sexta-feira, 26 de maio de 2017

Crítica: Logan | Um Filme de James Mangold (2017)


O ano é 2029. Os mutantes estão atravessando uma era de declínio onde quase todos estão desaparecendo aos poucos. Já faz vinte cinco anos que nenhum novo mutante surge, o que vem os deixando à beira de uma completa extinção. Logan (Hugh Jackman), cujo poder de se curar não funciona mais como antigamente e agora um visível alcoólatra que ganha à vida como motorista de limusine, quando não está cuidando às escondidas do poderoso Professor Xavier (Patrick Stewart), que está com Alzheimer agora. Mas quando uma poderosa organização que transformava crianças em mutantes assassinos passa a caçar Laura (Dafne Keen), uma habilidosa e perigosa mutante que é fugitiva das experiências de laboratório do Dr. Zander Rice (Richard E. Grant), o velho Logan entra em cena novamente, sob a pressão de sua consciência para conduzir Laura a um local seguro. “Logan” (Logan, 2017) é uma produção estadunidense de ação baseada no personagem em quadrinhos da Marvel Comics chamado Wolverine. Fechando uma trilogia que começou em 2009 com “X-Men Origens: Wolverine” e depois “Wolverine Imortal”, de 2013, essa produção é inspirada numa série de quadrinhos de Mark Millar e Steve McNiven, chamada “Velho Logan”. Com inúmeras mudanças estéticas e narrativas, “Logan” vem para fechar uma trajetória de sucesso do personagem e de seu ator que o interpretou ao longo de quase duas décadas.

Logan” é o décimo filme da franquia X-Men e o terceiro protagonizado pelo Wolverine através da atuação de Huck Jackman. Foram dezessete anos carregando as garras de Adamantium. E as diferenças de “Logan” para seus filmes anteriores são gritantes: mais dramático e menos performático, o resultado de sucesso de crítica e público dessa produção veio em função de seu urgente amadurecimento estético e narrativo. Deixando para trás todas as características que alçaram o personagem ao estrelato da franquia, o diretor James Mangold (um diretor de encomenda com filmes bem sucedidos em Hollywood) não somente viu o momento certo de atender a uma necessidade de mudança, mas soube materializar isso na película da forma correta. Mangold soube conduzir essa reinvenção. Soube aproveitar a classificação indicativa máxima cedida pelo estúdio ao mesmo tempo em que teve a oportunidade de adaptar o roteiro de modo focado na atmosfera melancólica e entristecida do enredo. Uma escolha bastante sensata para um super-herói em decadência que trava uma batalha diária com ele mesmo e de seus leais amigos. E como o sangue que jorra na tela em sequências brutais de luta, demonstrando um radicalismo estético que sempre se mostrou uma incógnita ao personagem, essa reinvindicação antiga ganha finalmente forma na tela. 
  
Logan” é uma mistura de road movie com um faroeste moderno. A jornada de Logan é brilhantemente expressa no talento de seu protagonista, que mesmo depois de filmes como “Os Miseráveis” ou “Os Suspeitos” não precisava mais provar nada a ninguém. Huck Jackman materializa bem mudança de contornos de seu personagem e de emoções ocultas em seu âmago, além de não nos permitir esquecer os tempos de glória quando fazia presença necessária dentro da equipe dos X-Men. Uma despedida honrada que justifica seu sucesso e que deixará saudades aos fãs.

Nota:  8/10
________________________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário