sexta-feira, 23 de junho de 2017

Crítica: Máquina de Guerra | Um Filme de David Michôd (2017)


Quando o renomado e dedicado general Glen McMahon (Brad Pitt) e sua equipe de fieis soldados são enviados ao Afeganistão para limpar a bagunça deixada pelos Estados Unidos após oito anos demonstrando ineficiência na “Guerra ao Terror”, um fio esperança surge quando Glen, com toda sua experiência e foco no objetivo ao qual foi incumbido encontra uma forma de almejar o sucesso nessa tarefa onde os outros somente falharam. Entretanto, dentre todos os presumidos obstáculos conhecidos que essa guerra poderia reservar a qualquer um que desejasse obter um reconhecido sucesso, Glen será alvejado por um inimigo tão absurdo e perigoso quanto o mais temido dos terroristas. “Máquina de Guerra” (War Machine, 2017) é uma comédia dramática estadunidense escrita e dirigida por David Michôd. Baseada no livro de Michael Hastings, a trama dessa produção é ligeiramente inspirada na história real do general Stanley McChrystal, retratado no artigo “Runaway General”, que Michael Hastings escreveu para a revista Rolling Stone e que levou a renúncia do McChrystal. Em tom de sátira, o diretor australiano David Michôd (responsável pelos filmes “The Rover: A Caçada”, de 2014 e “Reino Animal”, de 2010) explana várias hipocrisias presentes sobre o envolvimento dos Estados Unidos na surreal ocupação do Afeganistão.

Máquina de Guerra” não é nada mais e nada a menos do que uma autocrítica dividida em dois atos. Seu pontapé inicial se apresenta ao espectador de forma mais cômica e humorada, quase engraçada, enquanto seu segmento se mostra mais dramático e reflexivo, embora ambas as partes possam ser, e são bastante irônicas e sarcásticas. Sua narrativa que é narrada em off pelo jornalista Sean Cullen (Scoot McNairy) retrata a obstinação do general Glen McMahon (Brad Pitt) em obter êxito onde seus antecessores não conseguiram. Uma tarefa tão difícil quanto menosprezada pelo alto comando dos Estados Unidos. O roteiro de David Michôd trabalha bem esse aspecto, com humor e muito jogo de cintura ao articular inúmeras críticas no mesmo produto. Na verdade, David Michôd tem material demais para filme de menos. É impossível materializar tanto material crítico positivo de modo significativo, o que consequentemente causa uma sensação de banalização dos acontecimentos. A cada passagem aparecia algo novo a ser estudado pelo espectador, mas de forma alguma desenvolvido com prontidão. Passagens como o aparente desinteresse do Governo em contribuir com o fim dessa ocupação de modo correto; a imparcialidade do envolvimento do governo Afegão e de suas tropas na eliminação dos insurgentes; a confusa condição na qual os soldados americanos se encontram; o jogo de aparências que rola nos bastidores do poder; o espetáculo midiático que essa guerra ganhou ao mundo; são alguns dos temas interessantes abordados entre muitas outras críticas permeadas ao longo dessa produção.

Embora Brad Pitt possa conferir uma atuação caricata do veterano de guerra americano, ainda assim se mostra divertida e dramática quando necessária. Sua figura é bem aproveitada de todas as maneiras e se destaca com facilidade entre outros bons nomes de elenco e desempenhos acima da média. Só que a mudança de tom, da comédia competente para o drama existencial pode ser seu ponto fraco, pois essa alteração de clima não evolui com a devida naturalidade, demonstrando uma desagradável indecisão ou uma inaceitável incompetência aos olhos de muitos espectadores. Mas ainda assim, “Máquina de Guerra” deixa as suas mensagens, várias indagações válidas e algum material para ser discutido no futuro. Ainda que irregular, garante uma boa dose de entretenimento e fortalece algumas convicções óbvias sobre o envolvimento das tropas americanas em terras estrangeiras.

Nota:  7/10
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