quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Crítica: O Preço do Amanhã | Um Filme de Andrew Niccol (2011)


Em futuro distópico o tempo é a moeda de troca vigente. A expectativa de vida é de 25 anos, mas pode ser prolongada de acordo com sua capacidade de gerar créditos. Assim o “tempo” passa a ser matéria de barganha, salário e recurso que permite que os ricos possam viver séculos ao mesmo tempo em que os pobres também podem morrer cedo. Enquanto os pobres numa espécie de contagem regressiva diária pela sobrevivência que lhe é visível aos olhos pelo curioso cronômetro luminoso que se encontra em constante funcionamento no braço que demonstra as suas poucas perspectivas de futuro, os ricos e afortunados observam suas chances de prolongar sua existência aumentarem. A vida termina quando o cronômetro zera. Se você possui condições de recarrega-lo, seu tempo se estende. Do contrário, suas chances de sobrevivência caem para zero a partir dos 25 anos. Se por um lado esse recurso torna o tempo de vida das pessoas ilimitado, ao mesmo tempo aos pobres ele pode condená-los a um precoce fim. O tempo de vida do ser humano é estabelecido por sua capacidade de recarregar os créditos que prolongaram sua existência. Sua capacidade de viver depende de sua capacidade de gerar renda. Essa é uma forma que as lideranças da civilização encontraram para evitar uma superpopulação e o esgotamento dos recursos disponíveis da sociedade após encontrar a cura do envelhecimento, mas que também acabou gerando uma batalha desleal pela sobrevivência. “O Preço do Amanhã” (In Time, 2011) é uma produção estadunidense de ficção científica que é dirigida pelo diretor/roteirista Andrew Niccol (responsável por filmes como “Gattaca – Experiencia Genetica”; “Senhor das Armas” e “A Hospedeira). Baseado no clássico “Fuga no Século 23”, de 1976, que foi transformado posteriormente em um seriado de televisão chamado “Logan’s Run” (1977-1978). Com uma roupagem mais moderna, elenco jovem e boas sacadas narrativas, Andrew Niccol entrega um filme de entretenimento bastante agradável.

O cineasta Andrew Niccol é um cara que trabalha focado no entretenimento. Basta uma rápida olhada em sua filmografia para ver isso. Em “O Preço do Amanhã” não é diferente. Mesmo que nem sempre isso seja uma característica admirada em alguns círculos de crítica, ainda assim é admirável sua inclinação natural para criar filmes comercialmente interessantes. O filme tem ritmo, algumas boas ideias que remetem a um punhado de referências cinematográficas e um elenco jovem que equilibra talento e carisma no mesmo cenário. Enquanto de um lado o espectador tem um elenco encabeçado pelo carismático Justin Timberlake (entrando de vez no mundo do cinema), do outro há a talentosa Amanda Seyfried fazendo um perfeito par romântico. A presença vilanesca de Cillian Murphy (pós-sucesso de “Batman Begins) é uma inusitada e agradável participação que não deixa nada desejar. O filme trabalha bem, como uma ficção científica, os elementos estéticos de sua aparência com as nuances de seu enredo. Com um roteiro dividido entre as peripécias do par romântico e as críticas sobre a colossal batalha contra o sistema discriminativo do sistema social, o tempo de tela é bem preenchido com boas sequências de ação. Mas uma das suas grandes falhas é sua falta de ambição. Embora a história pudesse ser trabalhada com um propósito mais ambicioso, o que até sugere em sua premissa, o filme descamba com um foco explícito para o despretensioso. Trata-se de um filme feito para um público jovem que admira astros em ascensão ou filmes de aventura diferentes. Ainda que o produto entregue se mostre infinitamente divertido se comparado a muitos filmes similares disponíveis no mercado, “O Preço do Amanhã” tinha potencial para mostrar muito mais. Em resumo: nem de longe chega a ser uma perda de tempo, mas também nasceu para cair no esquecimento.

Nota:  7/10
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domingo, 24 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: Parte 3

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: Parte 2

sábado, 2 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017: Parte 1

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Crítica: Caçadores de Obras-Primas | Um Filme de George Clooney (2014)


A Segunda Guerra Mundial oculta centenas de milhares de histórias fascinantes que esperam para serem contadas ao mundo. “Caçadores de Obras-Primas” (The Monument Men, 2014) é a materialização de uma dessas histórias que esperavam ansiosas para serem contadas. Trata-se de um drama de guerra dirigido e estrelado por George Clooney que baseado em fatos reais, o longa-metragem familiariza o espectador com o roubo de milhares de obras de arte realizado pelos nazistas com o intuito de seu ditador, Adolf Hitler fundar o maior museu de arte do mundo chamado The Führermuseum. Tendo como inspiração um livro de mesmo título escrito por Robert M. Edsel e Bret Witter, o roteiro é de responsabilidade de Clooney e seu habitual colaborador, Grant Heslov. Mas seu desenvolvimento naturalmente teve liberdades poéticas para enriquecer (engordar a trama e conferir certa dramaticidade a história) sobre o pouco conhecido interesse de Hitler por obras de arte e a importância dada a esse aspecto pelos nazistas durante essa sangrenta guerra que remete a uma mancha na história da humanidade. Em sua trama basicamente acompanhamos alguns soldados de habilidades bem particulares para um campo de batalha que foram escalados com a missão de preservar o que resta de icônicas obras de arte e monumentos históricos e resgatar o que foi roubado pelas tropas nazistas. Espalhados pela Europa na fase final da guerra, diante da inevitável derrota dos nazistas, esse grupo intitulado “The Monument Men” atravessam por difíceis situações e aventuras pelos destroços de uma Europa devastada para cumprir sua missão.

Caçadores de Obras-Primas” é um exemplar curioso de drama aventuresco de potencial teórico formidável que resulta em um longa-metragem mediano. Embora seja composto por um elenco grandioso de dar água-na-boca em qualquer cineasta (George Clooney, Matt Damon, Bill Murray, Cate Blanchett, John Goodman, Jean Dujardin, Hugh Bonneville e Bob Balaban); uma reconstituição de época de proporções também épicas rica em detalhes como poucos filmes recentemente conseguem erguer na película e uma premissa inédita ao gênero, essa produção desperdiça sua essência motivadora (essa essência declarada a partir de monólogos demasiadamente carregados de emoções artificiais por George Clooney) com um desenvolvimento convencional infeliz. “Caçadores de Obras-Primas” tem contornos de originalidade que se esboçam em sua estrutura narrativa, mas que resultam em sugestões que não se confirmam em sua totalidade. Desprovido de emoções fortes e verdadeiras, o trabalho de direção de Clooney falha em sua conexão emocional com o espectador. Embora declare em alto e bom tom o porquê da existência dessa produção, ela não convence de acordo com as expectativas que se anunciam em sua introdução. Oscilando entre uma proposta comercial (Clooney adota passagens humor que busca aproveitar o talento cômico de atores como Bill Murray e John Goodman) e um filme de pretensões para premiação, ao adotar uma trilha sonora magistral e uma direção de arte impecável.

Contudo, ainda que esse longa-metragem esteja repleto de qualidades, em sua maioria ligada aos aspectos técnicos, essa produção tem o seu valor. Clooney entrega seu filme mais fraco após uma grata ascensão que resultou em filmes como “Os Homens que Encaravam Cabras” de 2009 e “Tudo pelo Poder” de 2011. "Caçadores de Obras-Primas" se mostra um filme até interessante, embora esse valor esteja mais agregado ao fato desse aspecto pouco conhecido da história ser revelado numa produção cinematográfica oriunda de Hollywood, do que propriamente por sua realização.

Nota:  6/10
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domingo, 1 de outubro de 2017

Crítica: Golpe de Moedas | Um Filme de Emily Hagins (2017)


Quando a escola passa por graves dificuldades financeiras devido a uma ação de corrupção, que coloca sua existência em risco, um pequeno grupo de estudantes tenta arrecadar o dinheiro necessário para ajudar a sua escola executando um perigoso plano criminoso de invadir a Casa da Moeda dos Estados Unidos e fabricar intencionalmente uma moeda defeituosa que poderia ser vendida para colecionadores de raridades. Entre as dificuldades de por o difícil plano em ação, o grupo ainda tem que lidar com as típicas convenções de um baile da escola no qual estão envolvidos e as suspeitas de um intrometido professor de artes que suspeita das ações ilegais desse inusitado grupo. “Golpe de Moedas” (Coin Heist, 2017) é um filme estadunidense original da Netflix que foi escrito e dirigido por Emily Hagins. Baseado em um romance escrito por Elisa Ludwing focado em um público juvenil, sua adaptação cinematográfica preserva veemente esse foco. Protagonizado por Sasha Pieterse, Alex Saxon, Alexis G. Zall, Jay Walker, Connor Ratliff e Michael C. Creighton. Feito por jovens para jovens, Emily Hagins entrega um filme com corpo e alma de filmes de televisão, mas com um nível de qualidade um pouco abaixo dos demais filmes lançados pela produtora Netflix.

Longe de ser um filme capaz de concorrer a prêmios e muito menos de ganhar, ainda assim “Golpe de Moedas” é um filme de certa forma interessante. Seu maior problema é sua falta de pretensão de ser mais do que é realmente. A história original da qual se baseia é desperdiçada por situações comuns e soluções fáceis que não conseguem prender a atenção com a devida eficiência. Embora o elenco seja funcional, ele também carece de força e de um grande nome o encabeçando. Além do mais, o roteiro tropeço de Emily Hagins peca demais prejudicando o elenco. O conjunto de situações que se mesclam ao objetivo do roubo é um emaranhado de clichês batidos de filmes dos gêneros em que toca (filmes adolescentes e filmes de roubo) que não causam nenhum fascínio a quem costuma apreciar filmes assim. Além do mais, as situações onde o filme almeja alcançar momentos de tensão nunca acontecem realmente com um nível de eficiência válido. Por isso, entre trancos e barrancos e um desfecho supostamente feliz, “Golpe de Moedas” atende a sua proposta, mas não se destaca se comparado a inúmeros outros filmes. Por fim, o resultado rende um passatempo descompromissado com longevidade, que possivelmente vai agradar o público em diferentes níveis.

Nota:  5,5/10
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