sábado, 20 de maio de 2017

Crítica: Guerra ao Terror | Um Filme de Kathryn Bigelow (2008)


A expressão “Guerra ao Terror” serve de referencia a uma forte iniciativa militar desencadeada pelos Estados Unidos da América a partir do ataque de 11 de setembro de 2001. O presidente americano em exercício, George W. Bush declarou uma guerra por meio desse termo como uma estratégia global de combate ao terrorismo. O que significa em resumo que houve uma reunião de esforços para mobilizar diferentes áreas no plano econômico, diplomático, de espionagem e contraespionagem nessa cruzada que se espalhou pelo mundo e consequentemente fez com que os Estados Unidos ocupassem países como o Iraque e o Afeganistão. “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker, 2008) é um drama de guerra escrito por Mark Boal e dirigido por Kathryn Bigelow (responsável pelo longa-metragem “A Hora Mais Escura”, de 2012). Em sua trama acompanhamos os sargentos William James (Jeremy Renner), J.T. Sanborn (Anthony Mackie) e o especialista em bombas, Owen Eldridge (Brian Geraghty) trabalhando no esquadrão anti-bombas do exército americano em Bagdá. Cada dia vivo é uma vitória e quando o fim de sua missão se aproxima cada vez mais, o número de situações perigosas vai aumentando na mesma proporção.

"Guerra ao Terror" é uma retratação sinuosa das tantas facetas de uma guerra que atravessou mais de uma década, e por fim culminou na morte do terrorista Osama Bin Laden que foi retratada em outra produção dirigida por Kathryn Bigelow chamada "A Hora Mais Escura" (2012). Sobretudo, o principal foco de "Guerra ao Terror" é retratar a alienada rotina dos soldados americanos em território inóspito Iraquiano, pela ótica desses próprios homens e mulheres que compõem as forças armadas. Sem ambições maiores ou mais nobres do que o cumprimento de seu trabalho, encontram no retorno ileso uma vitória diária. O dia é sempre marcado com muita tensão e incerteza, já que qualquer um cidadão iraquiano pode ser sempre um inimigo em potencial. Assim sendo acompanhamos de perto pelas ruas do Iraque um grupo de soldados americanos especializados em desarmar bombas, que vem e vão a missões que nunca sabem se irão voltar a salvos. Com um estilo de filmagem ora documental, ora dramaticamente convencional, essa produção se mostra interessante narrativamente. Quanto ao elenco, o ator Jeremy Renner se apresenta uma boa escolha como o elo dramático mais forte do filme, apesar de que na época era quase que um desconhecido do grande público. Os demais cumprem com seu papel na medida sem a possibilidade de exaltar grandes destaques. A produção tem uma boa climatização (tanto sonora quanto visual), com cenas tensas e de ação bastante convincentes que retratam as circunstancias extremadas a qual eram expostos.

Para o espectador que acompanha a cerimônia do Oscar e aguarda as indicações com expectativa, era uma surpresa que esse longa-metragem estivesse concorrendo a grandes prêmios em uma das maiores premiações do cinema mundial (vencedor de Melhor Filme e Melhor Diretor além de ter concorrido em outras 7 categorias mais técnicas as quais não venceu todas). Devido a sua estética e enredo pouco atraente, que apenas exaltava o imensurável senso patriótico norte-americano, por aqui havia sido lançado diretamente em vídeo algum tempo antes. "Guerra ao Terror" é um bom drama de guerra, sem grandes cenas ou alguma originalidade perceptível. Ganha alguns preciosos pontos pelo tom realístico da obra, mas não justifica ter arrematado alguns dos melhores prêmios da cerimônia do Oscar 2010. Particularmente o vejo como um exercício para uma obra mais elaborada: A Hora Mais Escura”.

Nota:  7/10
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4 comentários:

  1. é bem impressionante esse filme realmente. comentei aqui http://mataharie007.blogspot.com.br/2010/07/guerra-ao-terror.html

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    1. As cenas e atmosfera de tensão são bem realistas e que na minha humilde opinião são as melhores coisas desse filme. De resto... não passa de propaganda da supremacia americana em território estrangeiro.

      bus

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  2. Os dois filmes de Kathryn Bigelow são ótimos. Realmente "A Hora Mais Escura" tem um roteiro mais elaborado e uma trama bem mais complexa, porém "Guerra ao Terror" cria uma nível de suspense elevadíssimo em cada sequência.

    Abraço

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    1. Aprecio infinitamente o trabalho de Kathryn em "A Hora Mais Escura".

      Abraço

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