quinta-feira, 13 de julho de 2017

Crítica: Castelo de Areia | Um Filme de Fernando Coimbra (2017)


No início da Guerra do Golfo, em 2003, o inexperiente soldado Matt Ocre (Nicholas Hoult) é enviado a uma missão nos arredores de uma cidade iraquiana junto com seu pelotão a fim de consertar uma estação de abastecimento de água que foi destruída por bombas norte-americanas. Um desastre que deixou os habitantes da região sem abastecimento. Entretanto a missão que se presumia ser preocupante acaba se mostrando muito mais complicada de ser realizada pelo fato de que, em meio a um clima de ressentimento, discórdia e perigo que impera sobre as tropas americanas, conquistar os necessários corações dos cidadãos iraquianos acabou se tornando uma tarefa mais difícil e perigosa quanto se esperava. Porém, ainda que Matt nunca tenha se mostrado interessado em fazer a diferença nessa guerra, ele passa acreditar gradualmente na missão de consertar o sistema de água para os habitantes, mas aos poucos percebe que essa sua missão é mais absurda do que essa guerra. “Castelo de Areia” (Sand Castle, 2017) é um drama de guerra produzido pela Netflix, o qual é escrito pelo veterano de guerra Chris Roessner com base em suas memórias de quando atuou no Triângulo Sumita na Guerra do Iraque. O filme é dirigido pelo brasileiro Fernando Coimbra (responsável pelo drama “O Lobo Atrás da Porta”, de 2013). Após sua experiência na direção de dois capítulos do seriado “Narcos”, Coimbra foi convidado a dirigir o primeiro longa-metragem original da produtora que é comandado por um brasileiro.

Castelo de Areia” é mais pretensão do que resultado. Desprovido de ações heroicas memoráveis, espetáculos pirotécnicos, sanguinolência indigesta, ou ações militares de requinte estratégico típico de filmes americanos; o enredo desse filme se mostra mais interessado em deixar alguns pensamentos no ar antes da subida dos créditos finais. Porque ao acompanhar os percalços do protagonista, o soldado Matt Ocre interpretado pelo ator Nicholas Hoult em sua tentativa de ganhar uma dispensa médica permanente da guerra, nós logo percebemos que não se trata de um filme cuja pretensão é criar heróis. Ao contrário de alguns membros de sua tropa, ele odeia o fato de estar envolvido nessa guerra. A proposta desse filme é mais voltada em mostrar a rotina desses soldados em meio a uma atmosfera de pouca glória. O cineasta Fernando Coimbra chegou a comparar a situação das tropas no Iraque com o que ocorre muitas vezes nos morros cariocas com a Polícia Pacificadora. O medo e a hostilidade andam de mãos dadas em sua proposta. O objetivo desse filme não é retratar grandes batalhas em uma complexa guerra, mas mostrar os inevitáveis efeitos nocivos que todos os envolvidos são submetidos. Porém, o que poderia ser um grande trabalho cinematográfico de  um aprofundamento psicológico original, no fim apenas se resume a algo mau preparado, incompleto e que desperdiça as boas intenções que sugere ter.

Castelo de Areia” não chega a ser um filme ruim, mas também não conquista um lugar ao sol de outras produções que retratam o mesmo conflito (“Soldado Anônimo”, de 2005 e “Guerra ao Terror”, de 2009) com mais maturidade e desenvoltura. Seu problema é justamente o de não se definir, ao expor um material que instiga reflexões e ao mesmo tempo as responde através de seus silêncios de forma vazia. O roteiro também não explora bem outros personagens de aparente destaque como Henry Cavill, Logan Marshall-Green e Glen Powell. Enfim, interessante de ser conferido e desnecessário de ser estudado. Serve para passar o tempo.

Nota:  6/10
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2 comentários:

  1. É mais um que está na minha lista para conferir.

    Abraço

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    1. Assista sim, principalmente se você já tiver assistido ao filme "O Lobo Atrás da Porta", também de Fernando Coimbra. A série só conheço a reputação, mas os episodios que Coimbra dirigiu devem ser muito bons para Netflix ter dado a oportunidade a ele de dirigir seu primeiro longa-metragem estrangeiro.

      abraço

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