terça-feira, 16 de maio de 2017

Crítica: Segredos de Sangue | Um Filme de Park Chan-wook (2013)


Realizado pelo aclamado cineasta sul-coreano Park Chan-wook, a estreia estadunidense desse brilhante cineasta não podia ter sido melhor. Responsável por filmes icônicos do cinema sul-coreano, como “OldBoy”, “Lady Vingança” e “Mr. Vingança” (a famosa trilogia da vingança), o cineasta se mostrou através dessa produção compatível e bem adaptado ao território ocidental. De estilo nada convencional, onde traços de força e obscuridade eram aspectos marcantes de sua filmografia, a mudança de continente não mudou em nada suas qualidades como realizador autoral. “Segredos de Sangue” (Stoker, 2013) é um thriller de suspense dramático estrelado por Nicole Kidman, Mia Wasikowska e Matthew Goode. Ao contrário dos famosos filmes de Chan-wook realizados em sua terra natal, aqui a história é fruto de uma bem-vinda terceirização. Simplesmente o roteiro desse longa-metragem é da autoria de Wentworth Miller (um ator bastante conhecido por sua participação no seriado Prision Break) que faz desse seu trabalho uma ótima estreia. Em sua trama acompanhamos os misteriosos bastidores da família Stoker. Quando o pai, Richard Stoker (Dermont Mulroney) morre acidentalmente e durante a cerimonia de luto, onde a viúva Evelyn (Nicole Kidman) e sua filha, India (Mia Wasikowska) ainda chocadas com a perda, as duas mulheres são surpreendidas com a aparição do enigmático irmão de Richard, o Charlie (Matthew Goode). Rapidamente o sujeito se insere na rotina das duas, vindo inclusive a se hospedar na casa delas gerando um estranho triangulo familiar onde alguns segredos e intenções obscuras veem a tona.


Segredos de Sangue” é uma experiência cinematográfica encantadora desde os primeiros minutos de exibição. Visualmente rico em vários aspectos, a riqueza técnica da direção de arte e da fotografia elevam a funcionalidade do trabalho de Park Chan-wook a um nível de excelência extraordinário. Chan-wook que é um cineasta meticuloso com a câmera, notando-se que a elaboração das tomada curtas ou nas longas cenas desprovidas de inconvenientes cortes há uma agradável e equilibrada textura nas cores e formas que transitam pela tela que são quase palpáveis aos espectadores. Assim sendo, há uma criação de atmosfera perfeita para o estranho enredo que dosa as dicas ao público e não mostra todo seu potencial de modo a revelar mais do que deveria. Por isso a soma desse roteiro bastante adequado a proposta do filme, que de início se mostra lento em seu desenvolvimento mas que aos poucos mostra suas qualidades no tempo certo, o espectador é surpreendido com uma trama bem desenvolvida e repleta de personagens bem compostos, intrigantes simbolismos e inteligentes situações de dualidade. Nenhum personagem tem seu perfil evidente aos olhos do espectador, ou previamente definido (os personagens estão numa constante metamorfose), o que gera ótimas oportunidades para que todo o elenco demonstre seu valor ao conjunto da obra. Se o nome de Nicole Kidman é o que mais brilha nos créditos como chamariz para essa produção, a atriz australiana Mia Wasikowska rouba a cena em vários momentos, ao mesmo tempo em que Matthew Goode engrandece o triângulo de segredos que são cuidadosamente permeados ao decorrer dos noventa e nove minutos de duração de “Segredos de Sangue”. Assim sendo, com uma mistura de crime, desejo incestuoso que nos leva a um desfecho surpresa, o cineasta sul-coreano se mostrou bem adaptado ao cinema do tio Sam de forma bastante agradável.

Nota:  8/10
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