domingo, 9 de julho de 2017

Crítica: Fome de Poder | Um Filme de John Lee Hancock (2016)


Em 1954, Ray Kroc (Michael Keaton) é um falido vendedor de máquinas de fazer milk-shake que em suas andanças pelo país conhece os irmãos, Ric (Nick Offerman) e Maurice (John Carrol Lynch), proprietários de uma pequena lanchonete em San Bernardino, na Califórnia que funcionava a pleno vapor através de um sistema de produção e venda revolucionário de hambúrgueres. Os lanches produzidos nesse estabelecimento eram preparados em cerca de 30 segundos, com sabor e forma padronizada, embrulhados em papel e que dispensava o uso de garçonetes, além de serem muito baratos. Fascinado com o sucesso dos irmãos, Ray Kroc os convence de firmar uma sociedade onde ele seria um representante comercial da marca. Em 1955, Kroc começa a vender licenças para franquiar em uma expansão da rede de estabelecimentos. Porém a ambição de Kroc cresce mediante o empreendimento e rapidamente não hesita em passar por cima de seus sócios fundadores para conquistar a marca McDonald´s para si e transforma-la em um dos mais promissores negócios de restaurantes do mundo. “Fome de Poder” (The Founder, 2016) é uma produção dramática biográfica escrita por Robert Siegel e dirigida por John Lee Hancock. Esse drama biográfico retrata em tons escuros a ascensão histórica do McDonald´s e consequentemente os pilares do que se conhece hoje como o Fast Food.

O drama biográfico “Fome de Poder” pinta de um modo pouco honrado a conquista do sonho americano. É a retratação da possibilidade real de que as pessoas com “persistência” nada é impossível. Ray Kroc tem isso como regra de vida. Entretanto, nas entrelinhas dessa mesma palavra inspiradora de motivação, essa iniciativa concede aos olhos do protagonista o direito para o necessário uso de ações gananciosas e antiéticas para se encontrar o ambicionado sucesso onde os fins justificam os meios. É certo que o enredo desse longa-metragem somente acompanha os fatos da história dos primeiros anos do empreendimento, mas o brilho dado ao filme é resultado das performances inspiradas. Michael Keaton não surpreende, após uma estupenda retomada na carreira a partir de 2014, onde tem se envolvido em vários projetos de grande excelência, que consiga materializar com tanto esmero um personagem como Ray Kroc. Habilidoso em compor personagens de caráter indefinido, seu desempenho se contrasta brilhantemente com a honestidade e humildade dos dois irmãos interpretados por Nick Offerman e John Carrol Lynch. De vítima do capitalismo ao papel de carrasco, Michael Keaton brilha no papel de Roy Kroc. Com uma excelente escolha de elenco, “Fome de Poder” oferece uma visão fria que esboça de forma funcional a evolução da relação dos três personagens que construíram um dos mais representativos emblemas do capitalismo.

Impossibilitado de se alcançar ao sucesso de “Rede Social” (2010) ou “O Lobo de Wall Street” (2013) pela ausência de uma condução autoral e pelo burocrático roteiro que funciona como um desagradável freio para a criatividade, “Fome de Poder” ainda assim reserva algumas surpresas interessantes. A sua transparência, a forma como não se censura em mostrar as malévolas regras do jogo que levaram o empreendimento ao auge. E principalmente, os responsáveis desse fenômeno e a rede de desafetos deixada para trás por seus envolvidos. Por isso, “Fome de Poder” tem uma expressiva combinação de informações sobre a ascensão do McDonald´s no mundo corporativo, que aliado ao fornecimento da dose certa de dramaturgia, consegue manter com facilidade o interesse do espectador. Um ótimo drama biográfico que deve ser conferido.

Nota:  7,5/10
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2 comentários:

  1. O roteiro detalha com competência os bastidores do crescimento do McDonalds. A história é capitalismo puro, para o bem e para o mal.

    Como você bem citou, mas uma ótima interpretação de Michael Keaton.

    Abraço

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    1. A atuação de Michael Keaton é a melhor coisa desse filme. Depois de "Birdman" parece que Hollywood redescobriu o ator. Bom para nós!

      Abraço

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