quinta-feira, 4 de junho de 2015

Crítica: Água para Elefantes | Um Filme de Francis Lawrence (2011)


Jacob Jankowski (Hal Holbrook) já passou dos 90 anos e não consegue esquecer um marcante período de sua juventude passado nos anos 30. Nessa época devido a difícil situação econômica do país, em plena Grande Depressão, Jacob Jankowski (Robert Pattinson), um ex-estudante de veterinária afligido pelas dívidas acumuladas da família foi levado a buscar emprego numa companhia circense onde conheceu para seu desgosto a forma brutal como homens e animais são tratados, ao mesmo tempo em que conheceu a mulher por quem se apaixonou.  Essa mulher era a grande estrela do espetáculo do circo, a encantadora de cavalos Marlena (Reese Whiterspoon), e também esposa do proprietário do circo, August (Christoph Waltz), um homem aparentemente carismático, embora extremamente perigoso quando suas maiores paixões, o circo e sua esposa, estão sob a ameaça de serem perdidas. “Água para Elefantes” (Water for Elephants, 2011) é um drama romântico histórico baseado no best-seller de mesmo nome lançado em 2006 por Sara Gruen. Sua transposição cinematográfica segue a risca a linha de sua inspiração literária: a história é narrada através do depoimento de Jacob Jankowski na forma de lembranças, enriquecidas por suas impressões sobre o cenário circense da época e as pessoas que o integravam; isso tudo perfeitamente romanceado pela magia dos anos 30. Sendo assim o cineasta austríaco Francis Lawrence (responsável por sucessos como “Constantine” (2005), “Eu Sou a Lenda” (2007) e “Jogos Vorazes – Em Chamas” (2013)) consegue entregar um longa-metragem carregado de inspiração e repleto de detalhes visuais, mas carente de uma paixão memorável que prepondere força.


Há algo que é imprescindível que seja dito sobre “Água para Elefantes”. O filme é simplesmente lindo aos olhos. Isso do mais simples enquadramento aos planos mais longos. Com uma direção de arte competente, fotografia virtuosa e figurinos deslumbrantes, esse longa-metragem tem em sua aparência suas melhores qualidades. E não se trata de um visual meramente fantasioso marcado de exageros comuns nem nada, mas uma sólida reconstituição de época fina e elegante como poucas. O resultado dessa produção valoriza a magia circense como poucas numa época de pouco encanto. O realismo da Grande Depressão se contrasta de forma natural o universo circense. Trata-se de um trabalho rico em detalhes muito bem combinados que enriquecem o desenvolvimento da ação que acompanha o trio amoroso composto por Robert Pattinson, Reese Whiterspoon, Christoph Waltz e uma elefanta cheia de personalidade chamada Rosie. O roteiro de Richard LaGravenese segue a base da obra literária, e explora com bom nível de profundidade temas universais como o encontro do destino, como a da própria liberdade em meio as diferentes escolhas da vida, o do amor que também é margeado pelo ciúmes. E se o jovem casal (Robert Pattinson e Reese Whiterspoon) entrega atuações funcionais ao conjunto, Christoph Waltz entrega mais uma brilhante interpretação de um personagem de personalidade complexa que oscila entre o carisma envolvente e aversão desencadeada por suas atitudes.

Água para Elefantes” consegue trazer a vida todo um período da história norte-americana através de uma montanha-russa de emoções que desencadeia tanto risos quanto lágrimas. Agradável para fãs do trabalho de Sara Gruen, interessante para ser descoberto por fãs de filmes de época, o trabalho realizado por Francis Lawrence tem as suas qualidades, embora ainda esteja longe de ser realmente memorável. Com vários elementos que remetem a lembrança de um Titanic sobre trilhos, o trem de August, como de sua própria companhia circense percorreu um terreno intensamente acidentado da vida até culminar numa tragédia memorável. Curiosamente, se a trajetória de Jacob Jankowski não desencadeia a mais intensa das emoções no espectador, a passagem onde Hal Holbrook a relata no final com revelações do rumo de sua vida após a tragédia é de um singelo toque quase impossível de não amolecer o coração.

Nota:  7,5/10
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4 comentários:

  1. eu abandonei esse filme pq estava assustada com os maus tratos com os animais. achei q era truque, mas eu vi q não ia aguentar. depois li que o diretor foi muito pressionado e criticado por maus tratos. não devo ver inteiro nunca. beijos, pedrita

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    1. Tem umas cenas fortes mesmo, e todas protagonizadas pelo ator Christoph Waltz. Difíceis de ver, mas necessárias ao contexto!

      bjus

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  2. Nossa... Detestei o filme. Tiraram a essência do livro. O alzheimer do protagonista.

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    1. Bem... tento separar esse aspecto que geralmente marcam todas as transposições literárias. Por exemplo: "As Aventuras de Pi" o filme ficou bem melhor do que o livro, mas em "A Menina que Roubava Livros" ficou sendo uma incógnita, sendo que o diretor colocou tudo que tinha mais força no livro na tela. Acho que ficou estranho, meio corrido e desconexo. Escolhas foram feitas, e nem sempre tudo que é cortado ou adotado da inspiração pode resultar em algo benéfico. Faz parte...

      abraço

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