segunda-feira, 29 de maio de 2017

Crítica: Doutor Estranho | Um Filme de Scott Derrickson (2016)


Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um talentoso e bem sucedido neurocirurgião que vê seu mundo desabar quando sofre um acidente de carro e suas mãos ficam debilitadas devido ao trauma. Devido às limitações impostas pela medicina tradicional, falido e desiludido com suas próprias chances, Strange parte em direção a um reduto místico com a esperança de encontrar a cura de suas mãos, chamado Kamar-Taj, em Katmandu. Mas lá descobre que o local que buscava não era apenas um centro médico alternativo para pessoas desesperançadas como ele, e sim, também uma imprescindível barreira contra forças malignas desconhecidas que colocarão Strange em dúvida sobre seus interesses. “Doutor Estranho” (Doctor Strange, 2016) é uma produção estadunidense de ação e fantasia baseado no super-herói da Marvel Comics criado por Stan Lee e Steve Ditko. Adaptado por Jon Spaihts, Scott Derrickson e C. Robert Cargill, essa produção tem a direção de Scott Derrickson (responsável por filmes como “Livrai-nos do Mal” de 2014, “A Entidade” de 2012 e “O Dia em que a Terra Parou” de 2008 entre outros mais). E ao contrário do clima de suspense e terror ditado por suas obras anteriores, seu trabalho de encomenda surge como um produto fantástico de entretenimento, repleto de efeitos visuais bacanas e bastante funcional aos interesses da produtora Marvel Studios e seu universo cinematográfico iniciado há quase dez anos com o “Homem de Ferro”, em 2008.

De fato, não causa nenhuma estranheza que “Doutor Estranho” tenha se tornado um grande sucesso de público ao redor do mundo e cativado a crítica especializada e principalmente a amadora. Em resumo o filme funciona em vários aspectos diferentes. Sua trama simplista é bem preenchida com bons diálogos; a escolha do elenco principal não poderia ter sido tão soberba quanto foi; os efeitos em CGI além de grandiosamente dimensionados também são bem feitos e acima de tudo coerentes com o enredo; e a ação e o humor são brilhantemente articulados ao longo da produção com habilidade e bom senso. Os nomes de Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Benedict Wong, Mads Mikkelsen e Tilda Swinton estão simplesmente irretocáveis. Cumberbatch faz a transição de personalidade de seu personagem que vai do egoísmo e arrogância para a nobre humildade e necessária simpatia de forma bastante orgânica. Ejiofor sempre deixava algo sombrio escondido transparecer que se materializou no tempo certo enquanto McAdams que é simplesmente uma jóia de talento e beleza somente brilhou de modo semelhante no passado quando dividia a película com Robert Downey Jr. em “Sherlock Holmes”. Todavia Mikkelsen funciona bem aos propósitos vilanescos do filme, como Swinton chama a atenção em cena por seu papel de anciã mestra a qual confere elegância e credibilidade aos diálogos de natureza filosófica e psicodélica que rondam seu personagem. E o humor fica a cargo de quem? É curioso como as necessárias tiradas de humor são discretas e brilhantemente articuladas entre todos os atores ao longo das quase duas horas de duração.

Doutor Estranho” é servido ao público na medida certa. Qualquer traço de exagero estético é absorvido e digerido pelo espectador de modo natural e sem alardes (o embate de Doutor Estranho no meio da dimensão escura com o poderoso Dormammu é tão inusitado quanto hilário), enquanto alguns pequenos truques visuais de mão se mostram interessantes. Toda a desconstrução da realidade podia facilmente ridicularizar por completo um departamento técnico, mas a Marvel confere uma dinâmica visual brilhante e que mesmo sem atributos visuais totalmente inéditos aos olhares (algumas cenas lembram o mundo dos sonhos criado por Christopher Nolan para “A Origem” e algumas outras cenas parecem terem saído de “A Máquina do Tempo”) ainda assim é tudo uma beleza e funciona como mais original das ideias. Por isso, “Doutor Estranho” se mostra um ótimo programa de diversão ao mesmo tempo em que é um passo a frente na continuidade do crescente Universo Marvel.  

Nota:  8/10
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