é a de T'Challa, príncipe de Wakanda. Chadwick Boseman retrata o Pantera Negra em "Capitão America: Guerra Civil" (2016) e está programado para retornar em "Black Panther" (2018), ambos definidos no Universo Marvel Cinematográfico.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Crítica: Assumindo a Direção | Um Filme de Isabel Coixet (2014)


Wendy (Patricia Clarkson) é uma crítica literária em Manhattan, Nova York. Inesperadamente seu marido acaba de trocá-la por outra mulher e numa iniciativa de transpor barreiras como uma forma de superar a separação, ela decide tirar a carteira de habilitação para um dia visitar sua filha em outro estado. Mas ela nunca imaginou que dirigir poderia ser um desafio tão grande. Com a ajuda de Darwan (Ben Kingsley), um taxista indiano que está prestes a firmar um casamento arranjado com uma conterrânea que nunca havia visto antes, ele passa a ajudar Wendy com suas inseguranças no trânsito, ao mesmo tempo em que ela lhe dá dicas para se relacionar com as mulheres. Dessa estranha relação de cumplicidade, ambos descobrem juntos todas as possibilidades de superar desafios comuns da vida, do amor, para encontrar a felicidade. “Assumindo a Direção” (Learning to Drive, 2014) é uma comédia dramática estadunidense escrita por Sarah Kernochan com base em um artigo do New Yorker de Katha Pollit. Dirigido por Isabel Coixet, esse longa-metragem lança um olhar sensato sobre um momento delicado da trajetória de duas pessoas bastante diferentes. Mescla dois personagens comuns do cenário nova-iorquino e apresenta uma história sincera e sem muitas doses romanceadas de ficção.

Assumindo a Direção” conta uma história de relacionamentos inesperados que dão certo ao seu modo. O filme trabalha bem o conceito de que os opostos se atraem, ao orquestrar clichês batidos e entregar um produto adequado e sem floreios. O filme é fiel aos seus princípios presos aos argumentos dos personagens e não se restringe a agradar a um público que torce pela manifestação de um grande amor na tela. O trabalho de Coixet é mais ambicioso. O filme busca algo mais, pois acompanhar a relação dessas duas pessoas experientes de vida, que têm muito a aprender e a ensinar uma com a outra proporciona muito mais do que um previsível romance adocicado típico do gênero. Os surtos de raiva de Wendy se contrastam brilhantemente com a serenidade de seu instrutor de direção, como também em contrapartida, as dúvidas que assombram a cabeça de Darwan com seus problemas domésticos com a recém-esposa são agraciados com as dicas uteis dadas por Wendy após recentemente ser abandonada pelo marido. O filme tem ótimas interpretações de Patricia Clarkson e Ben Kingsley que se mostram escolhas inteligentes para os papéis principais.

Assumindo a Direção” não é revolucionário, mas é digno de uma boa dose de atenção pelo seu jeito encantador e espirituoso. O choque cultural que as histórias dos dois personagens principais proporcionam no cenário estadunidense pós 11 de setembro, os aspectos que rondam o ensinamento de Wendy não apenas para ser uma motorista melhor, mas uma pessoa melhor e a exploração agradável de uma boa parcela da vida como ela é, quando de alguma forma estranha é capaz de nos conectar com o enredo, rende boas passagens dramáticas e alguns momentos hilários que fazem desse longa-metragem um bom passatempo de ser conferido.

Nota:  7/10
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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Em Breve: Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017)


Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017) é um filme de suspense e mistério escrito por Michael Green baseado no romance homônimo de Agatha Christie, de 1934. Dirigido por Kenneth Branagh, o filme tem no elenco o diretor e mais Tom Bateman, Lucy Boynton, Olivia Colman, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, entre outros mais. Sendo a segunda adaptação cinematográfica do famoso romance da escritora, o espectador acompanhará em sua trama os desdobramentos de um assassinato que ocorre em um trem, onde todos os passageiros se tornam suspeitos. Essa história é um remake da versão de 1974 dirigida por Sidney Lumet. Lançamento previsto para 10 de novembro. Pôster Oficial.

terça-feira, 18 de julho de 2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Crítica: Sete Dias Sem Fim | Um Filme de Shawn Levy (2014)


Judd Altman (Jason Baterman) é um sujeito azarado que perdeu tudo o que tinha quando pegou sua esposa o traindo com seu chefe. Para piorar, ele recebe a triste notícia de que seu pai faleceu e que precisava retornar para sua cidade natal para participar de uma tradição judaica chamada Shivá, onde todos os membros da família se reúnem durante o período de luto de sete dias, isso atendendo ao último pedido do falecido pai. O problema é que a família Altman não se reunia já havia muitos anos e como no passado, o convívio familiar provavelmente não seria muito sereno e agradável. Então durante uma semana, a mãe (Jane Fonda) e seus quatro filhos, o Judd, Paul (Corey Stoll), Wendy (Tina Fey) e Phillip (Adam Driver), cada um com suas estranhas particularidades e histórias de vida repletas de altos e baixos terão que coexistir novamente no mesmo espaço como no passado, o que fará esses sete dias parecer eternos de um modo ou de outro. “Sete Dias Sem Fim” (This is Where I Leave You, 2014) é uma comédia dramática escrita por Jonathan Tropper e dirigida por Shawn Levy (responsável por filmes como “Uma Noite no Museu”, “Gigantes de Aço” e “Os Estagiários). Baseado no livro homônimo do próprio Jonathan Tropper, o diretor consegue imprimir nesse cenário de reunião familiar forçada, alguma nostalgia para pessoas distantes de seus lares de criação, boas passagens de humor e algumas mensagens positivas bastante válidas.

Sete Dias Sem Fim” é uma inspirada dissecação da história de uma família comum americana. Mesmo que acompanhar um pequeno grupo de adultos que retornam ao lar onde passaram a infância e a juventude, onde tentam lidar com as insuportáveis mudanças do presente ao mesmo tempo em que tentam resolver inevitáveis pendências do passado seja de todas as formas possíveis à premissa de um enredo extremamente batido no cinema, essa comédia merece alguma atenção do espectador. Se o enredo é clichê, sua forma e ritmo são de uma competência original. Isso instituído pelo roteiro ajustado de Tropper (uma ótima adaptação literária) que trabalha com sabedoria todas as emoções contidas em cada um dos personagens. Essa inesperada e duradoura volta para casa que traz lembranças representativas diferentes para cada um dos filhos, se contrasta de modo bastante interessante com suas peculiares trajetórias até o presente momento. A direção segura de Shawn Levy, que pega todas as qualidades legítimas e maduras do roteiro ligeiramente melancólico e as equilibra de forma brilhante com o humor, é um grande diferencial dessa comédia. As piadas, as situações constrangedoras e os irônicos diálogos que são permeados durante sua duração funcionam curiosamente sem falhas. Isso porque o elenco que compõem esse longa-metragem simplesmente  barbariza em cena. É difícil afirmar quem se sai melhor em cena, embora algo da estrutura do filme indique que Jason Bateman tenha que se destacar.

Assim sendo, “Sete Dias Sem Fim” tem um nível de competência invejável se comparado a uma porção de filmes que transitam pelo mesmo terreno escorregadio que essa comédia se encontra. Mesmo que sua proposta não busque revolucionar, ela sem dúvida nenhuma funciona e diverte como poucas. Suas mensagens sobre valores, família, passado e futuro que estão em movimento, geram ótimas passagens dramáticas que não causam em momento algum estranhamento com o formato de humor constante que essa comédia assume. Trata-se de um filme bastante interessante de ser acompanhado por quem gosta de histórias de família repleta de contos engraçados.

Nota:  7,5/10
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sábado, 15 de julho de 2017

Crítica: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Um Filme de Rupert Sanders (2017)


Em um mundo futurista, o hábito de se fazer aperfeiçoamentos no corpo humano através de inserções tecnológicas se torna comum. O ápice dessa evolução é a Major Mira (Scarlett Johansson), que teve seu cérebro transplantado para um corpo totalmente cibernético construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, logo a Mira é adicionada a um departamento especial da polícia local chamado Seção 9. Em sua jornada de combate ao crime sob o comando de Aramaki (Takeshi Kitano), ela conta com a ajuda de seu parceiro, Batou (Pilou Asbaek) nas perigosas tarefas de sua função. Mas em meio a investigação sobre o assassinato de vários executivos da Hanka por um misterioso assassino, ela começa a descobrir alguns segredos sombrios da empresa responsável por sua criação e sobre si mesma. “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” (Ghost in the Shell, 2017) é uma produção de ação e ficção científica escrita por Jonathan Herman e Jamie Moss, e dirigida por Rupert Sanders. Baseada no icônico mangá japonês Ghos in the Shell de Masamune Shirow (que gerou uma animação que por aqui foi chamada “Fantasma do Futuro”, em 1995), essa versão live-action prioriza o visual estarrecedor de sua fonte, ao mesmo tempo em que falha em engrandecer as mensagens de seu contexto revolucionário.

A fascinante estética visual de “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” é a melhor coisa que se pode dizer sobre essa obra de ficção cientifica que absorve e expõe toda a inspiração do universo de sua fonte. Quando em sua introdução, dentro de um laboratório hi-tech um cérebro humano é metodicamente acomodado em uma concha, onde em sua extensão está um esqueleto robótico feito de metal e componentes eletrônicos, e segundos depois emergindo de um denso tanque de um sofisticado processo laboratorial surge uma mulher em carne e osso, o salto evolutivo que culmina na Major Mira, a qual toda sua perfeição é personificada na figura da belíssima atriz Scarlett Johansson, o espectador tem a ideia precisa do que está por vir. O filme é um agradável delírio visual como há muito tempo não se via no cinema de ficção científica. Porém a discussão da relação homem/máquina e a ética ligada aos aspectos da ciência e seus desenvolvimentos são deixados em segundo plano. Pelo menos em se tratando de competência. Tanto o enredo que dissecado pelos roteiristas não consegue imprimir uma cativante opinião sobre as ideias que toca, como a direção de Rupert Sanders que dedicada a confeccionar cenas de ação fantásticas em paisagens futuristas surreais, essa produção falha em oferecer algo memorável. Todos os elementos necessários estão impressos na película, mas em um ritmo e profundidade equivocada. Se as passagens de ação são deslumbrantes, os diálogos carecem de mais atenção e a montagem burocrática dos eventos não ajuda o conjunto, pois os momentos de perigo na verdade não conseguem demonstrar essa emoção.

O trabalho que remete a lembrança de filmes como “Blade Runner” (1982) e “Matrix” (1999) em sua forma e essência, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” falha onde suas comparações atingiram um nível de excelência incomparável. Se no elenco, Scarlett Johansson cumpre com seu papel de forma funcional, é bastante curioso que o completo desconhecido Pilou Asbaek se destaque tanto em tela, como ao mesmo tempo, a atriz Juliette Binoche consiga elevar sua personagem clichê de cientista com crise de consciência a um nível tão promissor como muitos outros talentos de Hollywood nem chegaram perto. Assim sendo, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” não chega a fazer feio diante de sua fonte de animação, mas também não chega a sequer a se igualar a ela. A versão live-action tem as qualidades, os seus momentos de glória e tudo mais, mas com um pouco mais de esmero no roteiro e uma direção focada em algo mais do que no visual esse filme poderia ter sido muito melhor.

Nota:  7/10
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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os Top 10 Filmes de Crime de Todos os Tempos

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Crítica: Castelo de Areia | Um Filme de Fernando Coimbra (2017)


No início da Guerra do Golfo, em 2003, o inexperiente soldado Matt Ocre (Nicholas Hoult) é enviado a uma missão nos arredores de uma cidade iraquiana junto com seu pelotão a fim de consertar uma estação de abastecimento de água que foi destruída por bombas norte-americanas. Um desastre que deixou os habitantes da região sem abastecimento. Entretanto a missão que se presumia ser preocupante acaba se mostrando muito mais complicada de ser realizada pelo fato de que, em meio a um clima de ressentimento, discórdia e perigo que impera sobre as tropas americanas, conquistar os necessários corações dos cidadãos iraquianos acabou se tornando uma tarefa mais difícil e perigosa quanto se esperava. Porém, ainda que Matt nunca tenha se mostrado interessado em fazer a diferença nessa guerra, ele passa acreditar gradualmente na missão de consertar o sistema de água para os habitantes, mas aos poucos percebe que essa sua missão é mais absurda do que essa guerra. “Castelo de Areia” (Sand Castle, 2017) é um drama de guerra produzido pela Netflix, o qual é escrito pelo veterano de guerra Chris Roessner com base em suas memórias de quando atuou no Triângulo Sumita na Guerra do Iraque. O filme é dirigido pelo brasileiro Fernando Coimbra (responsável pelo drama “O Lobo Atrás da Porta”, de 2013). Após sua experiência na direção de dois capítulos do seriado “Narcos”, Coimbra foi convidado a dirigir o primeiro longa-metragem original da produtora que é comandado por um brasileiro.

Castelo de Areia” é mais pretensão do que resultado. Desprovido de ações heroicas memoráveis, espetáculos pirotécnicos, sanguinolência indigesta, ou ações militares de requinte estratégico típico de filmes americanos; o enredo desse filme se mostra mais interessado em deixar alguns pensamentos no ar antes da subida dos créditos finais. Porque ao acompanhar os percalços do protagonista, o soldado Matt Ocre interpretado pelo ator Nicholas Hoult em sua tentativa de ganhar uma dispensa médica permanente da guerra, nós logo percebemos que não se trata de um filme cuja pretensão é criar heróis. Ao contrário de alguns membros de sua tropa, ele odeia o fato de estar envolvido nessa guerra. A proposta desse filme é mais voltada em mostrar a rotina desses soldados em meio a uma atmosfera de pouca glória. O cineasta Fernando Coimbra chegou a comparar a situação das tropas no Iraque com o que ocorre muitas vezes nos morros cariocas com a Polícia Pacificadora. O medo e a hostilidade andam de mãos dadas em sua proposta. O objetivo desse filme não é retratar grandes batalhas em uma complexa guerra, mas mostrar os inevitáveis efeitos nocivos que todos os envolvidos são submetidos. Porém, o que poderia ser um grande trabalho cinematográfico de  um aprofundamento psicológico original, no fim apenas se resume a algo mau preparado, incompleto e que desperdiça as boas intenções que sugere ter.

Castelo de Areia” não chega a ser um filme ruim, mas também não conquista um lugar ao sol de outras produções que retratam o mesmo conflito (“Soldado Anônimo”, de 2005 e “Guerra ao Terror”, de 2009) com mais maturidade e desenvoltura. Seu problema é justamente o de não se definir, ao expor um material que instiga reflexões e ao mesmo tempo as responde através de seus silêncios de forma vazia. O roteiro também não explora bem outros personagens de aparente destaque como Henry Cavill, Logan Marshall-Green e Glen Powell. Enfim, interessante de ser conferido e desnecessário de ser estudado. Serve para passar o tempo.

Nota:  6/10
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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Baby Driver

Pôster Oficial da mais nova produção de ação escrita e dirigida por Edgar Wright. Estrelada por Ansel Elgort, Kevin Spacey, Lily James, Elza Gonzalez, John Hamm e Jamie Foxx. Temos aqui um cartaz de respeito gráfico inatingível. Baba baby, baba!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Crítica: Desconhecida | Um Filme de Joshua Marston (2016)


Alice (Rachel Weisz) é uma mulher que desapareceu a cerca de quinze anos sem explicações, e numa inesperada estratégia de reaproximação reencontra um antigo namorado, Tom (Michael Shannon) em um jantar de aniversário de sua esposa. Alice apareceu nesse jantar como acompanhante de um amigo de Tom. Embora Tom não tenha a reconhecido no primeiro instante, logo soube que não se tratava da pessoa que ela se dizia ser. Ela era Alice. A mulher que um dia pensou estar morta. E numa conversa sigilosa entre os dois, somos aos poucos apresentados a sua consciente e secreta história de constante auto-reinvenção, onde ela assume novas identidades, ocupações profissionais, tudo isso em diferentes lugares do mundo e com uma enorme facilidade e nenhuma ligação com seu passado real ou ficcional. Mas algo a leva visitar seu passado mais distante. “Desconhecida” (Complete Unknown, 2016) é uma produção dramática estadunidense escrita por Julian Sheppard e Joshua Marston, a qual Joshua também assume a direção. Em um duelo de talentos travado por Rachel Weisz e Michael Shannon, o cineasta Joshua Marston realiza um drama provocante, intimidador ao estilo de vida programado e interessante de ser conferido, mas o conto extraordinário de Joshua Marston tem uma proposta de reflexão de grande profundidade e pouca força.

Desconhecida” tem uma reflexão original e charmosa, mas se prejudica por ser acomodado em um enredo difícil de ser comprado. A premissa intrigante nunca se faz realmente valer. E no esboço de uma metáfora romanceada que prega “Você é o que pretende ser”, Rachel Weisz tem um imenso desafio a ser atendido como protagonista: o de ser convincente aos olhos de um mundo que é feito de história e passado. Para sorte do diretor/roteirista, ele fez a escolha certeira do elenco. Tanto Rachel Weisz quanto Michael Shannon estão deslumbrantes em seus respectivos papéis. A performance de sutilezas de Rachel se mostra tocante, mesmo que o espectador talvez não compartilhe de suas motivações. Enquanto Michael demostra uma frieza aparente, que obviamente rivaliza com seus desejos. A aparição de Alice veio numa hora crucial de sua vida e que embora não tenha movido suas inabaláveis convicções, obviamente o tocou de alguma forma. Uma pena que as várias situações e demais personagens são pouco aproveitados para algo maior (Danny Glover e Kathy Bates também estão no elenco), a não ser para transitar a margem do desempenho superlativo dos personagens principais. Joshua Marston é responsável pelo ótimo “Maria Cheia de Graça”, de 2004, que retrata o perigoso trabalho das pessoas que se sujeitam a transportar drogas no interior do corpo.

De pouco alcance, “Desconhecida” dificilmente é capaz de agradar uma fatia significativa de público. Suas reflexões são válidas, mas exploradas com pouco esmero. Embora tenha as suas qualidades e requintes, seja pelo desempenho formidável dos protagonistas ou por alguns aspectos técnicos bastante competentes, como a montagem inicial que busca imprimir um artifício instigante cuja finalidade é prender a atenção do espectador, o desenvolvimento da história é arrastado e tem uma personalidade fria e distante que não se conecta, como sua protagonista, com quase ninguém.

Nota:  6/10
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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Crítica: Entre Nós | Um Filme de Paulo Morelli (2014)


Isolados numa casa de campo, sete amigos, Felipe (Caio Blat), Silvana (Maria Ribeiro), Lúcia (Carolina Dieckmann), Gus (Paulo Vilhena), Cazé (Júlio Andrade), Drica (Martha Nowill) e Rafa (Lee Taylor) decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas cerca de dez anos depois numa espécie de brincadeira de cápsula do tempo. Porém, após uma tragédia ocorrida no mesmo dia onde Rafa morre em um acidente de carro, esses mesmos amigos ficam dez anos sem se reunir. E quando ocorre o reencontro para a leitura das cartas enterradas, alguns segredos mal enterrados são ressuscitados. “Entre Nós” é um longa-metragem dramático nacional de suspense dirigido por Paulo Morelli. Escrito por Paulo Morelli e co-dirigido por Pedro Morelli, essa produção é de responsabilidade da O2 Filmes, com o apoio da Paris Produções, Globo Filmes e Telecine. Arriscando-se em um gênero mais ambicioso do que a maior parte das produções do cinema nacional, o enredo dramático desse longa-metragem discute com competência temas relevantes como autoria e ética em uma trama repleta de ótimas atuações acomodadas por um filme visualmente belíssimo.

A atmosfera de incertezas criada para “Entre Nós” é perfeita. Um genuíno trabalho cinematográfico que poderia muito bem se multiplicar para o prazer de admiradores de contos dramáticos bem explorados. O clima de diversão e descompromisso que marca a confraternização desses jovens, servindo como premissa, se contrasta brilhantemente com o salto no tempo. O hiato de dez anos entre a morte do amigo e o reencontro do grupo gera um material promissor a ser dissecado pelo espectador. E a escolha de manter alguns assuntos ausentes de detalhes, dando margem para o espectador desvendar e produzir suas próprias conclusões é genial. O filme confecciona situações bastante humanas e possibilita ao elenco mostrar seus talentos. A responsabilidade de Caio Blat de condensar a maior importância do enredo é atendida prontamente, embora todos os personagens têm as suas particularidades e contribuições relevantes para a história que é marcada de muitos sofrimentos e angustias pessoais à espera de um alivio ou um sepultamento definitivo. Visualmente bonito, a direção de fotografia ressalta as vivacidade das belezas naturais da Serra da Mantiqueira, ao mesmo tempo em que se transforma mais fria de acordo com a reviravolta do enredo.

Entre Nós” é um bom filme nacional que não chega a surpreender, mas que tem o seu valor corrigido pelo déficit que o cinema nacional tem com seu público. O suspense sobre o desfecho é mantido com sutilezas de modo competente, ainda que o resultado seja praticamente previsível. Ganha pontos preciosos por manusear as reflexões pessoais dos personagens com sabedoria e responsabilidade, que na maioria se mostram confusos, mas não busca emplacar uma reviravolta ou algo assim. Contudo, sua capacidade instigante de prender a atenção já é o suficiente para mexer com as emoções dos espectadores.

Nota:  7/10
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domingo, 9 de julho de 2017

Crítica: Fome de Poder | Um Filme de John Lee Hancock (2016)


Em 1954, Ray Kroc (Michael Keaton) é um falido vendedor de máquinas de fazer milk-shake que em suas andanças pelo país conhece os irmãos, Ric (Nick Offerman) e Maurice (John Carrol Lynch), proprietários de uma pequena lanchonete em San Bernardino, na Califórnia que funcionava a pleno vapor através de um sistema de produção e venda revolucionário de hambúrgueres. Os lanches produzidos nesse estabelecimento eram preparados em cerca de 30 segundos, com sabor e forma padronizada, embrulhados em papel e que dispensava o uso de garçonetes, além de serem muito baratos. Fascinado com o sucesso dos irmãos, Ray Kroc os convence de firmar uma sociedade onde ele seria um representante comercial da marca. Em 1955, Kroc começa a vender licenças para franquiar em uma expansão da rede de estabelecimentos. Porém a ambição de Kroc cresce mediante o empreendimento e rapidamente não hesita em passar por cima de seus sócios fundadores para conquistar a marca McDonald´s para si e transforma-la em um dos mais promissores negócios de restaurantes do mundo. “Fome de Poder” (The Founder, 2016) é uma produção dramática biográfica escrita por Robert Siegel e dirigida por John Lee Hancock. Esse drama biográfico retrata em tons escuros a ascensão histórica do McDonald´s e consequentemente os pilares do que se conhece hoje como o Fast Food.

O drama biográfico “Fome de Poder” pinta de um modo pouco honrado a conquista do sonho americano. É a retratação da possibilidade real de que as pessoas com “persistência” nada é impossível. Ray Kroc tem isso como regra de vida. Entretanto, nas entrelinhas dessa mesma palavra inspiradora de motivação, essa iniciativa concede aos olhos do protagonista o direito para o necessário uso de ações gananciosas e antiéticas para se encontrar o ambicionado sucesso onde os fins justificam os meios. É certo que o enredo desse longa-metragem somente acompanha os fatos da história dos primeiros anos do empreendimento, mas o brilho dado ao filme é resultado das performances inspiradas. Michael Keaton não surpreende, após uma estupenda retomada na carreira a partir de 2014, onde tem se envolvido em vários projetos de grande excelência, que consiga materializar com tanto esmero um personagem como Ray Kroc. Habilidoso em compor personagens de caráter indefinido, seu desempenho se contrasta brilhantemente com a honestidade e humildade dos dois irmãos interpretados por Nick Offerman e John Carrol Lynch. De vítima do capitalismo ao papel de carrasco, Michael Keaton brilha no papel de Roy Kroc. Com uma excelente escolha de elenco, “Fome de Poder” oferece uma visão fria que esboça de forma funcional a evolução da relação dos três personagens que construíram um dos mais representativos emblemas do capitalismo.

Impossibilitado de se alcançar ao sucesso de “Rede Social” (2010) ou “O Lobo de Wall Street” (2013) pela ausência de uma condução autoral e pelo burocrático roteiro que funciona como um desagradável freio para a criatividade, “Fome de Poder” ainda assim reserva algumas surpresas interessantes. A sua transparência, a forma como não se censura em mostrar as malévolas regras do jogo que levaram o empreendimento ao auge. E principalmente, os responsáveis desse fenômeno e a rede de desafetos deixada para trás por seus envolvidos. Por isso, “Fome de Poder” tem uma expressiva combinação de informações sobre a ascensão do McDonald´s no mundo corporativo, que aliado ao fornecimento da dose certa de dramaturgia, consegue manter com facilidade o interesse do espectador. Um ótimo drama biográfico que deve ser conferido.

Nota:  7,5/10
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sábado, 8 de julho de 2017

Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Um Filme de Jon Watts (2017)


Após seu contato com os Vingadores em “Capitão América: Guerra Civil”, Peter Parker (Tom Holland) volta relutante para sua antiga rotina diária no Queens, em Nova York. Mas agora sob o olhar atento de Tony Stark (Robert Downey Jr.), e de sua tia (Marisa Tomei), Peter tenta equilibrar sua vida normal de estudante dedicado com o pretenso ingresso nos Vingadores. Decidido a provar para si mesmo, como também para seu mentor, Tony Stark, de seu potencial como Homem-Aranha, Peter passa a seguir o encalço de um ganancioso vilão, o Abutre (Michael Keaton) que tem agido nas sombras, quando passou a combinar tecnologia alienígena sucateada para criar armas perigosas. Essa é a chance que Peter esperava para se tornar um Vingador. Mas as coisas não ocorrem da maneira que ele imaginava, e sua ansiedade passa a causar mais problemas do que é capaz de gerar soluções. “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (Spider-Man: Homecoming, 2017) é uma produção estadunidense de aventura e ação baseada no personagem em quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko. Produzida pela Columbia Pictures e Marvel Studios, essa produção é uma parceria entre a Sony e a Marvel, e tem a direção de Jon Watts. Em sua segunda reinicialização da franquia Spider-Man, e 16º filme do Universo Cinematográfico Marvel (MCU), o diretor Jon Watts não decepciona em tecer o mais novo produto da Marvel.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar” representa o que Marvel sabe fazer de melhor: filmes de super-heróis visualmente atraentes, comprometidos com seu propósito e divertidos. A capacidade da Marvel de mesclar com habilidade a matéria prima que for ao seu extenso universo cinematográfico, gerando no fim um produto bem adaptado em sua forma e essência, tem se mostrado fascinante a cada lançamento (um exemplo significativo é a figura do Homem-Formiga que nos quadrinhos nunca foi tão fascinante quanto no cinema). Escrito por várias mãos, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” se mostra uma experiência curiosa por ter mais cara de um cometido conto do que de uma cruzada de proporções épicas como em seus filmes anteriores. O roteiro compacta um pouco as dimensões dessa aventura que normalmente no gênero são mais gigantescas e ambiciona um foco no necessário jogo de cintura que Peter Parker necessita ter para crescer como super-herói aos olhos do mundo e de si próprio. Embora o filme tenha suas passagens grandiosas, a maior parte do desenvolvimento do material é marcado por trivialidades e situações cômicas. Jon Watts, um diretor de pouca experiência e muito talento, mostra que sabe bem articular as ações e emoções contidas em volta do personagem. Ansiedade, inexperiência e pretensão são alguns dos aspectos e questionamentos bastante explorados pelo argumento. Além do mais, as cenas de ação possuem o seu brilho e não devem nada a nenhum outro realizador da franquia. Watts se adaptou bem aos moldes que são estabelecidos pelo estúdio.

Deixando de lado comparações com os filmes de Sam Raimi e ao mesmo tempo sem querer desmerecer a atuação de Andrew Garfield nos filmes mais recentes, o jovem ator Tom Holand atende as necessidades atuais do personagem: jovem, eufórico e até certo ponto, submisso a vontade da tia May como um legítimo adolescente que é. Com uma dosagem alta de humor dada a rotina do ensino médio de Peter e as reações aos exclusivos gadgets inseridos no traje do Homem-Aranha, tudo gera ótimas passagens e servem como um artificio de acessibilidade ao público. Considerando que um dos grandes objetivos da Marvel sempre é tornar os seus filmes acessíveis, talvez Jon Watts tenha entregado um dos filmes mais acessíveis do MCU. Se Holand já dava indícios de sua tamanha funcionalidade na rápida aparição em “Capitão América: Guerra Civil”, agora em seu filme solo, o fato só veio a ser reforçado. Sobretudo, além da esperada presença de Robert Downey Jr. num punhado cenas legais, o espectador é presenteado com mais uma ótima atuação de Michael Keaton que entrega um vilão de estética sofisticada e bem adaptado ao arco de histórias da Marvel, que além de ter seus segredos, se conecta ao personagem de Peter Parker numa reviravolta pontual.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é extremamente divertido. Obviamente direcionado para um público mais juvenil, contanto é capaz de proporcionar uma boa dose de entretenimento a uma plateia mais madura que busca um programa de entretenimento descompromissado. A reunião de bons momentos (tem uma cena nostálgica que homenageia o filme “Curtindo A Vida Adoidado) é uma boa sacada da produção. Seu desfecho é ajustado e a sabotagem do plano criminoso do Abutre que culmina no fracasso e o destina a prisão demonstra sutilmente um plano sendo elaborado para seu renascimento das cinzas em projetos futuros. Assim sendo, ainda falta muito para que o garoto Peter Parker possa verdadeiramente se chamar de “homem”, todavia está no caminho.

Nota:  8/10
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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Crítica: Sucesso Acima de Tudo | Um Filme de Owen Harris (2015)


O ano é 1997 e Steven Stelfox (Nicholas Hoult) é um jovem e ambicioso funcionário de uma gravadora que trabalha no processo de descoberta de novos sucessos musicais. Entre bandas em ascensão e promissores hits da moda, sua principal tarefa é separar o joio do trigo e se certificar que a gravadora está investindo nas pessoas certas. Uma tarefa tão difícil quanto crescer profissionalmente num ambiente profissional que exala competividade. Assim sendo, Steven não vê outra forma, a não ser adotar métodos nada éticos para crescer nos bastidores do cenário musical britânico. “Sucesso Acima de Tudo” (Kill Your Friends, 2015) é uma produção de comédia e suspense dirigida por Owen Harris. Adaptado para o cinema por John Niven de seu próprio best-seller que retrata os bastidores da música dos anos 90, no auge do cenário Britpop londrino, seu material tem como inspiração suas próprias experiências e impressões pessoais adquiridas durante um período de sua vida que trabalhou em um escritório de Londres para indústria musical. Sem grandes ideias e um argumento sólido, Owen Harris estabelece uma narrativa ácida e recheada de excentricidades regada a muitas drogas ilícitas para contar a alucinada trajetória de um personagem desprovido de conceitos morais dentro de um ambiente cooperativista.

Sucesso Acima de Tudo” é ligeiramente cansativo. As sugestões didáticas proferidas metodicamente por Steven Stelfox até possuem o seu brilho para qualquer um que tenha algum fascínio pelo mercado musical estrangeiro, pois há uma série de conselhos sensatos que são peças de fácil encaixe no contexto real do cenário musical internacional. Sobretudo também é um soco no estômago do espectador que possui dúvidas sobre alguns aspectos que diferenciam o sucesso do fracasso nesse mercado. Entretanto, o problema real de “Sucesso Acima de Tudo” se encontra em vários aspectos do enredo, desde o título original que numa tradução livre seria algo como “Mate Seus Amigos”, se mostrando um spoiler escancarado da história, até a conjunção de eventos artificiais seguidos por personagens desinteressantes. Para começar pelo Steven Stelfox, interpretado por Nicholas Hoult, que embora tenha se mostrado nos últimos anos como um trabalhador de frequente crescimento, ele não convence no papel A&R sem escrúpulos. Nem suas ações extremadas e seus discursos insensíveis em off auxiliam seu desempenho. Some-se a esse conjunto uma série de personagens de pouco carisma, um cenário clichê e um punhado de furos no roteiro (os ligados a presença do detetive Woodham interpretado por Edward Hogg são delicados para o conjunto da obra).

Sucesso Acima de Tudo” é uma sátira que de certa forma não é engraçada. Vendida como comédia, essa produção não funciona realmente como tal. As piadas são forçadas e o cinismo não brilha como esperado. Poderia ser mais engraçada. Por outro lado, como um suspense o espectador fica numa expectativa danada de ver todo mundo se dar mal. Porque de certo modo, parece que ninguém presta mesmo em Sucesso Acima de Tudo. E o desfecho chocante só vem afirmar isso. E quando num costumeiro exercício de reflexão que busca uma indagação memorável para o sentido da vida, a resposta obtida em coro pelos que restaram demonstra o quanto a industria musical está alheia aos amantes da boa música. A mensagem foi recebida.   

Nota:  5/10
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Cinema e Música: Spider-Man: Homecoming com Demi Lovato


terça-feira, 4 de julho de 2017

Crítica: Três Reis | Um Filme de David O. Russell (1999)


Após o final da Guerra do Golfo Pérsico, entre comemorações e inexpressivos relatos jornalísticos obtidos pela jornalista Adriana Cruz (Nora Dunn), um pequeno grupo de soldados americanos comandados pelo Major Archie Gates (George Clooney), junto com os soldados, Troy Barlow (Mark Wahlberg), Elgin (Ice Cube) e Conrad Vig (Spike Jonze) se aventuram pelo deserto do Iraque com um mapa que eles acreditam que os levará a uma reserva de ouro escondida que foi roubada durante a invasão do Kuwait pelas tropas iraquianas. A missão ilícita que a principio seria apenas uma espécie de sigilosa caça ao tesouro, os conduz a uma série de descobertas inesperadas que levanta alguns questionamentos morais e indispensáveis ações heroicas. “Três Reis” (Three Kings, 1999) é um drama de guerra escrito e dirigido por David O. Russell (responsável por filmes como “O Vencedor”, de 2010; “O Lado Bom da Vida”, de 2012 e “Trapaça”, de 2013). Numa válida tentativa de reinvenção da roda que o grande público cedeu ao esquecimento, David O. Russell não desperdiça tiros para compor seu conto cômico de guerra que se mostrou um dos melhores filmes do fim da década de 90. Lançando um olhar bastante original sobre a guerra do Oriente Médio, até então pouco explorada pelo cinema, “Três Reis” conseguiu de um modo bastante criativo ser divertido e deixar a sua mensagem.

Durante muito tempo filmes como “Nascido para Matar”, “Apocalipse Now”, “Platoon” e “O Resgate do Soldado Ryan”; e diretores de reputação conhecida como Stanley Kubrick, Francis Ford Coppola, Oliver Stone e Steven Spielberg mostraram que a guerra nunca teve muito espaço para retratações criativas. Desde então havia um método definido que sempre foi respeitado e seguido religiosamente, como o conflito a ser retratado. Durante muito tempo a Segunda Guerra e o Vietnã serviram em sua maior parte como à única inspiração para o cinema de guerra. David O. Russell ignorou as regras e lançou sua visão nada convencional do que foi a Guerra do Golfo. Ousado, divertido e imponderado, a trama arquitetada por Russell consegue sempre apresentar uma surpresa para o espectador. Seu material é uma solução exclusiva; a ausência de disputas bélicas, cenas de sanguinolência descontrolada e atos performáticos de heroísmo são deixados de lado, para ser sobreposto por cenas amargas que entram em contraste com piadas politicamente incorretas (a cena onde a vaca é usada como exercício de guerra é tão hilária quanto chocante). Russell acerta no equilíbrio e obtêm do elenco ótimas performances. Destaque para o trio de soldados que formaram um grupo excelente e bem entrosado. Embora nos bastidores o filme tenha sido um verdadeiro campo de batalha também (George Clooney e o diretor estiveram em constantes conflitos durante as filmagens) é curioso como isso não atrapalhou ou pelo menos não se mostrou perceptível no resultado final. 

Três Reis” é um pioneiro no que diz respeito à retratação da Guerra do Oriente Médio. Mas seu pioneirismo também abrange outros aspectos, pois logo no início do filme há um aviso familiarizando o espectador sobre algumas características das imagens (sobre o formato de tela usado nas filmagens e a saturação das cores) de tão incomum que era uma adoção estética dessas para uma produção dramática de guerra. Pessoalmente vi isso como uma espécie de quebra de tabu. Sobretudo, “Três Reis” funciona muito bem em vários aspectos, sem glorificar atos de guerra e enaltecendo as virtudes da natureza humana com bom humor e bastante originalidade. É divertido e consegue ser um interessante retrato dos acontecimentos da primeira invasão dos Estados Unidos no Iraque no início da década de 90. 

Nota:  8,5/10
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segunda-feira, 3 de julho de 2017

domingo, 2 de julho de 2017

Crítica: 007 Contra Spectre | Um Filme de Sam Mendes (2015)


James Bond (Daniel Craig) é afastado de suas responsabilidades por M (Ralph Fiennes), recém-nomeado a função, depois de agir por conta própria em missão secreta na Cidade do México.  Como de costume, Bond desobedece previsivelmente as ordens dadas pelo comando de M para descobrir mais sobre os eventos ocorridos no México, enquanto ao mesmo tempo M enfrenta forças políticas numa disputa de bastidores para manter o serviço secreto ativo. Bond descobre que o assassino do México, Marco Sciarra (Alessandro Cremona) abatido na operação era apenas um empregado de uma organização criminosa maior. Ao fazer contato com Lucia Sciarra (Monica Bellucci), a bela e sedutora viúva do assassino, Bond se infiltra numa reunião secreta da organização criminosa conhecida como Spectre. Numa busca incessante pelo chefe da organização Spectre, o enigmático Franz Oberhauser (Christoph Waltz), Bond descobre que seu passado está diretamente ligado ao coração dessa misteriosa organização. “007 Contra Spectre” (Spectre, 2015) é uma produção de ação e espionagem britânica que é o 24º longa-metragem da franquia cinematográfica de James Bond, e o 4º filme protagonizado por Daniel Craig. Escrito por John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Jez Butterworth, o filme é dirigido por Sam Mendes e também têm no elenco principal nomes como Christoph Watz, Léa Seydoux, Monica Bellucci, Ralph Fiennes, Dave Bautista, Naomie Harris, Ben Whishaw, Rory Kinnear e Andrew Scott.

Sem o charmoso toque de inovação de “Cassino Royale” (2006), a explosão ininterrupta de ação de “Quantum of Solace” (2008) e a impecável elevação de excelência de “Operação Skyfall” (2012); “007 Contra Spectre” busca ser todo o equilíbrio do que já foi feito nessa nova fase da série até o presente. Além do mais, também é uma homenagem e um entusiástico retorno do sindicato do crime dos primeiros filmes da série, ainda quando era protagonizada por Sean Connery. Embora a organização sempre estivesse presente no enredo dessa nova fase, finalmente Spectre sai em definitivo das sombras e ganha o devido destaque na película. A trama diretamente conectada aos acontecimentos e personagens dos três filmes anteriores da nova fase, se desenrola pelo México, Londres, Roma, Tânger, Áustria e pelo Marrocos. Enquanto Daniel Craig continua a prosperar no papel de agente 007, a inserção de novos personagens se mostra mais pobre do que podia se permitir. O que consequentemente resultou na perda de sua capacidade de sedução pelo mesmo motivo que “Quantum of Solace” nunca veio a habitar na lista de nenhum fã da série como um dos melhores filmes da nova fase da franquia: o vilão. Christoph Waltz não convence mais com um sua performance, ainda que funcional, repetitiva de grande vilão. Ainda que as reviravoltas da trama sejam bem elaboradas pelo roteiro, conduzidas com o mesmo rigor que Sam Mendes adotou em “Operação Skyfall”, há um déficit criativo no antagonista de Bond e uma necessidade de melhorar a exploração dos personagens secundários.

Mesmo assim, as cenas de ação continuam a brilhar na tela (destaque para a inesperada e explosiva cena de abertura). As sequências de luta corpo-a-corpo são intensas e brutais, e o carro do agente especial 007 (Aston Martin DB10 feito sob medida para o filme) continua a roubar a cena e a salvar sua vida. Assim sendo, desde o prefácio explosivo na Cidade do México que passou por um calvário pelo mundo até a sua conclusão nas ruas de Londres, “007 Contra Spectre” se mostra uma continuação válida da franquia e um bom programa de entretenimento. Obviamente, nem de longe superior a seu antecessor.

Nota: 7/10
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sábado, 1 de julho de 2017

Crítica: Personal Shopper | Um Filme de Olivier Assayas (2016)


Maureen (Kristen Stewart) é uma jovem americana que mora em Paris e trabalha como Personal Shooper para Kyra (Nora von Waldstatten), uma celebridade da cidade. Maureen também é mediúnica, embora não tenha a total certeza ter essa capacidade de se comunicar com os mortos. Porém o seu irmão, um jovem que recém-falecido também tinha esse dom, entretanto ele sempre esteve seguro e convicto de sua capacidade de se ligar a um mundo que normalmente as pessoas ignoram. Sobretudo, tanto ela quanto ele também tinha uma doença crônica do coração, a causa de sua morte precoce. Resistindo a sair da França e dar continuidade à sua vida, Maureen tenta fazer contato com o irmão. Diante de algumas manifestações mediúnicas a qual ela não consegue entender plenamente, tudo indica que supostamente seu irmão está tentando enviar, ou não, uma mensagem ao mundo dos vivos. “Personal Shopper” (Personal Shopper, 2016) é um suspense dramático escrito e dirigido pelo cineasta francês Olivier Assayas (responsável pelo longa-metragem “Acima das Nuvens). Segundo filme em que Kristen Stewart e Olivier Assayas trabalham juntos, o cineasta escreveu o roteiro desse longa-metragem pensando especificamente na atriz para protagoniza-lo, como alguns aspectos da personagem que Kristen Stewart desempenhou em “Acima das Nuvens” estão levemente conectados com essa produção.

Personal Shopper” não deixa de ser, além de muitas outras coisas, uma história sobrenatural moderna. Oscilando entre o convencionalismo dramático e o suspense sobrenatural, a atmosfera sombria e elegante criada por Assayas para essa produção é um aspecto que se destaca facilmente diante de outros filmes explicitamente focados nesse aspecto. A beleza estética atribuída pela direção de fotografia de Yorick Le Saux é encantadora, ao se utilizar de luzes rasas e sombras profundas, se destaca desde os primeiros instantes de “Personal Shopper”. O ambiente clichê de casa mal-assombrada que marca os primeiros minutos dessa produção, logo ganha contornos dramáticos quando passamos a acompanhar a rotina de viagens e tarefas de Maureen. E Assayas sabe bem separar as coisas (o dom mediúnico de Maureen de sua vida pessoal comum), como misturar elas de acordo com a necessidade. O roteiro não se restringe apenas a temperar as expectativas do espectador com o poder da sugestão, mas também a dar algumas explicações racionais para alguns eventos que se desdobram no decorrer do desenvolvimento da trama. Entretanto, um dos aspectos que mais impressionam nesse filme é a presença de Kristen Stewart; seu desempenho é formidável e ao mesmo tempo discreto onde carrega o filme sozinha. Há um agradável equilíbrio em sua atuação, que é marcado por uma presente e constante tensão física. Se em “Acima das Nuvens” ela já havia demonstrado ter se acertado com a direção de Assayas, aqui ela só veio a reafirmar isso.

Mas “Personal Shopper” não está isento de falhas. E elas estão lá, tão presentes quanto desnecessárias. Se o desenvolvimento da história é marcado por um ritmo adequado, uma atmosfera elegante, por eventos bem distribuídos e brilhantemente protagonizados por Kristen, Olivier Assayas não soube como finalizar seu trabalho com a mesma qualidade com que o ergueu diante do público. E nem me refiro à autoria previsível do crime que ocorre a certa altura da trama, mas a forma como o evento se mescla ao dom de Kristen Stewart de modo relapso e sem estudo de método. Ainda por cima, numa tentativa de aproveitar ao máximo o tempo, abre espaço para prolongar sua obra com um final secundário que deixa oportunidade para inúmeras interpretações pessoais diferentes. Uma decisão corajosa e arriscada, cujo prejuízo pode oscilar bastante de espectador para espectador.

Nota:  7/10
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