domingo, 26 de julho de 2015

Com Cara de Oscar...

sábado, 25 de julho de 2015

Crítica: Chappie | Um Filme de Neil Blomkamp (2015)


África do Sul, a cidade de Johanesburgo sofre com os crescentes índices de criminalidade e violência. Em detrimento desse panorama, a empresa Tretavaal responsável pela criação de robôs policiais que são vendidos ao governo consegue reduzir essa caótica situação. Entretanto, Deon (Dev Patel), o responsável direto por essa nova corporação policial não se contenta somente com a eficiência de sua criação. O jovem busca criar uma evolução de sua própria criação, ao conferir a máquina uma consciência mais próxima da humana. Ideia vetada pela diretora da empresa, por questões corporativas, que desencadeia a iniciativa rebelde de Deon em reutilizar uma sucata de um robô abatido em serviço que serviria para sua experiência de melhora da figura robótica. Com a obtenção de sucesso nessa sua empreitada, para sua própria surpresa, o robô batizado de Chappie (que usa a voz de Sharlto Copley) surpreende seu criador e a todos com quem tem contato. Seu desejo de viver se torna tão grande quanto seu criador imaginava. Tanto que isso irá inflamar alguns temperamentos dentro e fora das limitações da corporação a qual trabalhava e ressuscitar o caos pelas ruas da cidade. “Chappie” (Chappie, 2015) é uma produção de ficção científica dirigida por Neil Blomkamp, sendo seu terceiro longa-metragem tendo roteiro do próprio em parceria com Terri Tatchell. Baseado em um curta-metragem chamado Tetra Vaal lançado em 2004 (também de Blomkamp), seu longa-metragem ganha dimensões maiores de enredo, personagens mais complexos e se mostra um bem-vindo exemplar ao gênero.


São inúmeros os filmes que tocam o tema da inteligência artificial no cinema, onde invariavelmente surge um novo lançamento. “Chappie” é um bom exemplar da nova safra de produções que abordam essa temática. Embora ressoe sobre filmes como “RoboCop” de Paul Verhoeven e “Short Circuit – O Incrível Robô”, ele tem sua identidade própria. Aperfeiçoando os conceitos de seu curta-metragem, Neil Blomkamp consegue evoluir ao combinar a liberdade que a sci-fi possibilita aos seus realizadores, efeitos visuais de grande funcionalidade e excelência, a personalidade humanamente genial do personagem título e o caráter de reflexão social que essa produção apresenta reunido num único trabalho. Uma melhoria de realização se comparado ao seu filme antecessor “Elysium”, lançado em 2013. Embora “Chappie” sofra de um subdesenvolvimento de ideias, que resultaram em soluções fáceis e mal resolvidas (os criminosos são estereótipos da ameaça criminal que as autoridades combatem), que não fluem de forma natural aos olhos, Blomkamp permeia seu trabalho com inúmeros acertos que vão de seu olhar atento sobre assuntos da vida e da sociedade, como a criação de um personagem imensamente cativante e divertido criado a partir de uma máquina padrão. Com um bom desenvolvimento de personagens secundários que colocam em movimento toda a trama (com destaque para Hugh Jackman e seu projeto que rivaliza com os robôs sensação de Deon), e algumas cenas de ação e conflitos armados que beiram a um grande espetáculo visual, “Chappie” pode até não superar o nivelamento positivo de opiniões que marcaram “Distrito 9”, e que como “Elysium”, não se mostre uma mistura de ideias perfeita. Mas o filme tem potencial, e que como seu realizador, pode surpreender mesmo tendo falhas.

Nota:  7,5/10
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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Crítica: Cidades de Papel | Um Filme de Jake Schreier (2015)


Quentin Jacobsen (Nat Wolff) é um jovem estudante que nutre há muitos anos uma espécie de paixão reprimida por sua vizinha Margo Roth Spielgeman (Cara Delevingne). Isso desde que se mudou para casa em frente à dela ainda quando era criança. Embora tenham sido muito amigos nessa época, muita coisa mudou de lá para cá. Ainda que se cruzem eventualmente nos corredores da escola, ou dividam a sala de aula em algumas matérias, o futuro do colegial reservou um destino bem diferente para os dois. Enquanto Margot é popular e descolada aos olhos dos estudantes do colégio, Quentin é apenas mais um nerd desinteressante do colegial. Porém, certa noite após muitos anos afastados ela invade inesperadamente a casa de Quentin pedindo ajuda para a execução de um plano de vingança contra seus atuais amigos que atraíram. E vingança concluída, curiosamente ela desaparece do mapa sem deixar recados. Entretanto, Quentin acredita que ela deixou um rastro de migalhas de pão, com pistas para ele a encontrar e impulsionado por sua paixão decide segui-las. Assim ele e seus leais amigos, Marcus (Justice Smith) e Ben (Austin Abrams) e algumas respectivas colaboradoras se lançam numa enlouquecida jornada na busca do paradeiro da desaparecida, e porque não dizer fugitiva paixão de Quentin Jacobsen. “Cidades de Papel” (Paper Tows, 2015) é um romance de aventura baseado no livro homônimo escrito por John Green (autor responsável pelo livro A Culpa é das Estrelas). Adaptado para o cinema por Scott Neustadler e Michael H. Weber e dirigido por Jake Schreier, essa produção está longe de ser um filme de ambições de prêmios, mas de uma busca gritante de repetir o sucesso do filme “A Culpa é das Estrelas”, que estreou em 2014 e também tem a assinatura do escritor norte-americano John Green. E considerando isso, é certo dizer que essa segunda incursão de Green nas telonas saiu tão certeira quanto esperado.


Cidades de Papel” é o desenvolvimento aprimorado do essencial. Não há excessos ou faltas, sendo em resumo um produto bem ajustado aos moldes de seu gênero. Obviamente que a intenção de Jake Schreier (como a dos próprios produtores) não é inovar, mas acima de qualquer coisa entregar um programa de entretenimento simpático aos sentidos, de ritmo empolgante e cheio de mistérios cativantes herdados de sua base literária. O filme fortemente conectado com fórmulas de sucesso comercial do gênero de filmes juvenis que oscilam entre romances platônicos e surpreendentes travessuras, Jake Schreier cumpre com a tarefa prioritária desse produto: agradar aos mais variados públicos (ainda que os jovens espectadores sejam o público-alvo). Mesmo que não faça nada de novo, essa produção é entregue de forma agradável e divertida. Ao aproveitar com imensa habilidade a sintonia de um elenco desconhecido do grande público, inserir boas passagens de humor e mistério, uma trilha sonora com canções de rock indie bem escolhidas que se destacam sem a necessidade de ensurdecer o espectador, “Cidades de Papel” é a reunião bem-sucedida de uma série de elementos providos de excelência. Trata-se de uma história bem contada com o auxilio de um conjunto técnico igualmente competente (direção de fotografia, arte e montagem simples, mas bem acabada). O filme consegue ser inspirador de um modo bem simples, profundo na medida certa e cativante aos conhecedores ou não da obra literária se mostrando uma transposição agradável. Por isso, “Cidades de Papel” dissipa boas ideias ao espectador sugerindo o descarte de felicidades planejadas de futuro e uma maior e bem-vinda valorização do presente que toca num bom par de temas familiares de relevância. Segundo o trabalho de Green, a felicidade se encontra nas pequenas coisas da vida, e que para nossa alegria, geralmente estão bem perto de você. E como já dizia aquele velho ditado: “Viva todos os dias como se fosse o último e trabalhe como se fosse viver eternamente”.

Nota:  7,5/10  
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domingo, 19 de julho de 2015

Made In Japan

sábado, 18 de julho de 2015

Em Revista: X-Men: Apocalypse


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Crítica: Obrigado por Fumar | Um Filme de Jason Reitman (2006)

 

Baseado no romance homônimo Obrigado por Fumar de Christopher Buckley, de 1994, o cineasta Jason Reitman em sua primeira empreitada simultânea como roteirista e diretor consegue entregar ao público com um alto nível de excelência a adaptação literária dessa obra. Uma transposição de realização bastante complicada em teoria, tanto pela temática relevante e delicada que necessita um impressionante jogo de cintura, quanto pela escolha da abordagem satírica tomada no decorrer de seu desenvolvimento. “Obrigado por Fumar” (Thank You For Smoking, 2006) é uma surpreendente comédia dramática escrita e dirigida pelo cineasta canadense Jason Reitman (responsável por filmes como “Amor Sem Escalas”, “Juno”, “Jovens Adultos”, entre outros mais). Filho do famoso cineasta Ivan Reitman (realizador dos lendários “Os Caça-Fantasmas” 1 e 2), o filho, um incessante realizador e um talentoso combinador de ideias inteligentes surpreende as novas gerações ao seu modo com filmes que misturam profundidade e apelo comercial. E “Obrigado por Fumar” pode ser um bom exemplo disso. Para começar pelo instigante e curioso título, naturalmente herdado do livro, e depois pelo acerto do tom sarcástico e irônico da obra. Tecnicamente não há heróis em sua transposição, apenas personagens com menos ou mais carisma. Em sua trama acompanhamos Nick Taylor (Aaron Eckart), lobista e o porta-voz das grandes empresas do tabaco que ganha a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados Unidos. Constantemente alvejado pelos vigilantes da saúde, como o senador Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), Nick age com inteligência manipulando as informações dadas ao público em programas de TV. Mas quando passa a ter mais contato com seu filho Joey (Cameron Bright), alguns questionamentos incômodos de sua função começam a tirar sua serenidade, que antes via em seu trabalho apenas uma forma de pagar as contas e sobreviver.

Obrigado por Fumar” é inteligente na forma como expõe suas ideias. E, diga-se de passagem, que há uma quantia agradável de boas ideias nesse longa-metragem. Com algumas indicações a prêmios em festivais, Jason Reitman venceu na categoria de melhor roteiro no Independent Spirit Awards, mérito obtido de um espirituoso trabalho de transposição de sua base literária forte e consistente. Apoiado pelo desempenho formidável de Aaron Eckart como protagonista ao qual basicamente acompanhamos sua jornada de trabalho, com direito a algumas revelações interessantes e nuances estratégicas que geram passagens bem humoradas, temos de atuações extremamente funcionais por parte do restante do elenco (William H. Macy, Katie Holmes, Rob Lowe, Maria Bello, David Koechner e Cameron Bright), o trabalho desse conjunto de nomes acentua todo o trabalho de Reitman. Há uma quantidade significativa de acertos no desenvolvimento da história. O tom irônico e sarcástico do filme que gera inúmeras risadas, o ritmo ágil da apresentação dos acontecimentos, e o fato, de que não descamba para o sentimentalismo apelativo ou alertas desnecessários no tom de novidade para o ato de fumar, talvez sejam algumas das maiores sacadas de sua realização. “Obrigado por Fumar” é divertidíssimo da forma que ele é. A soma de um dos melhores desempenhos de Aaron Eckart e a direção segura e o roteiro sabido de Jason Reitman fazem dessa produção uma obra de articulação inteligente que gera boas risadas e um resultado difícil de causar decepção.

Nota:  8/10  
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crítica: Snatch – Porcos e Diamantes | Um Filme de Guy Ritchie (2000)


Melhor que sua estreia, o seu segundo longa-metragem se mostrou uma fantástica surpresa para os seus recém-adquiridos fãs. Enquanto “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” foi somente um atraente aperitivo lançado nos meados da década de 90 que veio para mostrar as possibilidades do seu potencial, “Snatch – Porcos e Diamantes” (Snatch, 2000), uma produção ambientada no submundo do crime que foi escrita e dirigida pelo cineasta britânico Guy Ritchie é em resumo um de seus melhores trabalhos autorais. Entusiasta do gênero de filmes de gângsteres, dono de um estilo ácido de fazer cinema, talentoso roteirista que sabe rechear seu trabalho com diálogos de grande profusão e criar uma variedade de personagens e subtramas complexamente conectadas sem soar forçado, Guy Ritchie conquistou seu espaço no cinema comercial de sucesso através dessa produção. Seguido de alguns outros trabalhos de pouca e nenhuma relevância, outros de resultado competente e filmes de encomenda de sucesso, “Snatch – Porcos e Diamantes” é até então sua realização mais empolgante. Descrever sua história não é uma das tarefas mais fáceis, já que a quantidade de tramas paralelas com direito as inúmeras reviravoltas que levam a um desfecho excepcional não segue uma narrativa simples de ser acompanhada pela montagem acelerada e o ritmo nervoso. Ambientado no submundo do boxe clandestino, alguns chefões do crime e pretensiosos ladrões acabam em maus lençóis por causa de um cachorro esfomeado, um diamante de 84 quilates extraviado, alguns gângsteres atrapalhados e um cigano pilantra que nos leva a um rumo inesperado.

Snatch – Porcos e Diamantes” é um conjunto de eventos e personagens surreais, habilidosamente amarrados pelo roteiro e perdidos pelo frenético desenvolvimento da história. Com uma edição acelerada, algumas cenas de violência performática e doses de humor que beiram a perfeição, Guy Ritchie não desperdiça um minuto sequer da duração desse longa com floreios desnecessários. Tudo tem funcionalidade e é devidamente explicado no seu tempo certo. E se a trama complexa dessa produção reivindica a completa atenção do espectador, que esse dedique o dobro para uma infinidade de interpretações fantásticas por parte de todo elenco. Atores como Jason Statham, o pretensioso gângster vitimado pelas circunstâncias de uma compra infeliz de um trailer de um acampamento de ciganos; Dennis Farina, o Primo Avi, vindo de Nova York para ajeitar a bagunça causada por seu imprudente empregado que não passava de um apostador inconsequente que perdeu um precioso diamante por causa de um desastroso assalto; Vinnie Jones, o mercenário contratado para recuperar o diamante perdido detentor de métodos nada ortodoxos; Rade Serbedzija, um ex-agente da KGB de pretensões gananciosas que não resultam de acordo como o planejado; entre outros mais que esbanjam talento e sintonia com a proposta desse filme. Porém, são de Brad Pitt as melhores passagens do enredo, os melhores diálogos e que arremata o mais interessante personagem do universo Ritchiano roubando totalmente a cena a cada aparição em tela. A trilha sonora de John Murphy e endossada pelo tino comercial de Ritchie são um show a parte do filme, com canções como “Lucky Star”, da Madonna (ex-esposa do cineasta) ou “Fuckin’ In The Bushes”, do Oasis num momento climático da trama.

Por fim, “Snatch – Porcos e Diamantes” é de uma esperteza e senso de humor bastante raro de seu tempo. Portanto, se em alguns momentos esse filme beira a completa insanidade, difícil de ser acompanhado com precisão, em outros se firma com contornos de brilhantismo inesperado que surpreende até os menos envolvidos com a filmografia de seu realizador. Se em filmes como “Revolver” ele deixou a desejar em vários aspectos, aqui ele esbanja potencial criativo e técnico deixando complexidades a parte não serem obstáculos para se entregar um grande filme de entretenimento.

Nota:  8,5/10
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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Crítica: Maggie – A Transformação | Um Filme de Henry Hobson (2015)


Um surto epidêmico de um perigoso vírus que transforma as pessoas infectadas em zumbis tem assolado o planeta. Mas medidas de contenção estão sendo tomadas pelas autoridades e após alguns dias a procura de sua jovem filha, Maggie (Abigail Breslin), o seu pai Wade (Arnold Schwarzenegger) a encontra numa ala de quarentena de um hospital que tem afastado do restante da população as possibilidades de infecção. Maggie está infectada.  Amigo de Wade, o doutor Vern Kaplan (Jodie Moore) a libera para ser levada para casa e passar seus últimos dias na companhia de sua família como um favor ao amigo. Isolados em sua casa, Wade, Maggie e sua madrasta Caroline (Joely Richardson), vem o prazo de seis meses dado para ela tem se esgotando e o doloroso final desse confinamento se aproximando do fim. “Maggie – A Transformação” (Maggie, 2015) é um drama pós-apocalíptico escrito por John Scott III e é a estreia da direção de Henry Hobson. Em sinopse esse filme já se mostra ligeiramente interessante, que busca conferir uma carga dramática a um filme desse subgênero idolatrado ao longo dos anos no cinema, mas quando nos é revelado o nome do astro Arnold Schwarzenegger nos créditos é quando as surpresas estouram. Geralmente associado a filmes de ação e blockbusters, Schwarzenegger sugere uma tentativa de se reinventar como ator dramático aos seus 67 anos e isso talvez seja o maior atrativo dessa produção que não chega ser um estudo de personagens sólido e atraente como era de sua pretensão.

Maggie – A Transformação” testa exponencialmente a paciência do espectador. De ritmo arrastado e carregado de situações reflexivas desgastantes, situações maçantes e diálogos de uma pobreza quase impossível de passar despercebida aos sentidos, as boas ideias da premissa se perdem pela falta de um roteiro cativante que compense outras falhas que já eram esperadas num desempenho dramático de Arnold Schwarzenegger. Seu esforço é louvável, mas o resultado também não é um dos melhores de sua carreira (particularmente acho que ele nasceu para interpretar o T-800). Abigail Breslin é outro talento mal aproveitado e irremediavelmente prejudicado pelo roteiro deficiente que permeia todo o desenvolvimento da trama. Embora tenha alguns enriquecimentos técnicos interessantes como a direção de fotografia de Lukas Ettlin que confere certos atrativos visuais ao trágico enredo, Henry Hobson não sabe exatamente explorar as vantagens que dispõe a seu favor. Filmado de forma convencional com um orçamento ordinário para os padrões de norte-americanos (cerca de 4 milhões de dólares) e sem a pretensão de imprimir um estilo, sua abordagem de nos aproximar de Maggie e despertar empatia sobre sua história com tão poucos vislumbres é extremamente falha, embora bem intencionada. Considerando que a infecção zumbi é dotada de certa originalidade ao ser confrontada com o contexto de ideias de “Maggie – A Transformação”, sendo que poderia muito bem ser qualquer doença fatal em sua fase terminal para materializar sua trama, há alguns aspectos interessantes nesse longa-metragem, mas que não chegam a salvá-lo dele mesmo.

Nota:  5,5/10
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terça-feira, 14 de julho de 2015

Crítica: Syriana – A Indústria do Petróleo | Um Filme de Stephen Gaghan (2005)


Syriana – A Indústria do Petróleo” (Syriana, 2005) é um suspense-dramático e político que foi escrito e dirigido por Stephen Gaghan (responsável pelo roteiro de “Traffic”, de 2000). Brevemente inspirado num livro escrito por Robert Baer, onde o material que foge a regra da academia (filmes baseados em livros geralmente integram a categoria de Melhor Roteiro Adaptado), curiosamente esse longa-metragem recebeu uma indicação de Melhor Roteiro Original no Oscar 2006 por sua derradeira originalidade. Ao retratar as consequências de uma rede de conspirações e corrupção embutida na indústria internacional de petróleo, a estreia como diretor de Stephen Gaghan se mostra audaciosa e distante de ser propaganda política. No entanto, o prêmio mesmo veio através do reconhecimento de George Clooney por seu desempenho no papel de agente da CIA desiludido que foi agraciado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Syriana (um termo norte-americana que faz referência a um Estado hipotético que abrange o território do Oriente Médio sem fronteiras definidas) teve um subtítulo nacional para aproximar o espectador de seu difícil enredo de fazer bilheteria. Mas por quê? Porque “Syriana – A Indústria do Petróleo” não é um drama primeiramente acessível a um grande público, principalmente o globalizado, ou pelo menos demostre querer ser. Com uma narrativa que ao combinar vários personagens sem conexão direta, vários aspectos dos bastidores da corrupção abordada, uma atmosfera densa que não busca fazer pausas e um desenvolvimento ágil que não insulta a inteligência do espectador sobre certas nuances do que ocorre no Oriente Médio, acaba mostrando a relevância de sua existência.

Syriana – A Indústria do Petróleo” tem vários ingredientes que o fazem ser uma obra complexa para uma compreensão imediata. E considerando a amplitude do que ocorre em tela, principalmente por seu contexto intrincado, uma dupla conferida não pode e nem deve ser encarada como um pecado capital (veja e reveja se for necessário). Com atuações adequadas por parte de todo o elenco de apoio (Matt Damon, Jeffrey Wright, Chris Cooper, Christopher Plummer e Amanda Peet), obviamente com destaque para George Clooney que já na época abandonava os personagens fáceis de galã, que também exerce a função de produtor, somos apresentados a uma boa gama de personagens criveis e bem entregues. Este filme se engrandece ao ilustrar o quanto possível que grandes empresas de negócios gananciosas acomunadas com representantes políticos corruptos são capazes de fazer a fim de gerar lucros sobre populações desfavorecidas do mundo. Stephen Gaghan recheia seu trabalho com inúmeros recados direcionados ao espectador, como a queda da fantasia de que alguns governos invadem territórios estrangeiros com a finalidade de solidificar a democracia pelo Oriente por razões humanitárias. A tarja de censura estampada no rosto de Clooney no cartaz de divulgação do filme é outro recado direcionado ao espectador. De mesmo tom alarmista e delator de ideias que foi adotado em “Traffic”, que abordava a perigosa rota do tráfico, Stephen Gaghan confere grande profundidade e poder ao seu trabalho em “Syriana – A Indústria do Petróleo”. Infelizmente poderia ter ganhado contornos mais acessíveis para estender seu alcance, mas que mesmo assim, isso não diminui sua relevância diante do panorama internacional que invariavelmente habita os noticiários. 

Nota:  8/10
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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Selfie


Esquadrão Suicida: Todo mundo junto e preparado para uma selfie. Essa San Diego Comic-Con só dá o que falar. Só faltou o Jared Leto, mas em compensação a Margot Robbie ... é toda elegância.

sábado, 11 de julho de 2015

Crítica: O Jogo da Imitação | Um Filme de Morten Tyldum (2014)


A Segunda Guerra Mundial possui muitas histórias fantásticas baseadas em personagens reais a espera de serem contadas no cinema. E muitas dessas histórias dramáticas ambientadas nesse período nem sempre serão marcadas de atos isolados de bravura, onde homens lançados aos campos de batalha sobrevivem esquivando-se de tiros e explosões como é do agrado da maioria dos espectadores de filmes do gênero. Muitas histórias não são apenas de um idealismo panfletário tocante ao espectador e acessível ao público feito para virar uma obra cinematográfica emocionalmente apelativa. São apenas histórias de pessoas que se dedicaram a um objetivo útil, que podiam fazer a diferença ao seu modo e acabar com os horrores que uma guerra proporciona para todos os envolvidos. “O Jogo da Imitação” (The Game Imitation, 2014) é um drama biográfico de Alan Turing, um notável matemático e brilhante decifrador de códigos que fez uma enorme diferença na guerra a favor dos aliados e deixou um legado para a posterioridade que serviu de base para conferir ao sujeito a honra de ser considerado como pai da computação. Sua história é real, como o efeito benéfico que sua trajetória foi transposta para o cinema pelo cineasta norueguês Morten Tyldum (responsável pelo excelente “Headhunters”, de 2011), com sua história baseada no livro de Andrew Hodges chamado Alan Turing: O Enigma, o longa-metragem é o resultado da adaptação inteligente de Graham Moore. Com 8 indicações ao Oscar 2015, o roteiro de Graham Moore recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado
   
O Jogo da Imitação” é convincente em sua totalidade e lindamente apaixonante em vários aspectos. Dividido em três períodos cruciais da vida de Alan Turing que foram distribuídos ao longo dos 114 minutos de duração, esse ajuste cinematográfico nos leva a sua adolescência (época na qual ele passa por uma fase de descoberta de suas inclinações sexuais), depois pelo período caótico da guerra e sua conturbada batalha para decifrar o código nazista chamado Enigma, como anos depois quando Turing, condenado pelas autoridades conservadoras inglesas por crime de indecência devido a sua homossexualidade, um detalhe que anulava odiosamente sua postura determinante que poupou milhares de vidas de um prolongamento desgastante dos conflitos. Alan Turing, brilhantemente interpretado por Benedict Cumberbatch já é um motivo que vale conferir esse longa-metragem (desempenho que atribuiu ao ator uma indicação ao Oscar de Melhor). As particularidades do personagem (sua postura antissocial, pretensiosa e ligeiramente arrogante) foram muito bem compostas e desempenhadas com consistência por parte Cumberbatch sem que soassem clichê, sobretudo apoiado pelo ademão de Keira Knightley, Rory Kinner e Mark Strong em atuações funcionais. De alguns poucos anos para cá, Benedict Cumberbatch tem se mostrado um dos atores mais requisitados e acertados do momento para papéis dramáticos de relevância. Dono de uma trilha sonora fabulosa e delicada (de responsabilidade de Alexandre Desplat), a sonoridade desse filme é hipnótica ao sentido.

O Jogo da Imitação” tem uma dinâmica madura, que resulta em uma cinebiografia equilibrada, acessível e profunda. Isso porque serpenteando com cuidado pelo seu desenvolvimento, o espectador é agraciado com passagens leves e bem-intencionadas que desencadeiam sorrisos alternados com momentos dramáticos de grande emoção, como por uma reconstituição de época precisa e uma necessária revisão dos conceitos humanos sobre a humanidade. Ocasionalmente comparado ao longa-metragem “Uma Mente Brilhante” estrelado por Russel Crowe, em virtude de alguns aspectos em volta da personalidade peculiar do personagem principal, o trabalho de Morten Tyldum é de uma beleza narrativa autossuficiente que resulta numa comoção generalizada.

Nota:  8/10 
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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Crítica: Maníaco | Um Filme de Franck Khalfoun (2012)


Frank (Elijah Wood) é um jovem proprietário de uma loja de manequins que foi herdada de seus pais. Um jovem introvertido e desinteressado com o mundo. Entretanto, se ao longo do dia ele trabalha incessantemente na loja de sua falecida mãe, restaurando manequins antigos, a noite ele passa a ocupar seu tempo perseguindo e matando lindas jovens, que com um afiado punhal retira os escalpos e os usa para decorar os manequins sem vida. Mas sua rotina de serial Killer é estranhamente afetada quando ele conhece Anna (Nora Arnezeder), uma bela jovem que se aproxima de Frank para coletar manequins que são usados para criação de obras de arte que representam retratos da humanidade. Decorrente desse contato, Frank passa a nutrir uma inédita atração por essa inesperada garota, um sentimento tão emocionante quanto matar, mas que também entra em conflito com seu desejo incontrolável de matar podendo transparecer para a bela, a aterrorizante fera que habita dentro dele. “Maníaco” (Maniac, 2012) é um longa-metragem de terror escrito por Alexandre Aja, Grégory Levasseur e CA Rosenberg, como também dirigido pelo cineasta francês Franck Khalfoun. Baseado num filme de 1980 de mesmo nome (filme estrelado por Joe Spinnel e dirigido por William Lusting), essa refilmagem realizada por Franck Khalfoun detêm alguns aspectos curiosos, sobretudo um em especial merecedor de um destaque todo especial: a forma como é filmado propriamente.


Maníaco” é um estudo repugnante e perturbador da natureza cruel de um serial Killer apresentado de uma forma ousada e interessante. Buscando um efeito de introspeção inédito ao espectador, toda a ação dos crimes cometidos por Frank como sua própria rotina é apresentada pelo olhar do assassino através de um método de filmagem que coloca o espectador na primeira pessoa (você que assiste ao filme, vê tudo, e como o assassino vê as coisas ao seu redor). É sabido que o gênero do terror sempre tem buscado novas formas de surpreender os espectadores, que cansados de sustos fáceis, carnificinas sanguinolentas e tramas batidas, não se contentam mais com produtos de resultados padronizados. E por isso, Franck Khalfoun talvez tenha obtido um efeito de grande potencial com sua proposta. Com um desenvolvimento bem trabalhado do personagem principal desempenhado por Elijah Wood, que apresenta sua história de vida e vários aspectos de sua mentalidade doentia, como uma abordagem curiosa sobre as suas vítimas (há uma que não desperta solidariedade alguma), essa refilmagem apresenta um roteiro sólido para os novos tempos. E as atuações não ficam por menos, sendo que Elijah Wood surpreende em sua interpretação que necessita de uma presença de tela diferenciada da convencional (são em gestos, vozes e movimentos de câmera que sua presença se faz valer); como Nora Arnezeder, atriz e cantora francesa que confere delicadeza e precisão em sua interpretação.

No final das contas, “Maníaco” é uma experiência cinematográfica interessante de se ver. Apesar de a história seguir um rumo desprovido de originalidade (o roteiro segue uma linha de incessantes assassinatos violentos pausados pela estranha relação de Elijah Wood e Nora Arnezeder que culmina num desfecho mais do que esperado), Franck Khalfoun entrega um produto bem desenvolvido e atraente aos fãs do gênero (o sexo e o sangue estão numa proporção bem medida e justificável a proposta). Mas se sua premissa não vier a soar atraente ao espectador, é certo dizer que sua materialização dotada de homenagens a filmes de terror slasher, entre outras qualidades se mostra inovadora, onde a atmosfera é bem criada e perpetuada por toda sua duração, o visual é atraente e os pequenos detalhes recebem uma atenção notável por parte dos envolvidos.

Nota:  7,5/10
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terça-feira, 7 de julho de 2015

Crítica: 300: A Ascenção do Império | Um Filme de Noam Murro (2014)


As forças invasoras persas não admitem derrotas. Após a morte de seu pai Darío, seu filho Xerxes (Rodrigo Santoro) transformado em um assustador Deus-Rei, ele inicia uma grandiosa jornada de vingança sobre a Grécia e seu povo. Enquanto Leônidas (Gerard Butler) em conjunto com os 300 espartanos defendiam a ofensiva persa no que foi a Batalha de Termópilas, um lendário massacre que embora tenha levado a morte centenas de bravos guerreiros espartanos, também inspirou muitos mais a lutarem pela liberdade ameaçada pelo avanço devastador dos exércitos persas. E na frente dessa missão está Temístocles (Sullivan Stapleton), um bravo guerreiro grego responsável pela frota naval grega a qual o destino o levou a medir forças com Artemísia (Eva Green), a implacável comandante da marinha persa que está decidida a obter o sucesso nessa batalha e conceder a vitória a seu Deus-Rei, aniquilando todos os gregos da história. “300: A Ascenção do Império” (300: Rise of an Empire, 2014) é uma produção de ação épica de guerra que dá sequência ao longa-metragem “300”, de 2006 dirigido por Zack Snyder e que tinha como base a série de quadrinhos cult de Frank Miller publicada em 1998. Seguindo a estética de seu antecessor, a atmosfera sombria e principalmente o visual de grande apuro e sanguinolência, Noam Murro (responsável pela comédia “Vivendo e Aprendendo) assume a difícil tarefa de dar segmento ao sucesso do primeiro filme realizado por Zack Snyder (que aqui assume o papel de produtor e divide a responsabilidade do roteiro com Kurt Johnstad e Michael B. Gordon). Entretanto, como esperado por fãs do longa original, tratava-se de uma tarefa quase impossível de ser atingida com o devido sucesso.


Poucas são sequências que precisam de tanta necessidade de uma revisitada atenta ao filme anterior quanto “300: A Ascenção do Império”. Portanto confira essa obra antes de se aventurar por sua sequência. Com uma ação que age até certa altura de forma paralela aos eventos que ocorreram na realização de Snyder, o trabalho de Noam Murro preserva algumas qualidades do primeiro filme, inclusive melhoradas, mas perde outros preciosos atributos pré-estabelecidos e necessários para fazer está produção tão memorável quanto foi o primeiro filme. De uma violência estilizada extremamente inflacionada (que resultou numa adoção de censura de 18 anos ao espectador), as águas dos mares ganham o tom avermelhado do sangue que jorra em sequências de ação coreografada e batalhas navais arrebatadoras. Embora o elenco prenda atenção do espectador com firmeza e com um toque pessoal bem presenciado por um duelo sexual entre Sullivan Stapleton e Eva Green, a ausência de um número grande de frases de efeito e a presença de um número maior de personagens relevantes se mostram um desgaste aos espectadores que esperam apenas os espetáculos visuais previsivelmente aguardados após a contemplação de trailers que enfatizavam esse atrativo. Obviamente que os caminhos narrativos estabelecidos por seu antecessor continuam intocados, como os exageros visuais de lógica improvável e algumas soluções místicas fantasiosas. Por fim, “300: A Ascenção do Império” não chega perto do efeito contundente de seu antecessor, mas ao mesmo tempo está longe de ser um produto que possa causar embaraço aos seus envolvidos. Dono de um faturamento três vezes maior do que foi seu orçamento, Noam Murro não se mostrou um diretor nada mal para um inexperiente realizador de filmes dessa escala e gênero. Sabendo conduzir com uma boa dose de habilidade complicadas sequências de ação, ainda conseguiu conferir alguma fluência ao contexto de conceitos que compõem essa obra focada em ideais nobres como coragem e liberdade.

Nota:  7/10  
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domingo, 5 de julho de 2015

Crítica: O Sombra | Um Filme de Russel Mulcahy (1994)


Distante do status que o subgênero de filmes baseados em personagens de quadrinhos tem na atualidade, com produções milionárias, com astros do cinema como protagonistas, grandes diretores em tramas de proporções fantásticas que rendem críticas e bilheterias mais do que positivas, como também tem agradado os mais variados públicos da sétima arte, “O Sombra” (The Shadow, 1994) surgiu nos meados da década de 90 em meio a um pequeno grupo de pioneiros nesse gênero (outro seria “O Fantasma”, de 1996; dirigido por Simon Wincer), onde todos tentavam pegar carona no sucesso do Homem-Morcego materializado por Tim Burton (inclusive The Shadow e Batman possuem vários aspectos em comum). Baseado em um personagem pouco conhecido das grandes franquias do momento e de um passado recente, O Sombra foi criado por Walter B. Gibson na década de 30, no qual sua transposição para o cinema teve a direção de Russel Mulcahy (responsável pelo “Highlander – O Guerreiro Imortal”, de 1987) e o roteiro de David Koepp. De orçamento modesto e cara de cinema B, esse personagem como o próprio longa-metragem é uma relíquia ligeiramente competente desse subgênero. Em sua trama acompanhamos o milionário Lamont Cranston (Alec Baldwin) nos anos 30. Visto como um ditador cruel em alguma região remota do Oriente, Lamont é convertido em um bondoso homem e retorna a cidade de Nova York onde aplica seus conhecimentos e poderes ocultos adquiridos em sua peregrinação em benefício da humanidade ao se transformar em um misterioso vigilante cujo único objetivo é levar justiça a todos os malfeitores da cidade.


Sempre encarei essa produção, “O Sombra” como um primo distante e pobre de Batman, pouco conhecido, mas ao mesmo tempo inspirador que surgiu precocemente num mercado que ainda tinha muito que aprender. Entretanto, ainda com todos os obstáculos a serem superados que vão dos desafios técnicos de uma criação fiel do personagem e seu ambiente, ao preconceito do espectador com um filme baseado em um personagem de uma revista em quadrinhos de algumas décadas atrás, esse filme consegue apresentar um nível agradável de entretenimento mesmo sem grandes recursos e desprovido de atrativos. Na verdade, ele até possui um charme todo particular: com uma reconstituição de época fascinante seja nos contornos ou nas cores, boas atuações com destaque para o veterano Alec Baldwin, efeitos visuais funcionais e um vilão e uma ameaça aterradora bem encaixada na trama e sensata ao enredo respeitando a época em que se passa, Russel Mulcahy entrega um filme até respeitável em comparação a outros desastres que compõe sua filmografia. O problema é que o personagem por si só não possui a força necessária para virar uma figura cult entre apreciadores de personagens em quadrinhos. Em resumo, “O Sombra” é um filme de aventura e fantasia até bem feito, mas que não tem o carisma necessário para ser memorável e angariar novos fãs para o material de origem. Mas se não é memorável, ainda assim trata-se de uma obra digna de louvor se comparado a alguns filmes mais contemporâneos providos de recursos e experiência de seus realizadores.

Nota:  7/10     
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sábado, 4 de julho de 2015

Crítica: O Destino de Júpiter | Um Filme de Andy e Lana Wachowski (2015)


Júpiter Jones (Mila Kunis) odeia sua vida. Pudera, já que trabalha incessantemente sem perspectivas de um futuro prospero. Mas ao mesmo tempo em que trabalha duro como faxineira pela cidade junto com sua mãe, ela não sabe do nobre destino que a aguarda. Inesperadamente abordada por um grupo de assassinos alienígenas prontos para acabar com sua vida, ela também é salva pelo heroico Caine Wise (Channing Tatum), um ex-soldado intergaláctico que a familiariza com as nuances de sua natureza real. Arrastada para um conflito familiar marcado por disputas de poder, a família Abrasax encontra na humanidade apenas uma costumeira fonte de recursos, e Júpiter pode ser a derradeira salvação de muitas espécies de um projetado genocídio voltado para estabelecer a longevidade de poucos. “O Destino de Júpiter” (Jupiter Ascending, 2015) é uma produção de ficção científica, fantasia e ação produzida, escrita e dirigida pelos irmãos Wachowski (responsáveis por filmes como a versão em live-action de “Speed Racer” de 2008 e o mais recente “Cloud Atlas – A Viagem” de 2013). Curiosamente essa mais recente incursão dos famosos realizadores na sci-fi causa um nível desagradável de estranheza. O universo épico construído pela visão impressionante de seus realizadores resulta num aventura de proporções gigantescas aos olhos, no entanto rasa de substancia e muito mal concebida perdendo a tão desejada afeição dos espectadores.

O Destino de Júpiter” é pura ostentação de recursos. Na verdade, Andy e Lana Wachowski, donos de um dos maiores sucessos do cinema lançado no final da década passada (“Matrix”, de 1999) sempre tiveram uma queda expressiva pelo o exagero, como também uma clara ambição pelo extraordinário que nem sempre esteve ao alcance de suas competências (embora “Speed Racer” fosse visualmente fantástico, naturalmente mostrou-se falho em outros aspectos).Cloud Atlas – A Viagemé uma incógnita, pois divide opiniões. Sendo assim, as expectativas de fãs desses realizadores se dissolvem diante dos equívocos dessa sua mais recente empreitada. Com um roteiro mal concebido e repleto de falhas gritantes que geram um desenvolvimento extremamente confuso, os irmãos Wachowski ainda demonstram não ter esquecido algumas sacadas de seu maior sucesso (a humanidade passou de uma fonte de energia em “Matrix” a uma maniqueísta fonte de juventude). O elenco principal está apagado (com nomes de peso como Mila Kunis, Channing Tatum e Eddie Redmayne) muito vitimado por essas falhas, sobra as inimagináveis sequências de ação marcadas de um caos difícil de ser acompanhado com os olhos. O espetáculo pirotécnico por vezes se mostra cansativo, quando não repetitivo (não foi nenhuma nem duas ou três vezes que Caine salva Júpiter em cima do laço em passagens frenéticas). Provavelmente concebido para virar franquia, seu fracasso de bilheteria diante do orçamento milionário sela o destino dessa hipótese. 

O Destino de Júpiter” é desconcertante, uma obra impossível de ser imaginada ter sido feita pelos responsáveis de uma das mais icônicas produções de ficção cientifica que ainda hoje serve de referência ao gênero. Ainda que “O Destino de Júpiter” demonstra ter a alma de seus realizadores em algumas passagens (poucas por sinal) essa produção carece de muitas outras coisas mais. Isso demonstra a urgente necessidade de voltarem a estudar novas maneiras de se contar histórias.

Nota:  5/10
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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Trinta Anos


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Crítica: A Gangue | Um Filme de Miroslav Slaboshpytskiy (2014)


Uma das sensações do Festival de Cannes 2014, “A Gangue” (The Tribe, 2014) é um drama ucraniano escrito e dirigido por Miroslav Slaboshpytskiy. De raros aspectos narrativos, essa obra se mostra uma obra visceral e polemica. Ganhador do Grande Prêmio da Semana de Crítica no Festival de Cannes, essa produção fez história nesse festival como poucas. Totalmente realizado na linguagem de sinais, obviamente condizente com o enredo, a estreia do cineasta é um autêntico produto contemporâneo que miscigena com habilidade competência e originalidade. Todo filmado com um elenco de atores surdos-mudos, toda comunicação que decorre por quase duas horas é totalmente realizada de forma gestual, embora a ausência de palavras não gere um empecilho significativo para sua compreensão. O diretor já havia feito antes um curta-metragem chamado “Surdez” em volta da temática. Mas as ações apresentadas nesse longa-metragem falam por si. Em sua trama acompanhamos Sergey (Grigoriy Fesenko), um garoto surdo-mudo que recém se estabelece nas dependências de um colégio interno especializado na educação de jovens com essas deficiências físicas. Logo após sua chegada ele é incorporado a uma gangue de estudantes cruéis que se dedicam a conduzir negócios focados em roubos e prostituição. Atividade essas que são curiosamente endossadas pela liderança de um professor da instituição. Rapidamente Sergey ganha a confiança dos membros da gangue, porém ele se apaixona por uma das garotas que servia como prostitutas. Essa paixão desencadeia uma necessidade de ganhos urgentes que o levará a tomar decisões nunca antes imaginadas por esse jovem calouro. 

Talvez seja desnecessário expor com prioridade que “A Gangue” não é para todos os públicos. Mas é imprescindível que seja proferido que se trata de uma produção digna de aplausos por seu brilhantismo e audácia. De estética nervosa pela forma com que opera a interação do elenco restringida a linguagem de sinais; chocante pela crueza de certas imagens que não se censuram pela necessidade de seu realizador de conferir realismo e uma profunda exploração das possibilidades de sua história; e de uma violência e sexualidade marcante para memória, o trabalho de Miroslav Slaboshpytskiy poderia facilmente ser rotulado como uma aparição forçada em um grande festival. Filmes como “Irreversível”, de Gaspar Noé em 2002 e “Anticristo”, de Lars Von Trier em 2009 ganharam fama por surgirem no mesmo festival de maneira apelativa. Mas no caso de “A Gangue” não, já que o filme se propõe a muito mais do que chocar o espectador. Ainda que os detalhes dos acontecimentos mostrados no decorrer do longa-metragem fujam aos olhos da maioria (pela ausência de diálogos e legendas), as ações falam por si e os fatos se esclarecem naturalmente. É necessário ter uma grande habilidade na condução de um desenvolvimento desses, e com a ajuda de um elenco formidável de jovens surdos-mudos tudo ocorre com o máximo de clareza necessária para uma boa compreensão das passagens. Não há obstáculos narrativos que não são possíveis serem ultrapassados com a devida paciência do espectador. Desde o princípio, “A Gangue” é uma proposta interessante que dispensa palavras e mostra atitude. Embora não seja categoricamente surpreendente (porque facilmente divide opiniões), o resultado tem a capacidade de surpreender espectadores que apreciam trabalhos cinematográficos com algum diferencial.

Nota:  8/10   
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