quarta-feira, 28 de junho de 2017

Crítica: A História Verdadeira | Um Filme de Rupert Goold (2015)


Michael Finkel (Jonah Hill) é um renomado jornalista do New York Times que devido a um desvio de conduta quanto a certos fatos em sua mais recente matéria de capa, foi sumariamente demitido de seu emprego manchando sua intocada reputação. Perdido no processo de planejamento de sua retomada profissional após a demissão que manchou sua história profissional, ele é surpreendido com um inesperado telefonema do FBI afirmando terem sob sua custódia um perigoso foragido da justiça chamado Christian Longo (James Franco), que acusado de matar sua esposa e três filhos, foi capturado se passando por sua pessoa num país estrangeiro. Ele se apresentava as pessoas como sendo jornalista e que se chamava Michael Finkel. Curioso, Michael Finkel faz contato com o estranho foragido da justiça para obter alguns esclarecimentos, e vê nesse contato uma oportunidade para descobrir a verdadeira história de Christian Longo, como a de retomar sua perturbada vida profissional. “A História Verdadeira” (True Story, 2015) é um suspense dramático escrito por David Kajganich e Rupert Goold e dirigido também por Rupert Goold. Baseado nas memórias do jornalista Michael Finkel, o diretor entrega um mistério repleto de reviravoltas pontuais, ótimas atuações por parte do elenco principal e um desfecho que foge da convencional ficção cinematográfica.

Em “A História Verdadeira” prevalece a verdade, nua e crua. Embora sugira em seu desenvolvimento preliminar ser um típico produto ficcional em sua forma e ritmo, sobretudo na primeira metade da trama, trata-se claramente de uma história desprovida de muitas liberdades poéticas ou manipulações narrativas elaboradas por uma montagem esperta. Rupert Goold apresenta um produto cruel, amargo e doloroso de se imaginar como um fato. E o roteiro trabalha essa ideia do começo ao fim, quando ao manipular as expectativas do espectador que presume estar sendo conduzido a uma grande reviravolta final, é apresentado a algo diferente e menos comercial. Algo legítimo em minha opinião. Muitas das críticas negativas que foram direcionadas a esse filme tinham como base esse aspecto marcante dessa produção: uma falta de sintonia com o formato cinematográfico. O que poucos viram como qualidade, muitos adotaram como defeito. Se tanto Jonah Hill quanto James Franco já provaram suas capacidades de interpretação no passado, essa produção na qual trabalham juntos só veio para reforçar o talento de ambos. James Franco elabora um personagem de aparência simplória e essência complexa, que gera uma química impressionante com o talento de Jonah Hill. A relação de cumplicidade que se forma entre os dois, elaborada em extensos diálogos ocorridos nas dependências da prisão enquanto o processo de defesa de Christian avança e que ocasionam posteriormente variadas situações, são tão assustadoras quanto reveladoras quanto o rumo que essa história levará o espectador.

A História Verdadeira” é provavelmente um suspense tão mal interpretado quanto subestimado pelo público. Uma justa consequência de sua audácia. Embora o espectador faça suas apostas com base na experiência adquirida de muitos suspenses vistos anteriormente, de nada é válida para solucionar a verdadeira história em volta do crime hediondo que dizimou uma família e assombra a intrincada figura de Christian Longo no banco dos réus. Um filme diferente, que facilmente pode decepcioná-lo caso o espectador não compre a ideia da mutação das fórmulas do cinema. Destaque para a passagem onde Jill Baker (Felicity Jones), a esposa de Michael Finkel confronta Christian Longo na prisão enquanto ele aguarda o julgamento. A conversa que ela dita com Christian Longo é de arrepiar.   

Nota:  8/10 
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6 comentários:

  1. O ponto principal é a absurda história ser verdadeira. O filme tem alguns bons momentos.

    Acredito que o tenha causado parte das críticas ruins seja a dificuldade das pessoas verem Jonah Hill e James Franco juntos em um filme sério. Por mais que Franco tenha trabalhado em filmes de vários gêneros, sua presença ao lado de Jonah Hill faz pensar em comédia.

    Abraço

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    1. Embora eu já tenha visto ambos os atores em comédias também, particularmente gosto mais de James Franco no gênero dramático. Quanto a Jonah Hill, penso que o futuro ainda pode reservar algo memorável para ele, já que sua participação em "O Lobo de Wall Street" não dá para levar a sério e "O Homem Que Mudou o Jogo", o destaque ficou com outros atores.

      Ambos são ótimos atores e que ainda possuem muito tempo pela frente para mostrarem mais de seu potencial. Mas é inegável que tanto um quanto o outro se deram muito bem mesmo é no gênero da comédia.

      Esperamos que independente do gênero dos quais serão seus próximos trabalhos, eles tenham a boa qualidade de seus melhores.

      abraço

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  2. Não entendi como o personagem de James Franco conversa com a Felicity Jones se ele é acusado de mata-la.

    Gosto de histórias possiveis.
    Essa é.

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    1. James Franco é acusado de matar a sua própria esposa e seus três filhos. Aqui eu menciono: "Destaque para a passagem onde Jill Baker (Felicity Jones), a esposa de Michael Finkel confronta Christian Longo na prisão enquanto ele aguarda o julgamento."

      James Franco é confrontado em uma visita pela a esposa de Jonah Hill, que embora não tivessem o mesmo sobrenome (?) estavam juntos desde a primeira aparição na tela.

      Talvez a ausência do mesmo sobrenome, seja em virtude de preservar os fatos como ocorreram, já que trata-se de um filme baseado em fatos reais.

      Dúvidas estamos aí!

      bjus

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  3. Achei um filmaço, história real bem louca mesmo. Hill e Franco estão ótimos em cena!

    http://21thcenturycinema.blogspot.com/

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    1. Também acho Cleber. A dupla se superou, embora James Franco tenha se destacado, obviamente mais pelas variadas nuances de seu personagem do que propriamente por seu desempenho. Christian Longo é um personagem difícil de materializar por seu caráter duvidoso.

      abraço

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