sexta-feira, 30 de junho de 2017

Cartaz Alternativo: Ponte dos Espiões by Edgar Ascensão

São poucos os artistas realmente em atividade capazes de conferir tamanha beleza e originalidade a criação de cartazes alternativos como Edgar Ascensão

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Crítica: Maze Runner: Prova de Fogo | Um Filme de Wes Ball (2015)


Baseado no segundo livro da série escrita por James Dashner, “Maze Runner: Prova de Fogo” (Maze Runner: The Scorch Trials, 2015) é uma produção estadunidense de ação e mistério juvenil que se passa em mundo pós-apocalíptico e que é a sequência de “Maze Runner: Correr ou Morrer”, de 2014; que também foi dirigida por Wes Ball. O slogan que alavancava o marketing desse longa-metragem dizendo: “O labirinto era apenas o começo”; não era nenhum exagero. O universo de Maze Runner cresceu enormemente em seu segundo episódio, onde surgiram muitos outros personagens diferentes e os desafios tanto se multiplicaram como se tornaram ainda mais perigosos. Após alguns poucos jovens escaparem dos perigos do labirinto da aventura “Maze Runner: Correr ou Morrer”, Thomas (Dylan O`Brien) e os garotos que o acompanharam em sua fuga da Clareira precisam lidar com uma realidade muito mais perigosa do que os limites do labirinto. Agora temos uma difícil travessia desértica, uma fuga alucinada de um assustador ataque zumbi e um confronto com rebeldes com suas cabeças a prêmio numa guerra tão repleta de armadilhas quanto cheia de segredos a espera de algumas revelações.

Maze Runner: Prova de Fogo” continua correndo com pressa. Mesmo com todos os obstáculos do labirinto deixados para trás, com direito a uma breve sensação de alívio aos sobreviventes, Dylan O’Brien continua liderando uma fuga sem descansos; seja por causa da misteriosa organização que os colocou na Clareira, ou devido a um prematuro contato com os zumbis que infestam a superfície do mundo. Essa sequência tenta imprimir na tela, através de movimentadas sequências de ação frenética e correrias desenfreadas por ambientes inóspitos de uma realidade pós-apocalíptica, se lançar como uma incessante produção de ação que mescla vários gêneros diferentes (ação, aventura, terror e mistério) sem se destacar em nenhum deles de modo válido. A aparência enxuta de seu antecessor nunca pareceu tão superior depois de acompanhar o ambiente caótico que marca esse segundo episódio da franquia. Há uma soma excessiva de elementos narrativos que pouco confere ao conjunto, como uma ampliação do enredo que não sobressaiu o resultado do filme anterior. Se alguns mistérios do enredo ainda continuam presentes na mente do público, dessa vez Wes Ball deu uma canseira não somente nos personagens que estavam o tempo todo correndo, mas nos espectadores que esperavam algo no mínimo a altura de seu antecessor.

Agregando alguns novos personagens ao enredo dessa segunda fase da série, pouco de positivo é notado. Atuações desinteressantes e mal aproveitadas, suas presenças são apenas justificadas pela honra do material fonte que é combinado a uma odisséia de videogame. Por isso, “Maze Runner: Prova de Fogo” até pareça ter tudo para agradar aqueles que se interessaram pela franquia depois de conferir o resultado do primeiro filme, mas sua continuação é completamente diferente e joga o material de forma diferente. Muito mais elétrica e caótica do que se poderia tolerar. Embora eu não esteja familiarizado com as qualidades literárias da série, e tenha apreciado demais o primeiro episódio, essa continuação se mostrou para mim um pouco decepcionante. Que venha a continuação...

Nota:  5/10
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Crítica: A História Verdadeira | Um Filme de Rupert Goold (2015)


Michael Finkel (Jonah Hill) é um renomado jornalista do New York Times que devido a um desvio de conduta quanto a certos fatos em sua mais recente matéria de capa, foi sumariamente demitido de seu emprego manchando sua intocada reputação. Perdido no processo de planejamento de sua retomada profissional após a demissão que manchou sua história profissional, ele é surpreendido com um inesperado telefonema do FBI afirmando terem sob sua custódia um perigoso foragido da justiça chamado Christian Longo (James Franco), que acusado de matar sua esposa e três filhos, foi capturado se passando por sua pessoa num país estrangeiro. Ele se apresentava as pessoas como sendo jornalista e que se chamava Michael Finkel. Curioso, Michael Finkel faz contato com o estranho foragido da justiça para obter alguns esclarecimentos, e vê nesse contato uma oportunidade para descobrir a verdadeira história de Christian Longo, como a de retomar sua perturbada vida profissional. “A História Verdadeira” (True Story, 2015) é um suspense dramático escrito por David Kajganich e Rupert Goold e dirigido também por Rupert Goold. Baseado nas memórias do jornalista Michael Finkel, o diretor entrega um mistério repleto de reviravoltas pontuais, ótimas atuações por parte do elenco principal e um desfecho que foge da convencional ficção cinematográfica.

Em “A História Verdadeira” prevalece a verdade, nua e crua. Embora sugira em seu desenvolvimento preliminar ser um típico produto ficcional em sua forma e ritmo, sobretudo na primeira metade da trama, trata-se claramente de uma história desprovida de muitas liberdades poéticas ou manipulações narrativas elaboradas por uma montagem esperta. Rupert Goold apresenta um produto cruel, amargo e doloroso de se imaginar como um fato. E o roteiro trabalha essa ideia do começo ao fim, quando ao manipular as expectativas do espectador que presume estar sendo conduzido a uma grande reviravolta final, é apresentado a algo diferente e menos comercial. Algo legítimo em minha opinião. Muitas das críticas negativas que foram direcionadas a esse filme tinham como base esse aspecto marcante dessa produção: uma falta de sintonia com o formato cinematográfico. O que poucos viram como qualidade, muitos adotaram como defeito. Se tanto Jonah Hill quanto James Franco já provaram suas capacidades de interpretação no passado, essa produção na qual trabalham juntos só veio para reforçar o talento de ambos. James Franco elabora um personagem de aparência simplória e essência complexa, que gera uma química impressionante com o talento de Jonah Hill. A relação de cumplicidade que se forma entre os dois, elaborada em extensos diálogos ocorridos nas dependências da prisão enquanto o processo de defesa de Christian avança e que ocasionam posteriormente variadas situações, são tão assustadoras quanto reveladoras quanto o rumo que essa história levará o espectador.

A História Verdadeira” é provavelmente um suspense tão mal interpretado quanto subestimado pelo público. Uma justa consequência de sua audácia. Embora o espectador faça suas apostas com base na experiência adquirida de muitos suspenses vistos anteriormente, de nada é válida para solucionar a verdadeira história em volta do crime hediondo que dizimou uma família e assombra a intrincada figura de Christian Longo no banco dos réus. Um filme diferente, que facilmente pode decepcioná-lo caso o espectador não compre a ideia da mutação das fórmulas do cinema. Destaque para a passagem onde Jill Baker (Felicity Jones), a esposa de Michael Finkel confronta Christian Longo na prisão enquanto ele aguarda o julgamento. A conversa que ela dita com Christian Longo é de arrepiar.   

Nota:  8/10 
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terça-feira, 27 de junho de 2017

Crítica: Sr. Turner | Um Filme de Mike Leigh (2014)


Baseado nos últimos 25 anos de vida do famoso pintor britânico Joseph William Turner (1775-1851), um dos precursores do impressionismo, “Sr. Turner” (Mr. Turner, 2014) é um drama biográfico escrito e dirigido pelo inglês Mike Leigh (responsável por filmes como “Segredos e Mentiras”, de 1996, “Vera Drake”, de 2004, “Outro Ano”, de 2010, entre muitos outros mais). Filme premiado no Festival de Cannes, onde Timothy Spall recebeu por seu desempenho o prêmio de Melhor Ator em Cannes, esse longa-metragem também recebeu várias indicações ao Oscar (Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Designer de Produção e Melhor Figurino) na cerimônia 2015. A história retratada por Mike Leigh manteve-se brilhantemente focado na retratação dos pontos mais memoráveis da história de Joseph William Turner, como também na reconstituição do ambiente da aristocrática Inglaterra do século XIX. O cineasta cuidadosamente criou um filme biográfico bastante valoroso, que acompanha o trabalho soberbo do artista, mas que apesar de muito admirado, também geravam opiniões controversas na Academia de Artes, como o seu processo criativo e seu fascínio por paisagens arriscadas, às vezes muito difíceis de ser capturadas por seu olhar. Acima de tudo, Mike Leigh aborda a personalidade difícil de Turner, de homem temperamental, de poucas palavras e muitos grunhidos, que consequentemente refletiram negativamente em suas relações familiares, amorosas e sociais.

Sr. Turner” é um longa-metragem muito bonito de se ver, onde as indicações aos prêmios do Oscar são mais do que justas e suas derrotas quase que contraditórias se não fosse os seus difíceis concorrentes. Os cuidados conferidos a película são de um raro esmero, que inclusive renderam ao diretor de fotografia Dick Pope um prêmio especial dos jurados no Festival de Cannes por seu trabalho. Mas a beleza de “Sr. Turner” não é tão restrita a sua aparência, mas se encontra no conjunto de elementos e nos vários aspectos que foram retratados. Timothy Spall, ator que representa a figura histórica do artista é um dos grandes acertos dessa produção. Normalmente é lhe atribuído personagens secundários em outros filmes, porém aqui ele desempenha o papel principal com uma sólida competência que somente um ator experiente como ele seria capaz de desempenhar. Obviamente ajudado por elenco de apoio igualmente competente (Dorothy Atkinson, Marion Bailey, Lesley Manville, Ruth Sheen, James Norton, Robert Ashton-Griffiths) em harmonia com a atmosfera do período histórico que se passa os acontecimentos. Um pouco mais longo do que a maioria dos dramas que estão sendo realizados (150 minutos de duração), ainda assim “Sr. Turner” está bem recheado de muitas qualidades. Indicado para admiradores da arte e de bons filmes biográficos.

Nota:  7,5/10
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Crítica: Passageiros | Um Filme de Mortem Tyldum (2016)


A tranquila viagem da nave espacial Avalon, uma nave totalmente automatizada que transporta milhares de pessoas para um planeta a ser colonizado colide com alguns asteroides no caminho, ninguém que viaja sob a condição de sono profundo sonha com os perigos que estão prestes a serem desencadeados com esse acidente. O que a principio não deveria ser nada, acaba ocasionando alguns problemas de funcionalidade da nave, como o mau funcionamento da câmara de hibernação de Jim Preston (Chris Pratt), um engenheiro mecânico que irá trabalhar nesse planeta a ser colonizado. Despertado do sono noventa anos antes de sua chegada ao destino do planeta, Jim se vê oprimido pelo tempo e a solidão. Mas quando  Aurora Dunn (Jennifer Lawrence) uma solitária escritora que pretende apenas passar alguns anos nesse planeta e depois retornar ao planeta de origem se desperta por razões diferentes, todos os planos dados como certo mudam na vida desses dois passageiros. “Passageiros” (Passengers, 2016) é uma produção de ficção científica escrita por Jon Spaihts e dirigida pelo norueguês Morten Tyldum (responsável por filmes como “Headhunters”, de 2011 e “Jogo da Imitação”, de 2014).

Passageiros” é um produto criado na medida certa para agradar a todos os públicos. Basicamente como uma produção de sci-fi, de contornos sofisticadíssimos e acabamento visual impecável. É impossível não se agradar com as dependências da nave Avalon que mais se assemelham a um hotel de luxo com recintos tirados de uma Enterprise da vida. Depois temos o romance encabeçado pela dupla, o carismático Chris Pratt e a lindíssima Jennifer Lawrence, que para todos os efeitos, se tornaram os mais novos queridinhos de Hollywood após enfileirarem alguns sucessos de bilheteria e crítica. E por fim, uma aventura intergaláctica, com direito as cenas de ação recheadas de efeitos visuais e tensão bastante singular para o produto oferecido. Em suma, trata-se de um deleite para o grande público. Porém, há um aspecto bastante perturbador no enredo que somente um grande diretor como Morten Tyldum poderia equalizar. O contato de Jim Preston em relação à Aurora Dunn é marcado de uma série de adjetivos negativos que ganharam contornos adocicados e bastante romanceados como justificativa. É curioso como o enredo trabalha com todas as forças para justificar a atitude de Jim, ao mesmo tempo em que o despertar da figura do tripulante Gus Mancuso interpretado por Laurence Fishburne funciona como um guia do consumidor dentro da história.

Por isso toda a sofisticação visual de “Passageiros”, o elenco bonitinho, a história que envereda por caminhos mais cômodos que tenta imprimir uma mensagem feliz e otimista em seu desfecho, também esconde uma obra de estudo para gerações futuras. Há alguns excessos camuflados pelo verniz de Hollywood que preocupam. O aspecto perturbador que mencionei está lá, esboçado numa espécie de metáfora muito utilizada pelo cinema de sci-fi para retratar assuntos presentes na sociedade contemporânea, mas materializada em um produto de entretenimento tão comercial em sua forma e aparência que acabou convenientemente se banalizando. Pelo jeito, desvirtuar os direitos e obrigações do ser humano não é um crime que está com os dias contados.

Nota:  5/10
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domingo, 25 de junho de 2017

Cinema e Música: Dolph Lundgren Vs Image Dragons - Believer

sábado, 24 de junho de 2017

Crítica: A Viatura | Um Filme Jon Watts (2015)


Quando dois garotos de dez anos, Travis (James Freedson-Jackson) e Harrison (Hays Wellford) encontram uma viatura da polícia abandonada em um campo, com chave de ignição, armas e alguns segredos hediondos, as chances de tudo dar errado são grandes. Uma situação dessas só faz com que crianças passem a agir como crianças, o que pode ocasionar para o relapso policial alguns inesperados desastres nunca antes cogitados. Mas a alegria desse achado desaparece quando, o responsável pela viatura, o xerife Kretzer (Kevin Bacon) começa a procurar pelo carro roubado numa caçada pelas rodovias. Os garotos não sabem, mas se metem numa encrenca que pode até custar suas vidas. “A Viatura” (Cop Car, 2015) é uma produção de suspense estadunidense escrita por Christopher Ford e Jon Watts, cujo segundo roteirista também assume a cadeira da direção desse longa-metragem que estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2015 e foi lançado comercialmente em agosto do mesmo ano pela distribuidora Focus World. De trama simplista, fotografia bem feita e atmosfera bem construída, o diretor Jon Watts tenta criar um filme envolvente, que se pode até afirmar ter se superado dado pelo pouco material que marca o desenvolvimento do enredo.

Se há um atrativo legítimo em “A Viatura”, esse atrativo se encontra nas atuações de James Freedson-Jacskon e Hays Wellford. Os dois garotos que tomaram para si a viatura policial que Kevin Bacon havia estacionado destrancada no meio de lugar nenhum, enquanto ele agia as margens da lei. Os dois simplesmente são as melhores coisas nesse filme. Pois se comportam e materializam de forma magistral os aspectos comportamentais de crianças diante de uma situação tão inesperada quanto inexplicável. Temos nesses garotos as emoções e as atitudes típicas de crianças em um nostálgico processo de descoberta, que curiosas e irresponsáveis, não medem os riscos e muito menos temem pelas consequências a ponto de se censurarem de cometer algumas estripulias. Se Kevin Bacon é o grande nome do elenco, que cumpre o seu papel de acordo como esperado, ao mesmo tempo o filme se mostra da dupla de atores mirins. Simplesmente o filme é deles. Assim sendo, “A Viatura” é um filme interessante de ser acompanhado pelas atuações dos dois jovens, indicado para os fãs de Kevin Bacon que já se acostumaram a vê-lo interpretar vilões e para quem acompanha a evolução dos filmes da Marvel,. Isso porque Jon Watts é o diretor do mais recente produto a ser lançado pela produtora Marvel, a aventura heroica “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”.

Nota:  6/10
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Crítica: Máquina de Guerra | Um Filme de David Michôd (2017)


Quando o renomado e dedicado general Glen McMahon (Brad Pitt) e sua equipe de fieis soldados são enviados ao Afeganistão para limpar a bagunça deixada pelos Estados Unidos após oito anos demonstrando ineficiência na “Guerra ao Terror”, um fio esperança surge quando Glen, com toda sua experiência e foco no objetivo ao qual foi incumbido encontra uma forma de almejar o sucesso nessa tarefa onde os outros somente falharam. Entretanto, dentre todos os presumidos obstáculos conhecidos que essa guerra poderia reservar a qualquer um que desejasse obter um reconhecido sucesso, Glen será alvejado por um inimigo tão absurdo e perigoso quanto o mais temido dos terroristas. “Máquina de Guerra” (War Machine, 2017) é uma comédia dramática estadunidense escrita e dirigida por David Michôd. Baseada no livro de Michael Hastings, a trama dessa produção é ligeiramente inspirada na história real do general Stanley McChrystal, retratado no artigo “Runaway General”, que Michael Hastings escreveu para a revista Rolling Stone e que levou a renúncia do McChrystal. Em tom de sátira, o diretor australiano David Michôd (responsável pelos filmes “The Rover: A Caçada”, de 2014 e “Reino Animal”, de 2010) explana várias hipocrisias presentes sobre o envolvimento dos Estados Unidos na surreal ocupação do Afeganistão.

Máquina de Guerra” não é nada mais e nada a menos do que uma autocrítica dividida em dois atos. Seu pontapé inicial se apresenta ao espectador de forma mais cômica e humorada, quase engraçada, enquanto seu segmento se mostra mais dramático e reflexivo, embora ambas as partes possam ser, e são bastante irônicas e sarcásticas. Sua narrativa que é narrada em off pelo jornalista Sean Cullen (Scoot McNairy) retrata a obstinação do general Glen McMahon (Brad Pitt) em obter êxito onde seus antecessores não conseguiram. Uma tarefa tão difícil quanto menosprezada pelo alto comando dos Estados Unidos. O roteiro de David Michôd trabalha bem esse aspecto, com humor e muito jogo de cintura ao articular inúmeras críticas no mesmo produto. Na verdade, David Michôd tem material demais para filme de menos. É impossível materializar tanto material crítico positivo de modo significativo, o que consequentemente causa uma sensação de banalização dos acontecimentos. A cada passagem aparecia algo novo a ser estudado pelo espectador, mas de forma alguma desenvolvido com prontidão. Passagens como o aparente desinteresse do Governo em contribuir com o fim dessa ocupação de modo correto; a imparcialidade do envolvimento do governo Afegão e de suas tropas na eliminação dos insurgentes; a confusa condição na qual os soldados americanos se encontram; o jogo de aparências que rola nos bastidores do poder; o espetáculo midiático que essa guerra ganhou ao mundo; são alguns dos temas interessantes abordados entre muitas outras críticas permeadas ao longo dessa produção.

Embora Brad Pitt possa conferir uma atuação caricata do veterano de guerra americano, ainda assim se mostra divertida e dramática quando necessária. Sua figura é bem aproveitada de todas as maneiras e se destaca com facilidade entre outros bons nomes de elenco e desempenhos acima da média. Só que a mudança de tom, da comédia competente para o drama existencial pode ser seu ponto fraco, pois essa alteração de clima não evolui com a devida naturalidade, demonstrando uma desagradável indecisão ou uma inaceitável incompetência aos olhos de muitos espectadores. Mas ainda assim, “Máquina de Guerra” deixa as suas mensagens, várias indagações válidas e algum material para ser discutido no futuro. Ainda que irregular, garante uma boa dose de entretenimento e fortalece algumas convicções óbvias sobre o envolvimento das tropas americanas em terras estrangeiras.

Nota:  7/10
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Crítica: Lugares Escuros | Um Filme de Gilles Paquet-Brenner (2015)


Libby Day (Charlize Theron) tinha apenas oito anos de idade quando numa noite apavorante sua família foi brutalmente assassinada. Esse massacre ocorreu em uma cidade rural do Kansas e ganhou notoriedade na época (a justiça chegou a um veredito de que um culto satânico, ao qual seu irmão interpretado por Tye Sheridan era membro, foram os responsáveis pelos assassinatos e o irmão de Libby foi condenado no tribunal). Como também esse crime se manteve vivo na memória de muitos durante anos, pois Libby viveu durante muitos anos de doações de pessoas que se comoveram com sua tragédia. Quase trinta anos depois, Libby passando por dificuldades financeiras, acaba mediante um pagamento aceitando rever os detalhes do crime sob a pressão de um estranho clube, onde seus membros investigam crimes famosos que demonstram não ter todas as possibilidades exploradas. “Lugares Escuros” (Dark Places, 2015) é um thriller de suspense escrito e dirigido por Gilles Paquet-Brenner. Baseado no romance de mesmo nome escrito por Gillian Flynn, suas peculiares histórias caíram no gosto de Hollywood, que decidiu dar continuidade ao sucesso da escritora nas telonas. Depois do reconhecimento dado a “Garota Exemplar”, em 2014 (uma imbatível realização cinematográfica de David Fincher, que também tem como base a obra literária de Gillian Flynn); o diretor e roteirista Gilles Paquet-Brenner se mostra bastante competente em transpor essa segunda obra de Flynn para o cinema, contanto que o espectador releve o fato dessa produção não deter a mesma excelência do trabalho de David Fincher.

Lugares Escuros” tem tudo em seu lugar. Uma trama instigante de personagens variados que atravessam o tempo, uma atmosfera de suspense bem criada e atuações bastante válidas por parte de todo o elenco (destaque para Nicholas Hoult e Christina Hendrics). Embora Charlize Theron não tenha sido a primeira escolha de protagonista para essa produção (Amy Adams estava cotada para o papel principal, mas devido a problemas de agenda foi substituída), a atriz carrega a responsabilidade do personagem de modo brilhante. Seu desempenho nos arremessa com precisão ao seu passado e nos desperta para seu presente em constantes movimentos temporais bem elaborados. O diretor Gilles Paquet-Brenner demonstra ter feito o dever de casa no que diz respeito de saber utilizar toda estrutura narrativa da produção em beneficio do enredo, que amarra os acontecimentos sobre a famigerada noite e a presente investigação ao máximo para instigar o interesse do espectador. Entre inúmeros flashbacks e a manipulação de imagens a serviço do conjunto, o roteiro trabalha as hipóteses, as possibilidades e desvirtua as certezas em volta da autoria do crime que condenou o irmão de Libby a penitenciária. Seu problema é que as revelações vêm numa onda devastadora, que arrebata o espectador em um desfecho quase que repentino e que causa uma sensação de pressa desnecessária. A necessidade de não deixar pontas soltas é prejudicada pela costura relâmpago que pode tontear um espectador menos atento a todos os aspectos abordados nos inúmeros flashbacks.

Sobretudo, “Lugares Escuros” é uma trama de mistério e suspense que funciona comercialmente como poucas (muito se deve ao talento dos nomes do elenco que estão envolvidos nessa produção); como também demonstra ter sido transposta das páginas do livro para o formato cinematográfico com uma bem nivelada competência. Contanto que o espectador controle suas expectativas e não espere ver como resultado uma obra a altura de “Garota Exemplar” (notem a associação estampada no cartaz que está em relevo) só porque foi vendida como tal.

Nota:  7/10
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terça-feira, 20 de junho de 2017

Crítica: Campo de Jogo | Um Documentário de Eryk Rocha (2014)


A paixão pelo futebol, principalmente a que reside no coração do brasileiro é capaz de elevar, obviamente no imaginário de cada um dos competidores e de sua torcida, o mais despretensioso dos torneios a um patamar bem mais elevado do que muitas vezes se mostra realmente. Porque o futebol, para o brasileiro não é apenas um esporte, mas uma paixão crônica, inexplicável e digna de ser eternizada seja por sua história ou pelas suas possibilidades. O futebol se mescla a uma série anseios e expectativas, exigindo não somente do corpo, mas da alma do praticante e do torcedor. O espirito de competividade que muitas adormecido no brasileiro, se inflama de uma forma como em nenhuma outra circunstância e o desejo da vitória a todo custo transcende a ação e o tempo. O futebol para o brasileiro é marcado de poesia, certezas inabaláveis e confrontos épicos repleto de particularidades. E acompanhar os preparativos do campeonato de futebol das favelas, onde Geração e Juventude disputam a final representando as comunidades Matriz e Central no documentário “Campo de Jogo” (2014), dirigido pelo brasileiro Eryk Rocha (filho do cineasta Glauber Rocha), talvez seja um estudo valoroso da materialização de todo esse amor carregado de particularidades por esse esporte conhecido mundialmente. Esse inspirado retrato de poesia visual sobre o espaço e tempo dedicado ao futebol por jovens da periferia é de um resultado bastante promissor ao mesclar seus dramas pessoais ao campo.

Campo de Jogo” não é feito com o propósito de agradar espectadores que estão habituados a ver o futebol no televisor. Eryk Rocha materializa algo muito mais sensorial, estético e marcado de poesia. A retratação dos preparativos do ambiente que ocorre anterior ao jogo, uma acompanhada nos semblantes tensos dos competidores ao mesmo tempo em que retrata o estresse da torcida, discursos motivacionais proferidos por técnicos amadores, a delicada posição de vulnerabilidade do árbitro, são todos aspectos conferidos e brilhantemente articulados pela câmera de Rocha, que abusa de close up e de slow motion enquanto é acompanhada por uma trilha sonora variada (destaque para a direção de fotografia de Léo Bittencourt que agiganta a modesta disputa). O futebol aqui retratado, o esporte em si é mais mítico, dotado de poesia. Essa associação comum desse esporte a uma espécie de arte é bastante desenvolvida pela narrativa. Por vezes é perceptível que a retratação do gol é a menor das preocupações de Rocha, sendo que sua câmera tem como prioridade as expressões pessoais dos envolvidos e as reações calorosas do público. Mas “Campo de Jogo” não é apenas, ou deseja ser um exercício visual e narrativo apurado que tem como pano de fundo a atmosfera esportiva do futebol de várzea, mas representa de uma maneira fluente e funcional a intensidade da interferência desse esporte no contexto social da sociedade brasileira.

Nota:  7/10
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Crítica: Eu, Você e a Garota que Vai Morrer | Um Filme de Alfonso Gomez-Rejon (2015)


Greg Gaines (Thomas Mann) é um adolescente comum que está tentando passar de modo discreto pelo Ensino Médio. Seu circulo de amizades é bastante enxuto, sua rotina de vida sempre se mantem previsível e as suas preocupações com o futuro são muito contraditórias para um jovem adolescente. Mas coisas mudam, quando sua mãe o força a intensificar uma amizade com Rachel (Olivia Cooke) um jovem que mora nas proximidades do bairro e a quem Greg tem pouco contato. A razão dessa inesperada aproximação? Recentemente foi descoberto que Rachel possui leucemia e a mãe de Greg pensou ser uma boa ideia que ele desse uma espécie de apoio a jovem que não tem reagido bem após a notícia. Porém, toda a relutância dessa aproximação quando aos poucos se estabelece um laço de amizade tão forte e surpreendente quanto as razões que iniciaram essa forçada amizade. “Eu, Você e a Garota que Vai Morrer” (Me and Earl and the Dying Girl, 2015) é uma produção estadunidense de drama baseada no livro homônimo de Jesse Andrews, que também assina o roteiro e dirigido pelo texano Alfonso Gomez-Rejon. Sendo seu segundo longa-metragem, Alfonso Gomez-Rejon começou sua carreira como assistente pessoal de grandes nomes do cinema, como Robert De Niro e Martin Scorsese e trabalhou como diretor de segunda unidade de direção para cineastas como Nora Ephron, Alejandro Gonzalez Inarritu e Ben Affeck. Também se especializou na direção de seriados, como “Glee” e “American Horror Story”. Embora pouco famoso, mas bastante experiente, Alfonso Gomez-Rejon entrega um filme que não surpreende que tenha ganhado o Grande Prêmio do Júri e do Público no Festival de Sundance em 2015.

Eu, Você e a Garota que Vai Morrer” é uma produção dramática adolescente que envolve o espectador com calma. Sem atropelamentos narrativos, apresenta apenas o essencial com alguns toques artísticos (há várias inserções de cenas de animação em stop motion no decorrer de todo filme) para familiarizar o espectador com o enredo. O filme deixa isso bem claro, quando o próprio Greg não sabe nem exatamente como fazer isso em uma de várias narrações em off que ocorrem ao longo de todo desenvolvimento da história. Há uma burocrática apresentação dos personagens (salientando algumas nuances específicas de cada um) do ambiente estudantil no qual se passa a trama e do foco da história que gira em volta da doença de Rachel que pega todos de surpresa. Há uma inventiva exploração dessas reações de surpresa, que utiliza o humor como ferramenta de alívio ao enredo pesado e o drama como um sustento mais respeitoso a premissa. Em suma, encontra-se o equilíbrio perfeito entre a comédia e o drama que ameniza e prepara o espectador para essa tragédia anunciada no título. Alfonso Gomez-Rejon se mostra muito criativo na arte de contar histórias, quando deixa o enredo dialogar com a narrativa. Greg e seu único amigo, Earl interpretado por RJ Cyler passam grande parte de seu tempo fazendo filmes caseiros e animações que parodiam clássicos que são articulados dentro da trama como forma de enriquecimento da história principal. Se o elenco adulto cumpre sua função de modo bacana (destaque para o professor de literatura interpretado por Jon Bernthal, o elenco mais jovem é soberbo. A passagem onde Rachel informa a Greg que deseja parar com a quimioterapia, o que gera um profundo debate entre os dois é de uma carga dramática fantástica. Sem fundo musical e sem edição, toda a discussão filmada em apenas um plano sequência, os dois se mostram escolhas de elenco perfeitas.

Eu, Você e a Garota que Vai Morrer” tem um pouco da essência do cinema indie com uma autenticidade própria. O roteiro de Jesse Andrews não tenta vender um manual de etiqueta pronto ao espectador para uma situação como a qual Greg é lançado. O filme ambiciona muito mais, pois indo dos risos as lágrimas, essa produção conta uma história pessoal fictícia com emoção e a devida pungência que o enredo necessita. Há uma tocante pretensão de mostrar que, com uma sincera alegria, pode-se obter conforto, e o verdadeiro companheirismo, pode pelo menos aliviar alguns aspectos da dor, quando não curar. E isso nos leva a um clímax surpreendente aos sentidos, acompanhado da brilhante ideia suplantada na concretização do epílogo de que a vida não termina necessariamente na morte.

Nota:  9/10
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domingo, 18 de junho de 2017

sábado, 17 de junho de 2017

Crítica: Beleza Oculta | Um Filme de David Frankel (2016)


Após uma tragédia pessoal não superada, Howard (Will Smith) entra em uma profunda depressão a qual, como uma estranha válvula de escape para anestesiar sua dor, passa a escrever cartas para a Morte, o Tempo e o Amor. Algo que quando chega ao conhecimento de seus amigos e colegas de trabalho, os preocupa e põem a sanidade de Howard sob uma cuidadosa avaliação: será que Howard está louco? A reposta para essa pergunta vem na forma mais inquietante que se poderia imaginar. Pois quando para a surpresa de Howard, o que parecia ser loucura aos olhos de todos torna-se realidade, e inesperadamente esses três elementos do universo da vida passam a entrar em contato com Howard e pessoalmente começam a tomar dele satisfações quanto à direção que tem tomado o seu futuro, algumas barreiras intransponíveis se dissolvem não apenas para ele, mas para todos ao seu redor. “Beleza Oculta” (Beauty Collateral, 2016) é uma produção estadunidense de drama escrita por Allan Loeb e dirigida por David Frankel (diretor responsável pelo longa-metragem de sucesso “O Diabo Veste Prada). Com nomes famosos no elenco principal, como Will Smith, Kate Winslet, Edward Norton, Helen Mirren, Keira Knightley e Michael Peña, o diretor aproveita a insólita história desenvolvida pelo roteirista Allan Loeb, onde todos contribuem para a entrega de um filme carregado de emoções que aproveita bem os talentos dramáticos de Will Smith.

Beleza Oculta” foi de certo modo massacrado pela crítica especializada. O tomatômetro do Rotten Tomatoes o qualificou com 13% de aproveitamento (uma nota extremamente baixa), enquanto o IMDB lhe deu uma nota regular de 6,8 pontos (eu particularmente julgo que geralmente qualquer coisa acima de 6,5 pontos nesse site é digno de alguma atenção do público, embora não imprescindível de ser conferido). Enquanto o primeiro site é composto prioritariamente por críticos vinculados a grandes e variados portais de formação de opinião, o segundo é associado por um grupo de pessoas mais diversificado. Entre bons fundamentadores de ideias que elaboram resenhas bem fundamentadas gramaticalmente, há também milhares de avaliadores que expõem suas opiniões de forma mais calorosa e improvisada. Como também há muitas vezes a participação de membros que estão completamente desprovidos de argumentos sensatos ou de alguma representatividade. Mas tanto em um site, quanto no outro, todos tem em comum, o poder de influenciar de maneira positiva ou negativa a nota final de uma produção que está sendo avaliada. Sendo assim, se por um lado à crítica especializada que se expressou no Rotten Tomatoes odiou o resultado, pelas mais variadas razões, o público em geral que colabora com o IMDB foi tocado pela proposta de “Beleza Oculta”.  O que é compreensível, já que David Frankel entrega uma produção dramática bastante acessível ao público e adequada a desencadear muitas lágrimas enquanto ainda é capaz de propiciar alguma reflexão sobre algumas questões comuns da vida.

Mesmo que a trama fantasiosa criada por Loebb tenha suas falhas e desencadeie algum desagrado por sua forma simplista com que trata alguns assuntos delicados (mas há duas boas sacadas do roteiro que são reveladas em seu desfecho que são bastante inspiradas), algumas das atuações não sejam à altura dos nomes que compõem o elenco, David Frankel coloca todo o seu talento atrás das câmeras e entrega um produto seguro de seu propósito: o de ocasionar choro numa parcela considerável dos espectadores. Por isso, se “Beleza Oculta” não se aproxima de ser uma experiência cinematográfica arrebatadora a um selecionado grupo de espectadores, o resultado dessa produção ainda assim se mostra bastante deliciosa de se gastar o tempo.

Nota:  7/10
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Crítica: A Caverna | Um Filme de Alfredo Montero (2014)


Quando cinco jovens de férias passam a explorar as belezas naturais de uma ilha de Formentera, o clima de descontração e festa é total nesse pequeno grupo. Mas quando um deles descobre a entrada de uma caverna misteriosa e todos decidem explorar o interior dessa descoberta, ninguém imagina o perigo ao qual estão se submetendo. Depois de algum tempo nessa aventura de exploração, não demora muito para perceberem que estão perdidos no labirinto de passagens estreitas e escuras da caverna. E o maior perigo surge quando despreparados, sem alimentos e esperança de encontrar a liberdade, a situação traz à tona o pior de cada um dos integrantes do grupo, à medida que o tempo vai passando e a saída não é encontrada. “A Caverna” (La Cueva, 2014) é uma produção de suspense e terror espanhola dirigida por Alfredo Montero. Escrita por Javier Gullón e Alfredo Montero, por aqui foi lançada na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo após ter passado por alguns outros festivais pelo mundo (sua estreia foi no Festival de Cinema de Roterdã). Filmado no estilo Found-Footage (produção que simula um falso documentário que é gravado com câmeras pouco profissionais e pelos próprios atores), exibe boas ideias, uma atmosfera tensa e nervosa e recheia o desenvolvimento do material com cenas viscerais capazes causar grande desconforto.

A Caverna” não se difere em muito dos filmes típicos do formato Found-Footage que habitam o gênero do terror; “A Bruxa de Blair”, “[Rec]”, “Cloverfield” são bons exemplos de produções que encontraram sua redenção nesse formato controverso de filmagem. E como eles, “A Caverna” cumpre o seu papel de entreter o espectador oferecendo doses fortes de tensão e suspense sobre uma premissa simples explorada com foco. Seu desenvolvimento abre mão da inserção de ameaças externas de natureza desconhecida ou sobrenatural, e busca se prender apenas aos elementos já apresentados. Quando o espectador se dá conta que os jovens estão perdidos, o estado de imersão é imediato. O efeito é muito bem construído pela direção de Alfredo Montero, pelas atuações funcionais do elenco (há apenas algumas passagens que denotam alguma artificialidade nas atitudes e reações do grupo) e pelo ambiente onde se passa as gravações subterrâneas. Tudo é muito escuro, extremamente apertado e claustrofóbico, demonstrando o quanto hostil e difícil será para os jovens encontrarem a saída. O roteiro articula bem os aspectos das condições em que se encontram os jovens, como o fator do tempo que está contra eles (afinal de contas, água, a comida e o controle emocional estão se acabando na medida em que o tempo passa).

Há dois aspectos bastante fascinantes em “A Caverna”: Primeiro por sua capacidade de transportar o espectador para uma situação aterrorizante com facilidade. O realismo que o formato Found-Footage oferece, embora desagrade uma gama significativa de espectadores por suas características estéticas, confere um realismo impressionante. Em segundo, o filme não hesita em mostrar alguns aspectos sombrios da natureza humana quando coagido por uma situação extrema, pois segundo a visão do cineasta espanhol, é nessas circunstâncias que é possível ver aflorar o pior do ser humano. Embora essa produção não se mostre memorável, funciona bem ao que se propõe e detêm um nível de competência instigante.

Nota:  7/10
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Flashdance VS AC/DC

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Blade Runner Two Thousand and Forty Nine

Pôster oficial da produção de sci-fi "Blade Runner 2049", que estreia em outubro de 2017.
É Blade Runner por extenso!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Cinefilia: Parte 2


Algumas rápidas impressões pessoais que não disponibilizavam de tempo ou necessidade para serem realmente otimizadas:

1 - Negócio das Arábias (A Hologram for the King, 2016) de Tom Tykwer: Durante as filmagens de “Cloud Atlas” em 2012, eu presumo que Tom Hanks fez alguma promessa cega ao cineasta Tom Tykwer que não dava para quebrar. Pois não vejo outra razão para ver o talentoso Tom Hanks em um filme de tantas limitações previsíveis. 

2 - Sem Ar (Air, 2015) de Christian Cantamessa: Eu fiquei sem ar e consequentemente sem palavras para descrever o quanto ruim é o resultado dessa produção de ficção científica de contornos apocalípticos que tem Norman Reedus (estrela do seriado “The Walking Dead) e Djimon Houson no elenco principal. Faltou mais cuidado no enredo e criatividade no resto.

3 - Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World, 2015): É no incansável fracasso do parque de diversões jurássico que mora o inquestionável sucesso da franquia. É incrível como a previsibilidade desse produto ainda é capaz de divertir tantas pessoas, dar lucro e até gerar boas críticas. Imagine se Spielberg não fosse apenas o produtor, e sim o diretor?

4 - Insurgente (Insurgent, 2015): Até podia ser diferente de seu antecessor, sendo mais grandioso e envolvente. O trailer é épico. Mas o filme em seu todo, caótico, desesperado e que me fez lembrar a grandiosidade da franquia Matrix por seu desfecho similar. O resultado ficou aquém do esperado, ainda que eu saiba que agradou muita gente.

5 - Hacker (Blackhat, 2015): “De Fogo Contra Fogo” a “Hacker”, o que aconteceu com Michael Mann? Passando por filmes impressionantes ao longo dos anos, onde “O Informante” talvez seja um dos meus preferidos, é estranho ver o estado de conformismo em que se encontra o cineasta. Obviamente o potencial existe, mas se encontra adormecido nesse filme, que tem como poucos destaques a direção de fotografia (mais propriamente a conferida as cenas noturnas) que é sempre de um nível impecável em seus trabalhos.

6 - O Quinto Poder (The Fifth Estate, 2013): De uma narrativa desinteressante, trama imparcial e menos polêmico do que se esperaria de um filme que é a retratação de um dos homens mais polêmicos pós 11 de setembro, o resultado dessa produção dirigida por Bill Condon sugere ser em resumo, o que “Citizenfour” (um premiado documentário de 2014 que tem como destaque Edward Snodew) conseguiu: uma realização instigante, ganhadora de prêmios e imprescindível para quem se manteve atento aos noticiários que não falavam de outra coisa a não ser sobre essa estranha figura chamada Julian Assange. 

7 - Hitman: Agente 47 (Agent 47, 2015): Tanta espera por nada. Chegou a fazer o filme estrelado por Timothy Olyphant parecer bom. Acredita?  

8 - Carga Explosiva: O Legado (The Transporter Refueled, 2015): Eu acho que agora a franquia dá uma estacionada legal.

9 - Pixels (Pixels, 2015): O curta-metragem que inspirou esse filme é melhor. Infelizmente o filme não consegue estender a premissa interessante que gerou a iniciativa de se fazer um longa-metragem. É pouca piada para muito tempo de filme.

10 - Trocando os Pés (The Cobller, 2014): É horrível. Adam Sandler já fez porcarias bem melhores do que esse filme.

11 - Mortdecai A Arte da Trapaça (Mortdecai, 2015): Estranho como muitos outros filmes protagonizados por Johnny Depp, mas muito menos interessante pelo conjunto. O diretor David Koepp está na cadeira de diretor, mas obviamente não se trata de um filme feito sobmedida para suas habilidades. Tirando os aspectos visuais criativos e grandiosos que são lançados à tela, pouco se salva até a chegada dos créditos finais.

12 - O Sétimo Filho (Seventh Son, 2015): Carece de tanta coisa que não ousaria fazer uma resenha detalhada sobre esse filme. Eu seria tão criticado por quem gostou quanto eu criticaria o filme. Julianne Moore que tanto gosto é um desperdício de presença nesse filme de propósito e estrutura confusa, tão desgastante como a muito tempo não via em um filme de fantasia mais contemporâneo.

13 - O Garoto da Casa ao Lado (The Boy Next Door, 2015): O famoso diretor Rob Cohen, a atriz e cantora Jennifer Lopez, como também o jovem ator Ryan Guzman juntam forças para realizar um dos filmes mais insonsos que vi recentemente. Parece um daqueles thrillers de suspense “sobre a vida como ela é”, mas que estão mais do que batidos. Desinteressante em vários aspectos e completamente descartável.

14 - Se Beber, Não Case Parte 3 (Hangover Part III, 2013): Um ótimo exemplo de uma memorável e desnecessária tentativa de prolongar uma franquia. Eu só perdoo porque isso não é um caso isolado em Hollywood. Uma comédia legal no primeiro episódio, uma segunda que repete a fórmula e uma terceira que eu não achei graça nenhuma. 

15 - Truque de Mestre: O Segundo Ato (Now You See Me, 2016): Embora seja legal e Lizzy Caplan tenha sido uma substituição mais do que adequada  a sua antecedente (Isla Fisher), o filme não supera os méritos do primeiro episódio. Uma pena. Tem boas cenas de ação bem realizadas (até melhores do no primeiro) numa trama pra lá de confusa. Eu esperava mais da continuação. Um pouco antes do desfecho eu tava ficando tonto.

16 - Macbeth - Ambição e Guerra (Macbeth, 2015): Três nomes: William Shakespeare, Michael Fassbender e Marion Cotillard. É muita coisa boa em um mesmo filme para não dar certo. O resultado está ótimo do jeito que ficou. Morra de inveja Kenneth Branagh!

17 - Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor, 2016): O escritor John le Carré já foi adaptado outras vezes para cinema de um modo muito mais agradável. O curioso é foi de obras literárias de menor sucesso nas livrarias. Se a premissa inusitada repleta de adversidades até intriga, da metade do segundo ato em diante se arrasta e leva a um desfecho... sei lá. Muito estranho. Eu acho que podiam ter feito coisa bem melhor. Deixa uma sensação de falta alguma coisa que faça o devido sentido.

18 - Independency Day: O Ressurgimento (Independency Day: Resurgence, 2016): Esqueçam a somatória de críticas negativas disparadas pela crítica especializada para essa sequência. Eu gostei ao que se propõe, pois não esperava uma obra revolucionária nem coisa nenhuma só porque se passou quase duas décadas depois do primeiro episódio. Para começar o primeiro nem era bom, ele é "cult". O que nem sempre é a mesma coisa. Particularmente está na média correta de poucos blockbusters dos últimos anos. Só faltou o Will Smith em cena "de verdade" para dar um toque de homenagem legítimo ao clássico dos anos 90.

19 - Destino Especial (Midnight Special, 2016): Esse conto de ficção científica se mostra bem agradável e de uma sensível delicadeza narrativa. Intrigante, visualmente bonito e com ótimas atuações por parte de todo o elenco, sua sugestiva homenagem a um clássico da sci-fi realizado por Steven Spielberg "E.T. - O Extraterrestre" é bem sincera e respeitosa. "Destino Especial" é imperdível para quem gosta de um filme que trabalha várias emoções na tela sem querer forçar a barra com o espectador com apelações visuais em excesso. Está tudo da hora!

20 - Kung Fu Mortal (Kung Fu Killer, 2014): A sensação que temos é de estar assistindo a uma réplica made in china de "Seven: Os Sete Crimes Capitais" (filme de sucesso estrelado por Brad Pitt e Morgan Freeman em 1995). Só que aqui o assunto não são os pecados alheios, mas sim o Kung Fu. Pra quem gosta de filmes de artes marciais vai se deliciar com esse produto. As cenas de ação e luta são boas e não deixam a desejar e nenhum aspecto.  

Até a próxima... 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Crítica: O Turista | Um Filme de Florian Henckel von Donnersmarck (2010)


Durante uma viagem de trem pela Europa, o professor de matemática Frank Tupelo (Johnny Depp) se vê em uma situação complicada quando uma estranha mulher, Elise (Angelina Jolie) começa demonstrar interesse por ele. O que ele não sabe é que ela está seguindo as ordens de seu marido, um criminoso procurado pelas autoridades e ao mesmo tempo misterioso. Seu rosto é desconhecido pela polícia. O seu contato com Frank Tupelo é uma manobra para despistar as autoridades que desconhecem a verdadeira identidade do marido de Elise. Assim, enquanto as atenções se voltarem para a figura de Frank, o verdadeiro encontro acontecerá em outro lugar. Porém quando um perigoso mafioso que está também na caça do marido de Elise, que foi roubado e está ansioso para um acerto de contas, isso gera como consequência um risco de vida para essa dupla que corre mais perigo do que os envolvidos poderiam imaginar. “O Turista” (The Tourist, 2010) é thriller de suspense dirigido pelo diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck. Baseado no genial longa-metragem francês, “Anthony Zimmer”, de 2005, essa refilmagem é estrelada por Johnny Depp e Angelina Jolie, além de ter nomes como Paul Bettany, Timothy Dalton e Rufus Sewell no elenco principal. Ambientado em Veneza, onde toda trama de mistérios se passa em sua maior parte, essa produção falha em se sustentar apenas com a glamourização dada a peculiar cidade e se afunda em clichês que não atribuem nada de inovador ao produto, como não supera a qualidade de sua inspiração. 

O Turista” é uma viagem que tentou surpreender o espectador com estrelas de cinema e uma cidade italiana exótica que exala romance e mistério. Até aí tudo bem. Entretanto todo resto, por mais ajustado que possa ser remete a algo simplista e sem ambição de ser o que seu material de origem representou. Uma premissa interessante bem desenvolvida em sua forma e substância. O problema é que tanto Johnny Depp quanto Angelina Jolie entregam desempenhos desinteressados. Se existe um ganho pela história interessante herdada do filme original, há uma sabotagem dos envolvidos que não conseguem torna-la mais intensa, seja devido a falta de química por parte dos protagonistas ou pelos diálogos esquecíveis que são muitas vezes distribuídos sobre um pano de fundo deslumbrante oferecido pela cidade de Veneza. A atmosfera de suspense nunca engrena de modo fluente, seja pela postura cômica adotada pelos policiais italianos em várias passagens ou pela frieza da direção do cineasta. A presença de Rufus Sewel é outra avaria ao conjunto. Considerando o mau aproveitamento de seu feeling, seu personagem se mostra apagado e prejudicado pelo roteiro clichê, que leva o espectador a acompanhar uma trama ajustada ao extremo, mas que apresenta um desfecho bastante previsível que impede o alcance de qualquer possibilidade de redenção.

Por isso, “O Turista” pode muito bem agradar ao espectador deslumbrado com as paisagens de Veneza que são brilhantemente capturadas pela câmera do diretor e enriquecidas pela direção de fotografia Esse provavelmente um dos pontos mais fortes desse longa-metragem, já que as reviravoltas não funcionam e o clímax elegante e ajustado ao conjunto não oferece uma surpresa tão arrebatadora quanto se previa ser em teoria. Curiosamente o filme foi indicado a vários prêmios no Globo de Ouro, mas não passa de uma indicação proveitosa para um espectador que não busca nada além de um programa escapista, bonito e de funcionalidade comum.

Nota:  5,5/10
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domingo, 11 de junho de 2017

Crítica: Rock em Cabul | Um Filme de Barry Levinson (2015)


Richie Lanz (Bill Murray) já foi um grande produtor musical, mas hoje passa por momentos de decadência e se mantem ainda ativo no ramo apenas tirando proveito de pessoas que sonham e serem astros da música. Abandonado a própria sorte no Afeganistão depois de uma turnê fracassada, sem dinheiro e sem condições de voltar aos Estados Unidos, Richie descobre uma jovem moça nos arredores do deserto que tem uma voz e um talento fantástico que pode ser a sua salvação. Então ele resolve leva-la para uma popular competição musical de televisão que busca encontrar novos talentos, chamada Afghan Star (uma espécie de “American Idol” do Afeganistão) e mostrar todo o talento da jovem cantora, mas descobre que por estar no Oriente Médio, ganhar a competição é o menor dos seus obstáculos. “Rock em Cabul” (Rock the Kasbah, 2015) é uma produção de comédia estadunidense escrita por Mitch Glazer e dirigida por Barry Levinson (diretor responsável por filmes como “Bom Dia, Vietnã”, de 1987, “Rain Man”, de 1988 e “Vida Bandida”, 2001, entre muitos outros mais). Fracasso de bilheteria e destruído pela crítica especializada, os números, os aspectos que rodeiam o personagem principal e a repercussão negativa do filme fala muito sobre as pessoas envolvidas em sua realização. Há uma clara evidência de retorno de Bill Murray e do diretor Barry Levinson aos tempos de glória e que não por falta de merecimento, não aconteceu.

Rock em Cabul” é um projeto desafiador que não surpreende pelo fracasso. Por não se tratar de uma comédia típica do cinema estadunidense, onde o enredo difícil e o roteiro ligeiramente inspirado na história real de Setara Hussainzada (a primeira mulher a competir no programa Afghan Star em 2009) não funciona na maior parte do tempo. A história que trabalha alguns aspectos culturais, políticos e algum idealismo que estão acima da compreensão ocidental soa forçada na tela e acaba criando alguns obstáculos insuperáveis para essa produção. Além do mais, a intenção de imprimir uma mensagem dramática forte provida de uma carga de otimismo não funcionou da forma como se gostaria. Como sempre, Bill Murray se entrega de corpo alma ao personagem e faz o que sabe fazer de melhor: desencadear risadas. Suas caras e bocas sempre são pontuais no que se refere a gerar diversão. Embora atuações como a de Kate Hudson como prostituta seja também agradáveis por seu desempenho comprometido, há uma gama substancial de situações e personagens distantes envolvidos no enredo (o mercenário americano cheio de idealismo interpretado por Bruce Willis) que são uma sobrecarga ao enredo desnecessária. Mas sem dúvida que Bill Murray é o que segura atenção do espectador na tela e eleva as poucas e boas ideias desse longa-metragem.

Mas “Rock em Cabul” é um bom filme? Se você é fã de Bill Murray, certamente que vai simpatizar com seu desempenho nessa produção. Seu comprometimento com que faz é sempre explícito e marcado de dedicação. O problema que nem sempre isso se reverte em qualidade ao conjunto. O ator obviamente confere suas qualidades pessoais ao que faz, e não se deixa abalar pela pouca repercussão que alguns de seus trabalhos pode ocasionar, mas ainda assim se entrega inabalável ao que está fazendo. E para o público, o importante é ele estar trabalhando e produzindo boas risadas com seu estilo legítimo e quase sempre funcional. Embora ao mesmo tempo vá sentir saudades dos tempos de filmes como “Caça-Fantasmas” e “Feitiço do Tempo”, além de muitos outros mais que ele atuou brilhantemente ao longo de três décadas, mas que não se tornaram tão icônicos quanto os dois mencionados. Do contrário evite. Simples assim.

Nota:  5,5/10
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sábado, 10 de junho de 2017

Crítica: Sin City: A Dama Fatal | Um Filme de Robert Rodriguez e Frank Miller (2014)


A cidade do pecado continua servindo de palco para o desdobramento de várias histórias diferentes, mas conectadas por seus personagens. Para começar, o detetive particular Dwight (Josh Brolin) é procurado por sua ex-esposa, Ava (Eva Green) afirmando querer reacender a chama do amor depois de demonstrar estar sofrendo abusos de seu atual marido. Rapidamente seduzido pelas lembranças que teve com a femme fatale no passado, Dwight envolve-se numa trama criminosa que somente Marv (Mickey Rourke), um segurança de boate sanguinário pode ajudar. Paralelamente a dançarina da boate, Nancy (Jessica Alba), ainda traumatizada pelo assassinato de Hartigan (Bruce Willis) busca todas as noites coragem para matar o Senador Roark (Powers Boothe), pai do homem que tentou mata-la ainda quando criança e o responsável pelo destino de Hartigan. Por fim, o jovem e talentoso jogador de cartas, Johnny (Joseph Gordon-Levitt) desafia nos bastidores da boate o Senador em um perigoso jogo de poker de apostas altas que podem custar a sua vida. “Sin City: A Dama Fatal (Sin City: A Dame to Kill For, 2014) é um longa-metragem de suspense policial adaptado da famosa graphic novel de autoria de Frank Miller e dirigido por Robert Rodriguez e pelo próprio Frank Miller. Continuação do filme “Sin City: Cidade do Pecado” (2005), essa produção se destacou na época por trazer com fidelidade para as telas do cinema a estética dos quadrinhos e sua atmosfera noir com competência e criatividade.  Nove anos depois, sua sequência mantêm essas mesmas qualidades, inclusive melhoradas, ao mesmo tempo em que perde outras tão importantes.

Sin City: A Dama Fatalmostra que a parceria de Frank Miller e Robert Rodriguez foi promissora. O significativo hiato de nove anos entre um filme e outro foi muito bem aproveitado na confecção de aprimoramentos agradáveis do visual, ao mesmo tempo em que preservou intacta muitas outras de suas consagrações. O bom uso das sombras, das cores, dos enquadramentos incomuns, da trilha sonora e dos efeitos de som demonstra o quanto essa produção foi bem acabada nesses aspectos técnicos (o orçamento de sessenta e sete milhões de dólares acabou tornando esse filme o mais caro que Robert Rodriguez á havia dirigido). Mas o problema “Sin City: A Dama Fatalé outro. É mais sensorial. Curiosamente são suas histórias que prejudicam a elevação dessa produção a outro patamar de excelência. Das três tramas retratadas, apenas uma se destaca com louvor e desencadeia o devido fascínio do espectador. Enquanto a jornada de crime e castigo traçada para Dwight ao lado de Ava (Josh Brolin e Eva Green em performances fantásticas) rouba a atenção do espectador com facilidade a cada reviravolta, sequência sensual e a cada exibição de violência, as outras duas histórias carecem de magnetismo. Para começar a violenta missão de vingança arquitetada por Lucy contra o Senador Roark (num desempenho assustador de Jessica Alba) e depois ainda, a banalização cômica dos propósitos de Johnny (com Joseph Gordon-Levitt dizendo ao mundo que ele tem presença de tela suficiente para protagonizar um filme só seu), além da clara pretensão de remeter sua trama à outra graphic novel de sucesso de Frank Miller (“300”).

Há várias subtramas as margens das três histórias com o propósito de enriquecê-las e um desfile de personagens bastante eclético interpretados por nomes curiosos (Ray Liotta, Lady Gaga, Christopher Loyd, Jeremy Piven, Dennis Haysbert, Rosario Dawson, Christopher Meloni, entre outros mais. Mas uma herança de elenco promissora do primeiro filme se encontra na figura de Marv, brilhantemente interpretado por Mickey Rourke. Particularmente acho que ele está para o universo de Sin City na mesma proporção que o Wolverine está para os X-Men. É dele as melhores passagens, os melhores diálogos e as cenas de ação mais explosivas dessa produção. Além dele ser uma conexão inteligente das tramas, sua presença sempre se mostra um diferencial para todos os enredos onde o personagem consegue ser tão engraçado quanto violento na película. 
   
Era lógico que superar o reverberante impacto de seu antecessor era mesmo quase impossível. A reprodução sabida de todo o estilo visual da graphic novel de Miller, os personagens incomuns e a transposição da essência do excelente material original, embora estejam presentes em cada frame dessa sequência, com algumas melhorias razoáveis inclusive, o ar de inovação não existia mais. A necessidade e a pressão de melhorar o que o público dava como certo de rever não seria o suficiente para elevar as qualidades dessa sequência. Por isso “Sin City: A Dama Fatalsofre de todas as aflições possíveis, e não apenas falha ao se igualar ao antecessor por causa do pouco magnetismo dos enredos abordados, o filme carece de um clímax realmente válido que o arco de Jessica Alba não consegue oferecer. Sobretudo, ainda assim trata-se de um bom filme, que não insulta a suas origens, mas que não facilita para Robert Rodriguez a realização de outra trilogia.

Nota:  7/10
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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Crítica: O Contador | Um Filme de Gavin O´Connor (2016)


Christian Wolf (Ben Aflleck) é aparentemente um pacato contador de cidade pequena, embora também possua uma história de vida bastante incomum que não compactua com as aparências. Desde cedo, ainda quando criança conheceu algumas barreiras da natureza ao passar por muitas dificuldades devido a sua luta contra o autismo. Uma luta que não só o fez superar grande parte dos obstáculos impostos pela vida, mas também intensificou suas qualidades. Porém sua vida esconde alguns segredos tão peculiares quanto a sua doença: Christian não é apenas um pacato contador, mas também é um sujeito habilidoso em lavar dinheiro de grandes mafiosos e criminosos ao redor do mundo com discrição. Sob a indicação de um antigo cliente, Christian inicia uma auditoria contábil em uma empresa de tecnologia de propriedade de Lamar Black (John Lithgow) após uma simples funcionária, Dana Cummings (Anna Kendrick) encontrar algumas inconsistências financeiras nos livros de registro da empresa. O que começou como um desafiador dia de trabalho, desencadeou para a surpresa de Wolf e Cummings uma série de riscos de vida e morte para eles, onde as outras habilidades desse estranho contador serão muito necessárias. “O Contador” (The Accountant, 2016) é um thriller estadunidense de ação e suspense escrito por Bill Dubuque e dirigido por Gavin O´Connor. Buscando conferir particularidades diferentes a figura do protagonista, essa produção busca contornar soluções batidas de composição de um herói decorrentes do gênero. O resultado disso: o espectador é brindado com um possível candidato para uma mais nova franquia de filmes de ação.

O Contador” é extremamente elaborado em sua forma. O roteiro original elaborado por Dubuque (responsável pelo roteiro de “O Juiz”, de 2014) consegue destacar de modo bem claro e convincente o aspecto de o personagem principal ser portador de um leve grau de autismo. E esse aspecto funciona muito bem para o produto que faz um trabalho diferenciado na apresentação entre as características de desordem de Wolf com as suas habilidades atribuídas pela educação feroz do pai. Affleck confere credibilidade ao personagem, seja pelos sutis detalhes que confere ao seu papel pelo talento que tem ou nos aspectos declarados de sua condição que são trabalhados pela trama. Além do mais, sua atuação ainda é brilhantemente auxiliada pela adição de uma série de flashbacks que o delineiam desde sua infância conturbada pela doença e ao que nos leva a conhecer mais profundamente as variadas mazelas da vida familiar a qual foi exposto. Embora o restante do elenco fique escancaradamente em segundo plano, com algum destaque para a inocente e doce Anna Kendrick, outros nomes como J.K. Simmons, Jon Bernthal, Jeffrey Tambor e John Lithgow apenas cumprem o seu papel em função do progresso do enredo. Há uma ligeira tentativa de aprofundamento de personagens demonstrada pela ação dos agentes que seguem ansiosos pela captura de Wolf, porém que é prejudicada pelos clichês do gênero (o rastro de morte deixado pelo herói está totalmente alheio à realidade comum e diretamente conectada as regras de sucesso de Hollywood) o que gera umas pequenas pontas soltas.

No final das contas, “O Contador” se mostra um thriller da ação bem realizado e acima da média. Armado de boas cenas de ação, algumas reviravoltas válidas e um desfecho "supostamente" surpresa, o cineasta americano Gavin O´Connor pode até não ter entregado um longa-metragem do mesmo calibre imbatível de “Guerreiro”, de 2011, mas consegue apresentar algumas passagens bastante genuínas com uma boa dose de entretenimento garantido. Uma curiosidade: numa cena de quarto de hotel em que Anna Kendrick e Ben Aflleck passam a noite, surge uma conversa corriqueira onde Anna revela a Aflleck que no passado para conseguir um dinheiro para comprar um vestido de formatura caro, foi a Las Vegas jogar blackjack afim de contar cartas para aumentar suas chances de ganhar as apostas. Um método tecnicamente legal, mas repudiado pelos administradores de cassino. Na vida real, Ben Aflleck é conhecido por ser um jogador de poker e blackjack tão esperto que foi proibido de entrar em vários cassinos. Mas não por ele ser um trapaceiro, mas por causa de seu hábito de contar cartas. A cara que ele fez no filme quando a atriz faz a revelação é tão hilária quanto sutil. 

Nota:  7,5/10
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