segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Crítica: O Agente da U.N.C.L.E. | Um Filme de Guy Ritchie (2015)


Na década de 60, e com a Guerra Fria a pleno vapor, o agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill) e o espião da KGB, Illya Kuryakin (Armie Hammer) estão obviamente em lados opostos. Mas quando após uma constrangedora missão na Alemanha Ocidental onde esses dois se confrontam, ambos vêm a trabalhar juntos em uma missão conjunta com a filha de um renomado cientista, Gaby Teller (Alicia Vikander) para frear uma perigosa organização criminosa que tem o intuito de utilizar os conhecimentos científicos do pai de Gaby para construir uma bomba nuclear. Deixando de lado suas óbvias diferenças, esse inesperado trio terá que colaborar, apesar das suas diferenças em prol da paz mundial. “O Agente da U.N.C.L.E.” (The Man from U.N.C.L.E., 2015) é uma produção de comédia e ação de espionagem baseada em uma série de televisão exibida entre 1964 e 1968, e criada por Sam Rolfe. Naturalmente o trabalho do cineasta Guy Ritchie é um regresso nostálgico aos filmes de romance e espionagem da época em que se passa, realizados em preto e branco e que inspiraram a série original. Embora a história se mostre pouco ambiciosa, e certamente um dos aspectos mais frágeis dessa empreitada de Guy Ritchie, essa produção reúne um conjunto de elementos físicos e emocionais bastante expressivos para o divertimento do público.

Carregado de estilo e com uma dose de presunção quase imperceptível, “O Agente da U.N.C.L.E.” não se difere em muito dos trabalhos anteriores do cineasta londrino. Os famosos ritchismos (os maneirismos de câmera e edição comuns nos trabalhos anteriores do cineasta) estão lá, diferentes dos conhecidos dos fãs, mas ainda assim presentes. O cinema de homenagem de Ritchie agora tem menos recursos estilizados e mais burocracia. Mais contido nesse aspecto, o filme ganha pontos tendo um ótimo entrosamento do elenco principal, com destaque para Henry Cavill em meio às ideias comuns de filmes desse gênero. Armie Hammer também tem deixado para trás desempenhos negativos do passado (o longa-metragem da Disney chamado o “O Cavaleiro Solitário) e obtido performances agradáveis como nos tempos de “A Rede Social” e “J. Edgar”. E a presença de Alicia Vikander fecha essa trinca de boas atuações com louvor. Mas o filme perde sua força pela história genérica, que oscila entre a odiosa confusão causada pela excessiva agilidade narrativa e a desagradável complexidade dos acontecimentos, e sem ter grandes momentos memoráveis ou reviravoltas que se destaquem aos sentidos, o desenvolvimento dos acontecimentos ainda consegue felizmente ganhar o espectador pelo apuro do argumento que sempre se mostra bastante arrojado nos filmes do cineasta. Temperado com boas doses de humor (destaque para cena de tortura onde a cadeira elétrica demonstra uma má funcionalidade), Guy Ritchie enriquece ainda mais seu trabalho com uma trilha sonora nada óbvia e ao mesmo tempo bastante funcional que confere uma agradável sonoridade a ação que rola pela película.

O conjunto de regras que reina de forma intocada no desenvolvimento dessa produção (o alarmismo da ameaça nuclear, os vilões caricatos e as bugigangas de espionagem pouco críveis ao seu tempo), faz com que “O Agente da U.N.C.L.E.” seja tão previsível quanto competente. Mas isso não deve ser encarado resumidamente de forma negativa, e sim, mais precisamente necessária. E consequentemente isso talvez seja o aspecto mais incômodo dessa produção, mesmo que não prejudique o resultado de forma implacável. Diverte como deve ser, mas não agrega nada ao gênero como a maioria de produções similares. Sobretudo, essa tem a seu favor a justificativa de ser uma refilmagem de uma fonte tão antiga quanto andar para frente. No final das contas, o trabalho de Guy Ritchie tem a mesma funcionalidade agradável que seus outros projetos confeccionados em um grande estúdio.

Nota:  7/10
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