sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Crítica: Padre | Um Filme de Scott Charles Stewart (2011)



Geralmente eu fico com um pé atrás quando vejo esses filmes de pôsteres bem elaborados visualmente na frente da locadora sem a colocação do nome do protagonista em revelo acima do título, no entanto esse filme "Padre(Priest, 2011) estrelado por Paul Bettany que é baseado numa graphic novel do coreano Min-Woo Hyung superou as expectativas. Tenho reparado que os mangas tem rendido mais promessas do que resultados  bem sucedidos a altura das origens. Não chega a altura de obras cinematográficas como "30 Dias de Noite" que também tem suas raízes dos HQs, apesar de não se tratar de um mangá, cuja história parece que foi feita sob encomenda para virar filme de tão bem escrita. Isso eu digo por que o maior defeito de Padre seja o roteiro, apressado feito um clipe e raso feito um pires. O que me causa fascíno nessa arte do mangá é como conseguem criar historias interessantes quando mesclam uma infinidade de referências numa ficção tendo vários universos diferentes em um só roteiro: parece um filme de faroeste em futuro pós-apocalíptico regido por um regime religioso politico que parece um dejavú da história da humanidade se bem observado. Misturaram um confronto milenar de homens contra vampiros e criaram de forma inusitada um herói fascinante se comparado aos que vemos nas telonas ultimamente tutelados pela Marvel Comics.

Os problemas foram à infinidade de detalhes equivocados que passaram despercebidos pelos realizadores, além do roteiro superficial (Cory Goodman) o elenco de apoio – salvo Maggie Q, que estava à altura de Paul Bettany – o vilão (Karl Urban) estava apagado, com uma interpretação mal concebida e pouco ameaçadora, tem por fim um coadjuvante inexpressivo (Cam Gigandet) que só impressiona no quesito de humor com sua hilária inexperiência de caçar vampiros. Com um diretor pouco experiente (Scott Charles Stewart) julgo que o resultado foi positivo, e mesmo não sendo padre, o absolveria de seus pecados, contanto que ele se arrependesse deles.

Certamente que independente da qualidade do filme uma sequência vira muito em breve pelo final de Padre, pois material para isso os livros em que foi baseado o filme tem de sobra (16 livros ao todo). A história tem muito potencial e com os apuros visuais que já foram mostrados é promessa de virar uma série feita nos moldes de "Underworld", que sem muita pretensão decolou a carreira de muita gente envolvida no que era para ser apenas mais um filme de vampiros. Quem sabe Paul Bettany não acaba ganhando um pouco mais de popularidade e sobe de status no cinemão e passa a ser intitulado no próximo cartaz. Porque além de matar os vampiros com a destreza de um Rambo ele é o que salva o filme.  Basta agora esperar para ver e rezar para tudo dar certo em "Padre 2".

Nota: 6/10
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Crítica: O Dia em Que a Terra Parou | Um Filme de Scott Derrickson (2008)



Esse filme estrelado por Keanu Reeves é uma refilmagem de um clássico de 1951, que através da ficção cientifica, ostentava uma mensagem política forte que abordava o temor presente da bomba atômica e da guerra fria. Essa refilmagem chamada "O Dia em Que a Terra Parou(The Day the Earth Stood Still, 2008) direcionou seu foco num alerta para os seres humanos em relação com os cuidados com o planeta e sua sobrevivência. O filme começa com uma esfera que entra na orbita terrestre trazendo um mensageiro alienígena chamado Klaatu (Keanu Reeves) com um alerta, e passa a ser estudado por muitos, entre eles também pela cientista Dra. Helen Benson (Jennifer Connelly). A mensagem trazida do espaço: Klaatu tenta fazer um alerta para que a humanidade pare de destruir o planeta, e tenta negociar uma forma de que a mesma mude a forma como trata o globo, o que seria a única forma para o planeta terra sobreviver. No entanto, o alienígena ganha sinais de que é impossível dialogar com uma espécie que tem em seu instinto a agressividade, a violência e a ganância como prioridade. As consequências das atitudes tomadas pelos lideres da nação americana, estampam a perspectiva infeliz que a raça humana não perde por esperar.

A interpretação de Keanu Reeves como alienígena emissário do Armagedon, está excelente dentro das possibilidades. Uma interação homem/alienígena forte, com Keanu passa um ar de mistério através de uma expressão andrógena, sinistra, que mesmo sendo interrogado pelas autoridades militares americanas, o personagem amedrontador do interrogatório ainda fica a cargo dele, e que promove cautela dos humanos quando dialogam com ele. Jennifer Connely sempre elegante em tela parece ser a única interessada a atender ao pedido do alienígena, mesmo percebendo que todos expressem temor pelas retaliações alienígenas. E quanto à ameaça alienígena que aterrissou no Central Park de Nova York – um monstruoso robô gigante de grande poder bélico chamado Gort – desperta a atenção das pessoas a princípio, e depois pavor descontrolado quando se confirma o anúncio apocalíptico emitido por Klaatu caso suas exigências não fossem atendidas. Apesar das sofisticações dos efeitos visuais hoje disponíveis, o robô Gort mantem um design retro, com linhas semelhantes ao do clássico de 1951.
Com uma direção previsível, muito por se tratar de uma refilmagem, esse remake ainda consegue implantar conceitos diferentes do original com sabedoria. Os cuidados com o meio ambiente hoje tem a mesma importância que a temática politica e nuclear tinha na década de 50. E se o crédito deve ser dado alguém, que seja ao roteiro, mesmo direcionado com outro foco, conseguiu manter vários elementos do original preservados com ênfase. Por fim, "O Dia em Que a Terra Parou" é um trabalho elegante, que não tem nenhuma semelhança com outras invasões alienígenas criadas para ser um blockbuster. Apesar da diplomacia ter falhado, e uma eminente ameaça alienígena se confirmar, o vilão dessa história é interpretado sim, pela raça humana – nós mesmos – que em sua maioria insistimos na não preservação do meio ambiente e na sua sustentabilidade.   

Nota:  6,5/10     
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Crítica: O Procurado | Um Filme de Timur Bekmambetov (2008)


Depois de chamar a atenção de Hollywood com o filme “Guardiões da Noite – um filme de fantasia carregada de efeitos visuais e delírios que rondam o universo vampiresco – o russo Timur Bekmambetov alcançou um considerável sucesso pelo mundo, que consequentemente gerou uma curiosa sequência chamada “Guardiões do Dia”, erguida nos mesmos moldes do anterior. Como acontece com todo o bom cineasta estrangeiro, não demorou muito para ele ingressar na indústria cinematográfica americana para dar segmento ao seu sucesso.

Em O Procurado (Wanted, 2008), conta a história de uma organização secreta que se intitula “A Fraternidade” composta por matadores profissionais munidos de habilidades sobre-humanas a centenas de anos trabalham para manter o delicado equilíbrio da paz mundial. O jovem Wesley Gibson (James McAvoy) é um jovem existencialmente frustrado com sua vida, descobre ser filho de um assassino profissional do mesmo grupo. Assim esse jovem é recrutado por (Angelina Jolie) uma mulher sedutora e enigmática, amando de Sloan (Morgan Freeman) o líder dessa organização, com a intenção de matar um integrante rebelde que tem dizimado todos os integrantes dessa misteriosa organização de justiceiros. Porém aos poucos Wesley descobre que às verdadeiras razões pelas quais houve foi recrutamento não transparecem a verdade.

O ator James McAvoy traz uma interpretação interessante para um personagem que é o reflexo de uma geração angustiada em tempos modernos. Apesar da razão de sua angustia não ter nada com a realidade, expressa um sentimento comum, visto por sua rotina profissional desgastante e vida pessoal deteriorada. Saber que você, como indivíduo se encontra apenas na posição de mais um número dentro da sociedade, e não como um elemento necessário – como nos imaginamos – para bom funcionamento do mundo. E quando McAvoy já conformado com sua situação degradante é salvo pelo personagem de Angelina Jolie que revela sua verdadeira vocação no universo. Apesar de ser o terceiro nome de destaque na trama, o pouco que aparece já ofusca a importância de Morgan Freeman dentro da história, que mesmo improvável é divertidíssima. 
  
O filme equilibra bem a ação e o humor, numa história fantástica, onde a direção caprichada do russo abusa da câmera lenta – um pouco demais – criando sequências visuais muito criativas e ao mesmo tempo absurdas. Porque não houve outro cineasta que tenha conseguido inserir elementos incomuns como quando os personagens conseguem disparar armas onde as balas fazem curvas com tanta naturalidade. Uma perseguição de carro improvável, mas ainda assim emocionante, onde é destruído um Dodge Viper num desfecho com uma pitada de humor insinuante. 

Por fim, O Procurado não tem nada que evidencie inovação, ou que apresente algo novo visualmente ao espectador, até porque esse certamente não era o real objetivo do longa. Mas revela toda a envergadura de Timur em criar entretenimento de qualidade que transborda empolgação, como também transparece uma transição tranquila ao cinema americano que muitos outros diretores não tiveram a mesma facilidade para se adaptar. 

Nota: 7,5/10
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crítica: Jackie Brown | Um Filme de Quentin Tarantino (1997)



O cineasta autor e realizador de sucessos como “Pulp Fiction”, “Kill Bill”, e “Bastardos Inglórios”, o cultuado cineasta Quentin Tarantino, sempre costuma filmar seus próprios roteiros cujas histórias são frutos de sua imaginação. Porém certa vez afirmou que se tivesse que filmar uma história da autoria de outra pessoa, seria uma adaptação de algum romance escrito pelo romancista policial Elmore Leonard. E assim o fez na primeira oportunidade através da adaptação do romance Rum Punch. Suas histórias já foram transpostas para a telona por outros cineastas, que inclusive desencadearam alguns sucessos como O Nome do Jogo dirigido por Barry Sonnenfeld, que posteriormente gerou uma sequência menos carismática, e “Irresistível Paixão”, dirigido por Steven Soderberg, um pouco esquecida atualmente como um bom filme policial com senso de humor apurado. Agora, ainda que Jackie Brown (Jackie Brow, 1997), dirigido por Tarantino não tenha caído no gosto dos fãs como seus filmes anteriores, o resultado é marcado com seu charme e nuances, não deixando esse longa-metragem menos relevante dentro de sua filmografia.


Em Jackie Brown, a história acompanha de perto a personagem título interpretada por Pan Grier, uma comissária de bordo de uma pequena companhia aérea, que entra em uma enorme enrascada ao se envolver com um perigoso traficante chamado Ordell Robbie (Samuel L. Jackson). Para não ser presa, obriga-se a fazer um acordo com um policial (Michael Keaton) para entregar Ordell em um flagrante. Ainda na trama tem um pagador de fiança interpretado pelo desaparecido até então Robert Forster, um ex-detento interpretado por Robert De Niro, e uma garota deslocada e perdida no crime interpretada por outra sumida, Bridget Fonda.


Tarantino tem o hábito de ressuscitar astros que beiram a decadência, os aproveitando ao máximo através de seu talento. Quando John Travolta sofria desse mal, quase esquecido, estrelou “Pulp Fiction” o mandando de volta ao topo. Nesse filme, Tarantino recrutou uma veterana de filmes policiais da década de 70, Pan Grier, lhe concedendo o papel principal. Apesar de que todo o elenco está afinadíssimo na trama, naturais em suas interpretações e magistrais no conjunto, a produção usa bem as locações – todas reais – para fazer uma ambientação convincente no decorrer da ação. 


Com uma trama firme em um jogo de interesses, bem ao estilo policial ao qual o diretor teve como escola - onde ninguém pode confiar em ninguém - a direção Tarantinesca usa e abusa das possibilidades, deixando os personagens cambaleantes em meio a tanta mentira e contravenção, homenageando o gênero BlaxploitationPor fim Jackie Brown não chega a ser um “Pulp Fiction” da vida, mas também não deixa a desejar de forma alguma. Somente não tem o carisma que deveria, mas esbanja competência pelo resultado singular. Não tem a estética violenta de seus filmes anteriores que lhe concederam o status de cult, mas ainda tem o estilo tarantinesco magistral de todos seus filmes inserido na película, isso é inegável. 

Nota: 7/10
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domingo, 26 de agosto de 2012

Crítica: Encontro Explosivo | Um Filme de James Mangold (2010)



Simplesmente não há um crítico de se preze que irá dar algum crédito a esse longa intitulado "Encontro Explosivo(Knight and Day, 2010), uma versão despretensiosa da série “Missão Impossível” a qual o ator Tom Cruise também é o astro. Esse filme tem todas as características positivas e negativas do mesmo. Carregado de exageros visuais e um humor canastra, esse filme de ação/espionagem se encarado de forma descompromissada, pode muito bem agradar ao público. Portanto, como o encarei dessa forma, talvez seja por isso que ele me agradou. Concordo plenamente com o fato, de que Tom Cruise (como ocorreu com Eddie Murphy há muitos anos, quando tentou imitar através de “O Negociador” o sucesso de “Um Tira da Pesada” e foi apedrejado pelos mesmos fãs que o reverenciavam) deveria se afastar de projetos que fizessem alusão a personagens que o consagraram.  

A história não é nenhuma experiência transcendental, ou coisa parecida. Tem todos os elementos de um filme de espionagem, mas sem despertar aquela angustia de que se o mocinho não conseguir impedir os vilões, tudo estará perdido. Cameron Diaz faz o papel de June, uma garota que viaja pelo país atrás de peças usadas para reformar carros antigos, e numa viagem de avião, conhece Roy Miller, interpretado por Tom Cruise, um agente secreto que está sendo caçado pela mesma agência pela a qual trabalha. Existe vários indícios de ele ter traído seus compatriotas ao sequestrar um jovem cientista inventor de uma bateria portátil de carga infinita. June ao cruzar o caminho de Miller envolve-se em uma trama Hollywoodiana de explosões, tiroteios, negociações com criminosos, viagens internacionais e, obviamente, num romance com Roy Miller. 


Uma forma de o espectador apreciar esse filme, é justamente não o levando a sério, como ele próprio faz. Os exageros são constantes. As sequencias de ação são extremamente elaboradas, deixando aquela sensação de que tudo é muito fácil de ser feito. Mesmo sob fogo cerrado, Miller age de forma que tudo parece brincadeira de criança. Mesmo quando tudo dá errado, e bastante coisa dá, ele não esboça a menor preocupação com a situação. Sua naturalidade diante do perigo, depois de um tempo demonstra ser nesse longa, um enorme massageado de ego, desnecessário para sua filmografia. Ele já tem uma cota bem alta de personagens excêntricos e exóticos no currículo, como o guru sexual machista de Magnólia ou o produtor de cinema bem boca-suja de Trovão Tropical”. É inegável que Cruise tenha talento, porém depois de anos sem emplacar um sucesso expressivo, não será através de filmes desse gênero que ele revitalizará sua carreira.

Com uma edição curiosa, pois quando os personagens chegam ao extremo da ação, Roy sistematicamente dopava a personagem de Cameron – porque cuja histeria desenfreada fazia dela um estorvo – apagava devagarinho, se distanciando lentamente do caos junto com o espectador, e que em momentos depois despertava na calmaria de outro cenário que não tinha nada em comum com a ação deixada para trás. Entre muitos furos de roteiro, essas lacunas intencionais deixadas na transição, vistas como solução, concedem ao roteiro debilitado certo charme. E charmosa é sua trilha sonora, sensual e bem pontuada na pausa da ação. 

Dentre os maiores problemas dessa produção, a falta de um vilão a altura do protagonista, exibe de forma escancarada essa carência. Enquanto o herói dá um baile em todo mundo, seu antagonista não tira a expressão de surpresa da cara um segundo sequer. Apesar de que parece que todo mundo quer matar Roy e June nesse filme mesmo, tamanha a correria para se salvar depois de um tiro e uma explosão seguida da outra que dão voltas ao mundo. Claro, é filme de espionagem. Paisagens exóticas são mais do que necessárias para um bom filme de espionagem no estilo de 007, contudo nesse, ainda tentam fazer humor funcional o tempo todo, mesmo Roy Miller não sendo Johnny English

Por isso "Encontro Explosivo" têm sim seus defeitos, e muitos por sinal, porém está recheado de doces qualidades. É simpático, bem elaborado, usa e abusa do humor, e às vezes, inclusive é engraçado mesmo. Esse filme eu o encaro como se fosse chocolate: que até é gostoso, mais também é enjoa. Mas na falta de uma refeição mais nutritiva e bem feita, quebra o maior galho.


Nota: 7/10
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crítica: 300 | Um Filme de Zack Snyder (2006)


Uma mistura inteligente de "Gladiador" com "Sin Cty". Através de cenários digitais e muito exibicionismo de masculinidade, o diretor Zack Snyder transpõe para tela a graphic novel intitulada “Os 300 de Esparta, de autoria de Frank Miller, onde há uma mistura de épico fantasioso, com violência performática, apresentados com efeitos visuais modernos. Disponibiliza ricos valores históricos da cultura grega espartana, através de soluções visuais apenas vistas antes em “Sin City – Cidade do Pecado”. Em "300(300, 2006), a história transposta para tela acompanha os percalços do Exército espartano liderado pelo imponente rei Leônidas (Gerard Butler), que composto por apenas trezentos soldados, se incumbem da tarefa suicida de impedir o avanço devastador das forças conquistadoras persas lideradas pelo imperador Xerxes (Rodrigo Santoro), sobre o território grego. Com inteligência, Leônidas conduziu seus soldados para o Desfiladeiro de Termópilas, consciente que os estreitos penhascos que serviam de trajeto, invalidariam a superioridade numérica de oponentes persas durante a batalha. Durante dois dias de batalha, os soldados espartanos dizimaram o efetivo persa. Porém traídos por Ephialtes (Andrew Tierman), que guiou por uma trilha escondida soldados persas, até a retaguarda dos espartanos forçou o rei Leônidas a uma medida desesperada - não para ganhar essa batalha, mas para vencer uma eminente guerra.

O diretor Zack Snyder levou aos cinemas uma das maiores histórias de heroísmo da humanidade, que Hollywood nunca havia notado. Através de uma estética, liberta das limitações factuais, criou um épico expressivo visualmente, com todos os elementos necessários para fazer sucesso nas telonas, atingindo um público que os estúdios não conseguiam alcançar com competência. Suas ramificações que mesclam história grega com efeitos visuais apurados deixam “300” colado com épicos dos games como “God of War”, famoso jogo e objeto de cult de jovens, enquanto filmes como “Tróia” e “Alexandre” estão para mais para o clássico filme “Ben-Hur”.

O elenco de 300 estava submergido profundamente nas interpretações, onde inclusive a direção de Snyder consegue arrancar de Gerard Butler – no papel de rei soberano – uma de suas melhores atuações no papel de guerreiro honrado e brutal, que segue a risca as leis, mas que não mede esforços quando a segurança de seu povo é colocada em risco. Enquanto Santoro, até então um de seus melhores desempenhos em Hollywood, apresenta a composição de um imperador com devaneios de Divindade, assustador e visualmente presente. As alterações digitais de sua voz, que lhe davam uma posição andrógena, ressaltavam a imponência de seu papel como Divindade. Mas nenhuma atuação do elenco se equipara a narração em off detalhada e eloquente  de Dilios (David Wenham), que dava a ênfase dos acontecimentos e a magnitude das consequências que se desencadeavam. 

Se há decisões certas para conceber um sucesso, no caso desse longa, uma delas foi a aplicação dos efeitos visuais e a estética diferenciada adotada na produção. O abandono da narrativa convencional, aplicada ao gênero “sandálias e espada” foi vital para cativar um público que não se impressiona com tanta facilidade. Junte esse detalhe, com um roteiro enxuto, cheio de passagens espertas e frases de efeito, o resultado é brilhante. Além disso, a guarda de elite persa (Os Imortais) seguem as origens dos quadrinhos de Miller, porém quando as máscaras caem, vem à adição de faces horrendas como um incremento da fonte, dando mais estilo ao longa e deixando os personagens mais sinistros do que já eram anunciados pelos oponentes. Soluções visuais assim foram perpetradas em vários personagens do Exército persa, dando a Snyder à oportunidade de um retorno ao gênero ao qual o consagrou quando lançou um remake de “Madrugada dos Mortos”. 

Somente um diretor antenado e com estilo para dar vida ao trabalho de Frank Miller. Como Robert Rodriguez fez em Sin City – transpondo a graphic novel de Miller com fidelidade –, Zack Snyder deu perfeitamente segmento através de 300, reafirmando que até velhos tabus podem, e devem ser quebrados para se contar uma trama, mesmo tão antiga quanto à história grega. Deve-se ter coragem para arriscar mesmo quando tudo parece perdido. Porque mesmo em si tratando dos gregos, nem tudo é tragédia.

Nota: 8,5/10

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Crítica: Cidade dos Sonhos | Um Filme de David Lynch (2001)



Enquanto alguns cineastas, para não dizer quase todos, criam filmes direcionados para as massas, o diretor David Lynch desempenha um trabalho no extremo oposto desse objetivo. Quando cada vez mais cineastas procuram servir o público com o que ele deseja, Lynch está pouco se importando com a satisfação do espectador. Se houve ou não um perfeito entendimento de seu raciocínio, não importa, porque cinema é como a vida, que nem sempre tem explicação para acontecer. E o mais provável é que o tiro saia pela culatra com uma teorização tão arriscada assim, porém às vezes, de forma inusitada, sua capacidade de realização ainda consegue surpreender.

Nesse filme chamado Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001), apresenta uma trama esquisita, cheia de personagens que vem e vão sem explicação, mas que ao decorrer do tempo, quando comtemplados mais de longe, nota-se a razão de suas presenças dentro da película. No filme que acompanha duas mulheres: onde a primeira é Rita (Laura Harring), que perde a memória depois de um acidente de carro, e sai cambaleando pela rua que dá título ao filme, e encontra a segunda, Diane Selwyn (Naomi Watts, em uma interpretação maravilhosa), que faz o papel de uma aspirante a atriz em Los Angeles, que busca o tão sonhado estrelato. Juntas tentam juntar as peças desse quebra-cabeça que gira em volta da amnésia de Rita, e de uma pequena fortuna em dinheiro que ela carregava sem saber a origem.


O filme se apresenta de forma confusa, distante de um entendimento sincronizado, e uma realidade linear, que aborda através de sutis metáforas, questões como falsidade, troca de identidade, e sobre um dos maiores mistérios que rondam Los Angeles, que é a própria Hollywood. Os bastidores da indústria do cinema, apresentado com a perspectiva de Lynch, serve como pano de fundo para a trama protagonizada pelas duas mulheres. Lynch, de forma sutil, não perde a oportunidade de criticar todo aquele glamour do cinema, que apenas serve como uma fina cortina para camuflar um emaranhado de superficialidades do meio e o jogo de interesses mesquinhos que rondam nos bastidores do poder de grandes estúdios – que naturalmente ele também é vítima.  

    
Esse longa foi idealizado com a intenção de virar uma série de televisão, mas foi rejeitada pela rede ABC, e para não descartar por completo o material pronto – o equivalente a três capítulos – David Lynch incluiu mais 40 minutos de filmagens extras e remontou todo projeto, para entrar nos moldes de um longa-metragem. Uma tentativa de reciclar todo seu trabalho, ao qual ele desconhecia a razão da rejeição dele.

Cidade dos Sonhos é um trabalho de Lynch um pouco esquisito, com passagens poéticas, porém também um pouco inexplicáveis. É o resultado talvez da costura do passado (quando o material era televisivo) com o presente reciclado. Por mais que a direção aborde certas superficialidades do meio, sua obra apresenta um material totalmente desprovido do mesmo. E ainda que não agrade a maioria, uma coisa é certa: David Lynch não está nem aí para isso.

Crítica: Os Agentes do Destino | Um Filme de George Nolfi (2011)



O gênio indomável de Matt Damon deixa claro que seu futuro é ele que faz

Baseado em um dos contos do guru da ficção cientifica Philip K. Dick, que já teve vários de seus trabalhos transpostos para telona, como: "Blade Runner", "O Homem Duplo", "Minority Report", entre outros, é levado outra vez ao cinema através desse longa instigante, chamado "Os Agentes do Destino(The Adjustment Bureau, 2011), que apresenta uma expressiva lição sobre destino e livre arbítrio.

A história trata de um grupo misterioso de homens, munidos de poderes e artifícios capazes de influenciar e alterar o destino da humanidade de acordo com a necessidade voltada a um bem maior. Sob o olhar atento desses homens, o ambicioso político David Norris (Matt Damon), um candidato a Senador dos Estados Unidos é observado zelosamente por eles. Prestes a fazer um discurso para uma multidão de eleitores, ele acaba antes conhecendo uma dançarina de balé chamada Elise Sellas (Emily Blunt), onde ocorre uma química entre os personagens e uma inusitada paixão após um simples beijo. Essa mudança inesperada de acontecimentos, desperta um alerta entre os vigilantes, que não previam tal acontecimento, mobilizam-se com todas as forças para impedir a continuidade e o sucesso dessa paixão.


A trama apesar de flertar com a ficção cientifica, transpira romance. Começa ingênuo e despretensioso e atinge patamares de desespero por trás dessa história de contorno fantástico. A natureza desses homens que intermedeiam as decisões de alguém (ou algo) funcionam como um rico pano de fundo para um amor proibido. O elenco encabeçado por Damon e Emily, que cumprem o papel do par romântico de forma simples e natural. Damon usa bem seu carisma a favor de seu personagem, de forma magistral, enquanto Emily atende a promessa de ser uma das atrizes mais talentosas da nova geração. Terence Stamp compõe um vilão, por ofício, perfeito dentro do contexto sugerido pelo roteiro. Ele funciona como a espada ou o escudo na mão de uma força maior, que depois de muito tempo, acaba se tornando autônomo e consequentemente irrepreensível. Sem violência explicita, e apenas com palavras demonstra ser intimidador. Talvez o personagem mais envolvente dessa história.


A história é bem conduzida pelo diretor e roteirista George Nolfi, que estreia aqui depois de ter roteirizado vários suspenses bem sucedidos, como "O Ultimato Bourne", "Sentinela" e "Doze Homens e outro Segredo". As passagens presentes são bem executadas, alternando os momentos românticos que requerem cuidado com precisão, entre o suspense e a ação presente, aproveita bem o orçamento de 50 milhões disponibilizados pela Universal Pictures. O filme "Os Agentes do Destino" apresenta um romance provido de paixão, bem convincente, mesmo alternado com muitas correrias e perseguição – as perseguições mais estranhas e visualmente interessantes que se poderia imaginar. Com personagens entregues a emoção, e a seus papéis principalmente, mostram uma história de vitória do amor sobre a importância do destino, enfatizando que o futuro é construído todos os dias. 

Nota: 7,5/10