sábado, 12 de setembro de 2015

Crítica: Filth | Um Filme de Jon S. Baird (2013)


Bruce Robertson (James McAvoy) é um policial escocês corrupto repleto de particularidades. Viciado em cocaína, ninfomaníaco e de uma bipolaridade cada vez mais frequente, ele está de olho numa bem-vinda promoção no trabalho. Para sua sorte, um crime brutal acaba de acontecer e ele foi incumbido da tarefa de desvendar o crime e isso pode ser o trampolim necessário para conseguir sucesso entre os demais concorrentes na corrida pela promoção, ao mesmo tempo em que ativa um jogo de mentiras incontroláveis que joga seus colegas de trabalho um contra o outro numa rede de intrigas. Mas seu passado, uma esposa desaparecida, seus excessos com álcool e bebidas vem a atrapalhar seus planos, deixando transparecer aos olhos de todas as pessoas ao seu redor algumas de suas facetas, tanto por sua gritante falta de noção da realidade, quanto por suas falhas de caráter. “Filth” (Idem, 2013) é comédia dramática de humor negro que foi escrita e dirigida por Jon S. Baird. Adaptada de um livro de mesmo nome escrito por Irvine Welsh (também autor de Trainspotting), o filme não se censura em mostrar ao seu modo o pior do pior da Escócia em contraste com seus feitos: a televisão, a máquina a vapor, o golfe, o whisky e a penicilina. O orgulho de ser escocês se confronta com a vergonha da trajetória de seu protagonista e resulta numa louca viagem que explora o melhor do mau gosto com uma boa trilha sonora e algumas passagens bem iluminadas pelo conjunto de ideias.

Filth” é sem surpresa a combinação de muito do que já foi feito antes. Portanto sua funcionalidade se deve mais pela competência da sua forma física e narrativa, do que propriamente por sua originalidade. Com traços de “Trainspotting, de “Psicopata Americano”, de “A Recompensa” e até mesmo de “Clube da Luta”, essa produção bebe de muitas fontes e se nutre da inspiração alheia para dar o devido embasamento a sua trama de humor e mistério. Ainda que surja como um chocante exemplar de comédia negra (o sexo é tratado como a causa e o objetivo que move o mundo), as drogas legais ou não transbordam em tela sem limites, Jon S. Baird entrega um filme delirante e deveras alucinado. E não apenas pela atuação impressionante James McAvoy (que exagera um pouco mais do habitual em sua performance) e de um punhado de outros atores bem escolhidos que compõem o elenco de apoio, mas também pelo enredo que explora de maneira estilística todas as possibilidades da insanidade em tela alternando o recurso cômico com o apelo dramático que o filme toma a certa altura do desenvolvimento da história. Entretanto, se o filme começa desde sua premissa com o objetivo de ser engraçado ao espectador, que fique certo que seu destino é perturbador em sua essência, trágico por consequência e interessante pelo conjunto (mas McAvoy deixa uma bem-sucedida piada antes dos créditos finais para o agrado daqueles que buscaram essa produção para dar risada). Por fim, “Filth” é um filme de ritmo ágil, politicamente incorreto e de poucas surpresas e alguma excelência em sua proposta, que tira do espectador algumas boas risadas e alguma compaixão por seu caótico protagonista que esconde por trás de uma cortina de fumaça de excessos alguns segredos inesperados e tocantes.

Nota:  7/10
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