domingo, 4 de junho de 2017

Crítica: A Garota no Trem | Um Filme de Tate Taylor (2016)


Rachel Watson (Emily Blunt) é uma mulher divorciada com sérios problemas com álcool. Quando diariamente passa de trem enfrente a sua casa recorda da vida que um dia teve, quando casada com Tom Watson (Justin Theroux) ocasionava alguns fiascos públicos e consequentes apagões dessas lembranças. Tom agora está casado com Anna Boyd (Rebecca Fergunson) com quem teve uma linda filha. Mas por alguma razão, Rachel tem voltado sua atenção tanto para a sua antiga casa, como também uma das casas um pouco mais a frente, onde moram Megan (Haley Bennet) e seu marido, Scott (Luke Evans). E quando ocorre o estranho desaparecimento de Megan, algumas pistas levam a detetive Riley (Allison Janney) a acreditar no envolvimento dela nesse caso. “A Garota no Trem” (The Girl on the Train, 2016) é um suspense dramático adaptado para o cinema por Erin Cressida Wilson e dirigido por Tate Taylor. Baseado no romance homônimo de Paula Hawkins, a narrativa conta com as diferentes perspectivas de três mulheres (a ex-esposa, Rachel Watson; a atual esposa, Anna Watson e a babá, Megan Hipwell, que também é uma moradora das proximidades da casa que um dia foi o lar de Rachel) para esmiuçar vários temas diferentes como conflitos conjugais, alcoolismo, maternidade, traição e assassinato. Com uma trama bem amarrada, atuações envolventes e uma grande excelência de execução por parte da direção, essa produção se mostra um filme de qualidades raras que resgata um tipo de cinema de pouca frequência na atualidade. Um tipo que demonstra competência ao que se propõe, mesmo que não tenha interesse em revolucionar.

Em meio a toda complexidade do desenvolvimento que rodeia “A Garota no Trem”, há uma ideia muito simples em prática. Saber amarrar, distorcer e não revelar os fatos antes do tempo certo. Mas o espectador precisa ser alimentado com a dose certa de informações para isso funcionar com precisão. E isso “A Garota no Trem” faz com nível de excelência soberbo, que obviamente amparado também por atuações expressivas e pela direção segura de Tate Taylor, o desenvolvimento da trama prende a atenção do espectador. Sobretudo, trata-se de um filme realizado na sala de montagem, que mescla as diferentes perspectivas de uma forma bastante eficiente e que conduz o espectador a uma revelação chocante. Os fatos não somente são bem amarrados, como ganham distorções visuais justificadas pela condição instável da personagem de Emily Blunt. Sua atuação de bêbada crônica e divorciada arrependida é primordial para o sucesso desse longa-metragem. Ela materializa na película todas as nuances possíveis de sua personagem de forma crível e brilhante. Atores e atrizes como Justin Theroux (vilão em “As Panteras Detonando), Lisa Kudrow (eternizada na série “Friends”) e Rebecca Ferguson são outras escolhas acertadas do elenco que entregam desempenhos agradáveis ao conjunto da obra.

Há vários outros filmes de suspense de essência semelhante a este que foram industrialmente permeados no passado. Entretanto, “A Garota no Trem” não segue apenas com rigor a fórmula narrativa de controle de expectativas da audiência, mas confere excelência ao produto. A regra de nada é o que parece ser é elevada, quando a certa altura da trama o espectador vislumbra a queda da cortina de aparências que esconde os segredos dos personagens.  O que demonstra que até a mais batida das fórmulas hollywoodianas pode resultar em algo bastante agradável desde que seja realizado com boa combinação de elementos e muita habilidade. 

Nota:  7/10
_________________________________________________________________________

2 comentários: