domingo, 13 de setembro de 2015

Crítica: O Maravilhoso Agora | Um Filme de James Ponsoldt (2013)


Inconsequente é a palavra que define Sutter Keely (Milles Teller). É impressionante o seu desprendimento natural com o futuro, pois o jovem leva uma vida totalmente despreocupada onde mesmo não terminando os estudos, abusando do álcool e se aproveitando de um roteiro de festas e de seu tato para entrar e sair de relacionamentos amorosos, esse jovem de apenas dezoito anos não percebe o período de transição que passa: o fim da juventude é agora. Embora sinta isso, resiste em aceitar o mesmo. E para sua surpresa, após um porre que supera sua tolerância ao álcool, ele adormece ao relento e acorda em um gramado ao lado da jovem solitária Aimee Finicky (Shailene Woodley), e que possibilita uma relação tão fascinante quanto improvável entre essas duas diferentes figuras. “O Maravilhoso Agora” (The Spectacular Now, 2013) é uma comédia dramática do cenário indie norte-americano escrita por Scott Neustadter e Michael H. Weber e dirigida por James Ponsoldt. Baseado no romance de mesmo nome de Tim Tharp, sua transposição para a película entra no gênero de produções independentes que aborda um período complicado da juventude. Encantador, sincero e de contornos muito simples, o diretor aproveita o roteiro (dos mesmos realizadores de “500 Dias Com Ela) e entrega um filme oriundo do cenário independente que pode ser considerado um passeio agradável pelo gênero.

Embora tenha estreado no Festival Sundance de Cinema, ao qual angariou inúmeras críticas elogiosas, o longa-metragem “O Maravilhoso Agora” foi lançado por aqui diretamente em vídeo (provavelmente consequente do mau desempenho que teve nas bilheterias). E relevando seu mau desempenho comercial, eu deixo a dica: essa produção é um filme adolescente a espera de ser descoberto pelo público. Em um estudo profundo sobre alguns conflitos sempre revisitados pelo cinema sobre a natureza humana que engloba paixões estudantis, educação, trabalho e família; “O Maravilhoso Agora” presenteia o espectador com performances naturais de uma beleza estética e narrativa sem igual, com situações criveis e personagens envolventes bem desenvolvidos pelo o roteiro e a direção. O filme não se prende a fórmulas de sucesso comprovado e apresenta uma visão mais atual do panorama que envolve os protagonistas. O filme é bem sintonizado com a juventude da atualidade. A dupla de protagonistas é outro acerto dessa produção. Miles Teller retrata o personagem Sutter Keely com carisma e de forma envolvente, enquanto a atriz Shailene Woodley confere certa efervescência à personagem Aimee Finicky. Enquanto o elenco principal, como o elenco de apoio que propiciam um desenvolvimento saudável da adolescência de forma contemporânea distante de estereótipos, todos entregam desempenhos maduros e honestos possibilitados por uma condução precisa de James Ponsoldt.

O cinema está repleto de obras genéricas semelhantes a esse drama adolescente com bem-vindos toques de humor que retratam um período geralmente complicado, e que nem sempre são dignos de alguma discussão. A queda do verniz cinematográfico geralmente presente em filmes assim, talvez seja uma das maiores sacadas desse longa-metragem. O romance estudantil estendendo-se por seus dramas familiares é outro dos méritos presentes nessa obra. Embora “O Maravilhoso Agora” não seja perfeito em sua totalidade, se igualando a obras clássicas do gênero, a adaptação de Tim Tharp não deixa de ser um exemplar agradável e bastante interessante de ser conferido.

Nota:  7,5/10  
_____________________________________________________________________________


2 comentários:

  1. Fiquei interessado pela premissa! Belo texto sobre a obra!
    Vou colocar na minha lista. rs
    Abraço.

    att, André Betioli

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oh André! A quanto tempo. Sumido hein! Eu espero que goste (eu gostei), pois de vez em quando gosto de ver uns filmes que por aqui são lançados diretamente em vídeo, pois mesmo que lá fora ainda que tenham obtido boas críticas, não se mostraram viáveis para o nosso mercado de cinema. Gostei desse na proporção de "Cidades de Papel", um exemplar bem mais conhecido.

      abraço

      Excluir