sábado, 5 de dezembro de 2015

Cartazes Minimalistas de Luiz Arthuso | Cinema + HQ onde tudo se mistura

O cinema e as HQs tem se misturado profundamente de alguns anos para cá. Observando isso, o ilustrador e designer Luiz Arthuso criou uma série de inspirados cartazes minimalistas onde heróis e vilões dos quadrinhos representam obras cinematográficas icônicas como: "Kill Bill", "De Volta para o Futuro", "Star Wars", entre outros mais. É simplesmente, tudo junto e misturado em um trabalho bastante criativo aos sentidos. Um pequeno desafio de interpretação aos cinéfilos. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ela está com Você?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Crítica: Belle | Um Filme de Amma Asante (2013)


Dido Elizabeth Belle (Gugu Mbatha-Raw) é filha ilegítima de um almirante britânico da marinha real chamado John Lindsay (Matthew Goode) com uma escrava do continente africano. Após a morte da mãe, a criança é levada para a Inglaterra onde passa a crescer sob os cuidados da família de John Lindsay, o tio magistrado, o conde Manssfeld (Tom Wilkinson) e sua esposa, onde criada de acordo com os preceitos aristocráticos da cultura inglesa, a jovem inclusive dividia as regalias da burguesia britânica ao lado da prima de mesma idade, Elizabeth (Sarah Gadon), embora fosse alvo de olhares e manifestações preconceituosas por parte da nobreza que a cercava. Numa época onde a escravatura era encarada com normalidade, e o preconceito reinava sobre o território britânico com grande força, uma reviravolta ocorre após a morte do pai. Seu legado é deixado para Dido, onde o manto de hipocrisias e os jogos de interesses começam a transparecer e o desejo de lutar contra o preconceito ganha mais força com o apoio do tio. “Belle” (Belle, 2013) é um drama histórico britânico baseado em fatos reais da vida de Dido Elizabeth Belle (uma engajada idealista negra que expressivamente influenciou com que a Inglaterra abandonasse a atividade de comércio de escravos). O filme escrito por Misan Sagay e dirigido por Amma Asante é um excelente drama histórico, que mesmo que segundo alguns historiadores, os acontecimentos retratados não sigam ou descrevam com total precisão todos os fatos ao redor da protagonista e do elenco de apoio, se mostra uma respeitosa e necessária transposição do tema da luta contra o preconceito racial dentro da história.

Belle” é a busca da identidade de uma jovem em tempos difíceis para a vida humana. É o abandono da afortunada condição a qual se encontra (ainda que com ressalvas capturadas pela câmera da realizadora), para acabar com a indiferença. O seu engajamento conjunto com o tio, um influente juiz e seu pupilo, com quem Belle teve um romance, resultou na materialização de um ideal que se transformou no seu devido tempo em um fato: a Inglaterra abandonou a atividade do comércio de escravos muito antes de inúmeros países, e como consequência, se inicia a revolução industrial. Amma Asante (realizadora de “A Way of Life”, 2004) teve como inspiração para o filme uma pintura de 1779. Ao esmiuçar com alguma precisão certos comportamentos da época (a divisão de classes, a necessidade do casamento para jovens como garantia de sobrevivência e a influência do contato de Belle sobre sua família), Amma Asante acerta na escolha do material complementar que é necessário para o desenvolvimento dos acontecimentos que giram em volta do centro da trama: o da bravura de uma mulher voltada para a mudança social. Com atuações funcionais, sem solenes destaques, uma reconstituição de época competente e extremamente elegante, sem delirantes exageros visuais e uma presença visual oportuna conferida por um condicionamento técnico inspirado, “Belle” se engrandece pela agradável variedade de detalhes bem compostos pela produção (a direção de fotografia é belíssima, mesmo sem cenários épicos).

Sem o prestígio de obras similares como “12 Anos de Escravidão”, um premiado drama dirigido por Steve McQueen, “Belle” impressiona aos atentos à filmes de época competentes. Isso não somente por sua forma, mas pela mensagem que a sua realização intenciona passar ao espectador que desconhece sobre a identidade e o feito dessa jovem mulher. Embora não seja impecável em sua totalidade, onde poderia ser menos longo aos olhos de alguns apreciadores menos convictos de filmes do gênero, o longa-metragem é um justo reconhecimento de uma figura histórica que é capaz de desencadear reflexão.

Nota:  7/10    
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Crítica: Fome | Um Filme de Steve McQueen (2008)


Durante quase duas décadas de lutas armadas, a Irlanda conviveu sob constantes ataques e padeceu com os brutais atentados terroristas provocados pelo IRA (do inglês “Irish Republican Army”, denominado como o Exército Republicano Irlandês), um grupo paramilitar católico que buscava separar através de radicalismos a Irlanda do Norte do Reino Unido e automaticamente reanexar-se a República da Irlanda, isso atacando alvos prioritariamente protestantes ligados ao governo britânico. Dissolvido oficialmente em 2005, o grupo deixou um legado de histórias marcadas de sangue e sofrimento para posterioridade. Uma delas é a do prisioneiro irlandês do IRA, Bobby Sands (Michael Fassbender), quando em 1981 dá entrada no cumprimento de sua pena na prisão de Maze, em Belfast. Fervoroso ativista dos objetivos do IRA, Bobby Sands inicia uma luta contra sua condenação como criminoso comum e conduz uma greve de fome que é levada a cabo por todos os prisioneiros do IRA que permanecem nas dependências de Maze, e que reivindicam justiça pelo direito de morrerem na prisão como prisioneiros políticos que realmente são. “Fome” (Hunger, 2008) é um drama biográfico de cujo político produzido em parceria entre Irlanda e Reino Unido que foi escrito por Enda Walsh e Steve McQueen (o qual o segundo também assume a direção do filme). Baseado em um episódio real da vida de Bobby Sands, o britânico artista Steve McQueen tem em seu longa-metragem de estreia uma obra cinematográfica intensa emocionalmente, de visual brutal aos olhos e que também não é para todos os estômagos.


Poderoso, provocador e profundo, “Fome” é antes de qualquer coisa um pedaço marcante de seu realizador. É preciso ressaltar o quão soberbo que é esse trabalho de estreia de Steve McQueen. Na época um conhecido artista plástico do cenário da arte, hoje é um dos mais talentosos cineastas em atividade do cinema contemporâneo. Responsável por premiados filmes como “Shame”, em 2011 e “12 Anos de Escravidão”, em 2013, sua incursão no meio cinematográfico não poderia ter sido melhor. “Fome” transborda excelência em vários quesitos no gênero de filmes de presídio. Com uma abordagem menos política e mais aprofundada sobre a figura de Bobby Sands (onde o cineasta nos envolve nas últimas semanas de sua greve de fome), a interpretação de Michael Fassbender se mostra impecável, tanto na dedicação para compor o personagem quanto em seu desempenho na interpretação. Fassbender impressiona em várias cenas. Sobretudo, Steve McQueen constrói também uma magistral atmosfera de presidio e suas condições carcerárias críveis as quais o personagem é submetido na prisão, o que transporta o espectador ao enredo de forma profunda. Fassbender emagreceu gritantemente aos olhos para compor seu personagem (que depois de alguns dias em greve de fome evidentemente teria que emagrecer visivelmente aos olhos do espectador) rivaliza com outras performances marcantes como a de Christian Bale, em “O Operário”, ou de Matthew McConaughey, em “Clube de Compras Dallas”.

A busca de reconhecimento de Bobby Sands ganha contornos de realismo impressionantes pelas mãos de seu realizador, como pela atuação de Michael Fassbender que obviamente se entrega ao papel de corpo e alma para mostrar quem foi realmente Sands dentro da história da Irlanda, sobretudo do IRA. Visceral em seu conjunto, o filme alterna bem cenas ousadas de brutalidade com a essência de motivações de apelo universal do personagem principal de uma forma fluente. Por isso, “Fome” é em suma a impressionante materialização da competência de dois ícones do cinema contemporâneo.

Nota:  8/10 
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Capitão América: Guerra Civil – E que comecem os jogos

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Crítica: Guardiões da Galáxia | Um Filme de James Gunn (2014)


Em 1988, após a morte da mãe, o jovem Peter Quill (Chris Pratt) é raptado por um grupo de alienígenas. Esses alienígenas não passam de piratas espaciais e são liderados por Yondu Udonta (Michael Rooker). Duas décadas depois, Peter que agora é um aliado de seus sequestradores se lança em uma manobra sorrateira e rouba um precioso e poderoso artefato que quem o possui-lo pode dominar a galáxia. Sob o nariz de seus parceiros do crime, Peter o rouba com a pretensão de vendê-lo. Mas esse artefato também é o objeto de desejo de Ronan (Lee Pace), que está determinado a tê-lo para destruir o planeta Xandar. O que se inicia como uma caça a recompensas vem a frustrar o plano de Ronan, pois Peter une forças com um pequeno e excêntrico grupo de mercenários, onde a assassina Gamora (Zoe Saldana), o caçador de recompensas e mercenário, Rocket Racoon (com a voz de Bradley Cooper), seu amigo humanoide, Groot (Vin Diesel) e o vingativo Drax (Dave Bautista), passam a colaborar num plano para evitar que Ronan tenha o que deseja. “Guardiões da Galáxia” (Guardians of the Galaxy, 2014) é produção de aventura e ação pertencente ao universo da Marvel Comics. Produzido pela Marvel Studios, esse longa-metragem é adaptado e dirigido por James Gunn. Mesmo sendo mais supervalorizado do que impressionante, há uma dose considerável de genialidade em seu lançamento, que como grata consequência levou milhares de pessoas em 2014 aos cinemas para ver o resultado fazendo dessa produção um dos filmes da Marvel de maior sucesso.

Na fileira de produções da Marvel, “Guardiões da Galáxia” é uma surpresa para quem nunca ouviu falar de sua fonte nas HQs. E por assim dizer, visto por um olhar mais crítico pode se dizer que é uma produção tão arriscada quanto fascinante. Com história e personagens quase que desconhecidos do grande público, diferentemente de populares figuras da cultura pop como Hulk, Thor ou Capitão América, a Marvel apostou suas fichas e acertou em cheio na expansão cósmica de seus filmes. Saem de cenas os populares personagens e entra um pequeno grupo de incorrigíveis heróis envoltos em uma rede de intrigas politicamente incorreta. Essa reunião de um grupo de anti-heróis disfuncionais não poderia ter rendido uma transposição tão divertida quanto inesperada ao espectador comum, alheio as ramificações elaboradas do universo que a Marvel tem construído desde o primeiro filme do “Homem de Ferro”. Mesclando com um nível magistral de eficiência, que lança aos olhos dos espectadores todos os requintes típicos dos filmes do selo da Marvel, a ação, o humor e os personagens bem compostos que são permeados durante as poucas mais de duas horas de duração do filme, o cineasta e roteirista James Gunn casa bem com a proposta de cinema que a Marvel busca aos seus filmes e entrega um das melhores produções da produtora. Ainda que esteja conectada com todo trabalho feito até então nos filmes anteriores, “Guardiões da Galáxia” também funciona sem restrições como filme solo sem diminuir a experiência aos menos familiarizados. Funciona, e funciona bem. A trama reserva emoções, nostalgia, reviravoltas e várias surpresas, além dos costumeiros easter eggs.

E muito da funcionalidade dessa produção se deve ao entrosamento dos personagens em cena, onde atores pouco conhecidos como Chris Pratt, ou até mesmo Dave Bautista rendem cenas memoráveis de humor e diversão. Com um elenco de apoio de grandes nomes, o filme também conta com a presença de Benicio del Toro, Karen Gillan, Josh Brolin, Djimon Hounsou e John C. Reily. É quase impossível apontar com precisão o melhor personagem da trupe. Até mesmo o Guaxinim que leva apenas a voz de Bradley Cooper se destaca como diversão sem fazer esforço. Na verdade, tudo nessa produção é voltada para isso: divertir. Seja na aplicação de efeitos visuais que criam um espaço sideral visualmente fascinante e sequências de ação tão brilhantemente orquestradas como também incessantes. Um grande destaque se encontra na trilha sonora, que virou coletânea de culto de muitos cinéfilos após o lançamento do filme e tornou-se uma das trilhas sonoras mais vendidas em 2014. Por isso, “Guardiões da Galáxia” foi um risco assumido que deu certo. Tem o seu charme próprio, diferente dos demais filmes da Marvel, embora siga um punhado de regras de sucesso comprovado desse universo que não para de crescer.

Nota:  9/10  
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Crítica: O Abrigo | Um Filme de Jeff Nichols (2011)


Curtis (Michael Shannon) é um pacato cidadão de uma pequena cidadezinha da zona rural de Ohio. Homem de família íntegro, um competente trabalhador da construção civil, ele é casado com Samantha (Jessica Chaistain), uma complacente esposa com a qual possui uma delicada filha com deficiência auditiva. Em meio a tudo isto, algo vem a atrapalhar o sossego dessa família, quando sem explicação Curtis passa a ter alucinações que o fazem crer que estão prestes a serem abatidos por uma tempestade de proporções épicas e de consequências apocalípticas. Pondo em xeque sua própria sanidade, sendo que sua própria mãe mesmo se encontra internada em uma clínica psiquiátrica com diagnóstico de esquizofrenia, Curtis se questiona quanto a sua condição: ele está louco ou está mesmo sendo o mensageiro de uma premonição assustadora? Assim, oscilando entre a razão e a insanidade ele coloca em prática um plano de restaurar um abrigo anti-nuclear localizado nos fundos de sua casa que coloca consequentemente todas as pessoas ao seu redor em polvorosa. “O Abrigo” (Take Shelter, 2011) é uma produção dramática de suspense escrita e dirigida por Jeff Nichols. Um dos melhores filmes estrelados por Michael Shannon (que em 2008 havia sido indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme “Foi Apenas Um Sonho”), o ator retorna a fazer parceria com o cineasta Jeff Nichols (com quem o ator trabalhou em “Separados pelo Sangue) entregando para deleite dos espectadores um longa-metragem pouco conhecido, singular, fascinante por sua capacidade de ser intrigante do começo ao fim e que resultou em um suspense superlativo em vários quesitos.

Se distanciando com total segurança de soluções fáceis do cinema contemporâneo, a história em si, de “O Abrigo” reserva uma dose considerável de surpresas e competência em sua realização que o diferencia de um punhado de outras produções semelhantemente medíocres. Jeff Nichols demonstra total consciência do produto que quer realizar. Deixando de lado sustos elaborados e exageros gritantes que são solicitações de produtores equivocados, o roteiro de Jeff Nichols é bem mais centrado no poder da sugestão. Essa objetividade confere contornos fascinantes ao filme. O desenvolvimento da trama, inegavelmente enxuto, não deixa pistas fáceis para o desfecho, nos prendendo ao turbilhão de emoções vividas pelo protagonista. E essas emoções são brilhantemente materializadas pela interpretação de Michael Shannon, um ator que de posse de um bom roteiro e um papel de profundidade é capaz de surpreender como poucos atores em vigor no cinema hollywoodiano. Sobretudo, a presença da belíssima Jessica Chaistain colabora com perfeição para o conjunto de interpretações que ainda tem nomes como Kathy Baker, Tova Stewart e Shea Whigham. Apresentando efeitos visuais atinados e uma trilha sonora que proporciona intensidade nos momentos certos, há uma série de aspectos que impulsionam essa obra para nível de excelência espetacular. No final das contas, “O Abrigo” é um filme brilhantemente erguido por um conjunto de elementos bem escolhidos, que vão de sua teoria a sua materialização, mas sem duvida nenhuma sustentado pela inspirada interpretação de um ator muitas vezes subestimado nos corredores de Hollywood.

Nota:  8/10
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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Crítica: O Agente da U.N.C.L.E. | Um Filme de Guy Ritchie (2015)


Na década de 60, e com a Guerra Fria a pleno vapor, o agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill) e o espião da KGB, Illya Kuryakin (Armie Hammer) estão obviamente em lados opostos. Mas quando após uma constrangedora missão na Alemanha Ocidental onde esses dois se confrontam, ambos vêm a trabalhar juntos em uma missão conjunta com a filha de um renomado cientista, Gaby Teller (Alicia Vikander) para frear uma perigosa organização criminosa que tem o intuito de utilizar os conhecimentos científicos do pai de Gaby para construir uma bomba nuclear. Deixando de lado suas óbvias diferenças, esse inesperado trio terá que colaborar, apesar das suas diferenças em prol da paz mundial. “O Agente da U.N.C.L.E.” (The Man from U.N.C.L.E., 2015) é uma produção de comédia e ação de espionagem baseada em uma série de televisão exibida entre 1964 e 1968, e criada por Sam Rolfe. Naturalmente o trabalho do cineasta Guy Ritchie é um regresso nostálgico aos filmes de romance e espionagem da época em que se passa, realizados em preto e branco e que inspiraram a série original. Embora a história se mostre pouco ambiciosa, e certamente um dos aspectos mais frágeis dessa empreitada de Guy Ritchie, essa produção reúne um conjunto de elementos físicos e emocionais bastante expressivos para o divertimento do público.

Carregado de estilo e com uma dose de presunção quase imperceptível, “O Agente da U.N.C.L.E.” não se difere em muito dos trabalhos anteriores do cineasta londrino. Os famosos ritchismos (os maneirismos de câmera e edição comuns nos trabalhos anteriores do cineasta) estão lá, diferentes dos conhecidos dos fãs, mas ainda assim presentes. O cinema de homenagem de Ritchie agora tem menos recursos estilizados e mais burocracia. Mais contido nesse aspecto, o filme ganha pontos tendo um ótimo entrosamento do elenco principal, com destaque para Henry Cavill em meio às ideias comuns de filmes desse gênero. Armie Hammer também tem deixado para trás desempenhos negativos do passado (o longa-metragem da Disney chamado o “O Cavaleiro Solitário) e obtido performances agradáveis como nos tempos de “A Rede Social” e “J. Edgar”. E a presença de Alicia Vikander fecha essa trinca de boas atuações com louvor. Mas o filme perde sua força pela história genérica, que oscila entre a odiosa confusão causada pela excessiva agilidade narrativa e a desagradável complexidade dos acontecimentos, e sem ter grandes momentos memoráveis ou reviravoltas que se destaquem aos sentidos, o desenvolvimento dos acontecimentos ainda consegue felizmente ganhar o espectador pelo apuro do argumento que sempre se mostra bastante arrojado nos filmes do cineasta. Temperado com boas doses de humor (destaque para cena de tortura onde a cadeira elétrica demonstra uma má funcionalidade), Guy Ritchie enriquece ainda mais seu trabalho com uma trilha sonora nada óbvia e ao mesmo tempo bastante funcional que confere uma agradável sonoridade a ação que rola pela película.

O conjunto de regras que reina de forma intocada no desenvolvimento dessa produção (o alarmismo da ameaça nuclear, os vilões caricatos e as bugigangas de espionagem pouco críveis ao seu tempo), faz com que “O Agente da U.N.C.L.E.” seja tão previsível quanto competente. Mas isso não deve ser encarado resumidamente de forma negativa, e sim, mais precisamente necessária. E consequentemente isso talvez seja o aspecto mais incômodo dessa produção, mesmo que não prejudique o resultado de forma implacável. Diverte como deve ser, mas não agrega nada ao gênero como a maioria de produções similares. Sobretudo, essa tem a seu favor a justificativa de ser uma refilmagem de uma fonte tão antiga quanto andar para frente. No final das contas, o trabalho de Guy Ritchie tem a mesma funcionalidade agradável que seus outros projetos confeccionados em um grande estúdio.

Nota:  7/10
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domingo, 22 de novembro de 2015

Crítica: Esporte Sangrento | Um Filme de Sheldon Lettich (1993)


O ex-militar e habilidoso capoeirista, Beret Louis (Mark Dacascos) recentemente retorna do Brasil a sua terra natal. Em Miami, nas redondezas do bairro onde cresceu, Beret é confrontado com um panorama bem diferente do que imaginava do lugar onde cresceu, onde no decorrer dos anos em que esteve afastado a criminalidade e o tráfico de drogas tomaram o controle do futuro do bairro e consequentemente dos jovens que ali habitam. Buscando fazer a diferença, Beret reúne através da escola um pequeno grupo de jovens delinquentes e rebeldes sem causa num rigoroso treinamento de capoeira que pode conferir a eles além de curiosas habilidades marciais, também lhes proporcionar um senso de respeito mútuo e esperança que jamais imaginavam ter. Mas uma tarefa que naturalmente já seria difícil de ser executada por Beret, ainda tem num perigoso chefe de gangue outro obstáculo, pois o criminoso fará de tudo para manter o panorama inóspito do bairro que lhe oferece lucratividade. “Esporte Sangrento” (Only The Strong, 1993) é uma produção de ação estadunidense que tem contornos de pioneirismo ao abordar a Capoeira (arte marcial típica da cultura brasileira) de forma expressiva, não somente nas sequências de ação marcial, mas no próprio enredo. Dirigida por Sheldon Lettich e protagonizada por Mark Dacascos, um dos grandes astros de filmes B de ação dos anos 90 (e que até chegou a virar membro de elenco de apoio de luxo em produções hollywoodianas na década seguinte), o resultado dessa produção se nivela positivamente na memória de muitos espectadores, embora esteja repleto de clichês e nenhuma originalidade válida além de sua iniciativa pioneira.

Numa mistura de “Mentes Perigosas” com cenas de luta que usam a arte da capoeira para denotar a ação essencial do filme, o longa-metragem “Esporte Sangrento” não chega a ser tão sangrento quanto o título nacional sugere, embora o perigo da eficiência dos golpes seja explícito aos espectadores. Mas o filme em si não é apenas um desfile de vislumbrastes acrobacias, sendo que há uma necessária busca de redenção em seu enredo que o difere de um simples filme de artes marciais atochados de pancadaria. A antiga filosofia da capoeira é mais aplicada pelo protagonista nos jovens como forma de ressureição de caráter e autoestima (algo quase clichê em filmes esportivos norte-americanos), que segue as exigências do enredo em uma dura realidade. A capoeira é uma forma de recuperar jovens sem perspectivas que se encontram abandonados à própria sorte pelo Estado, ainda que ela também seja usada como recurso de ação. Com atuações niveladas com a produção de baixo orçamento, trilha sonora coerente com a capoeira, um argumento preso às burocracias do objetivo de inspirar atitudes benevolentes e um desenvolvimento que atende aos ávidos fãs de filmes de artes marciais numa boa medida, “Esporte Sangrento” é uma antiguidade comercial bem charmosa do gênero. Longe de ser magistral como vários outros filmes onde o Kung-fu é supremo, mas divertido como deve ser, o filme atende bem as suas necessidades. Os movimentos da capoeira, dos básicos aos mais complexos são bem retratados em boas sequências de luta, onde Dacascos se sai bem e não deixa naturalmente a desejar.

Nota:  7/10
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sexta-Feira 13


Lafar 88 Friday the 13th: Alternative Movie Poster

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Crítica: Velocidade Máxima | Um Filme de Jan De Bont (1994)


O que parecia ser apenas mais um dia na ensolarada cidade de Los Angeles, acaba se tornando um dia inesperadamente impressionante. Quando o psicopata Howard Payne (Dennis Hopper) coloca uma bomba em um ônibus do transporte coletivo da cidade, e que caso a velocidade do transporte venha a cair para menos de 80 km/h, o ônibus explode. Isso é o princípio de um plano terrorista que acaba de entrar em ação. Caso suas reinvindicações financeiras não sejam atendidas, o pior irá acontecer.  Assim o policial, Jack Traven (Keanu Reeves) entra no veículo e passa a contar com a ajuda da jovem passageira, Annie Porter (Sandra Bullock) para manter o ônibus em movimento independente das circunstâncias, isso dentro das reinvindicações do terrorista, enquanto o FBI tenta encontrar um meio de desarmar a bomba e impedir o sucesso do plano do terrorista. Numa corrida contra o tempo, todas as chances estão contra os passageiros e cabe a Jack mudar o rumo desse perigoso jogo, ao qual todos os passageiros desse ônibus estão sendo submetidos. “Velocidade Máxima” (Speed, 1994) é uma produção estadunidense de ação escrita por Graham Yost e dirigido por Jan de Bont. Sucesso de bilheteria da época, o impressionante resultado dessa produção continua a manter intacta uma expressiva quantidade de fãs que se formaram ao decorrer dos anos. Embora tenha gerado uma fracassada continuação (essa sem a presença de Keanu Reeves no elenco), que consta como sendo um desastre dos mais homéricos de Hollywood, o fato de ainda se discutir a possibilidade de um terceiro episódio mesmo depois de duas décadas, somente demonstra a força imbatível do filme original sobre os espectadores.

De uma improvável premissa, “Velocidade Máxima” é materialização do que há de melhor do cinema de ação dos anos 90. A sequência de introdução que se passa dentro de um elevador já denota o valor da elaboração desse longa-metragem. Jan De Bont, que antes dessa produção somente detinha uma vasta experiência como diretor de fotografia em blockbusters de sucesso, se mostrou inspirado ao fazer a mudança de função para a cadeira de diretor e agraciou o público com um filme de estreia icônico. Equilibrando ação e tensão com um nível de precisão impressionante, Jan De Bont se arma com toda a estrutura de um cinema de ação de qualidade e entrega um filme que prende a atenção dos espectadores do começo ao fim com enorme firmeza e competência. Além dos requintes de uma produção bem feita, o cineasta é auxiliado por dois astros em ascensão do cinema da época (Keanu Reeves e Sandra Bullock) que rivalizando com um veterano do cinema norte-americano, o ator Dennis Hopper, todos sem exceção entregam desempenhos imbatíveis e mais do que funcionais ao improvável enredo no qual praticamente a dupla de protagonistas não saem das dependências de um ônibus circular de passageiros de Los Angeles. E esse aspecto, das impossibilidades que ganham contornos críveis é um dos aspectos mais charmosos desse filme. Não é difícil embarcar na viagem do roteiro e torcer pelas vítimas do acaso. Em resumo, “Velocidade Máxima” é mais um daqueles nostálgicos filmes de uma boa fase do cinema dos anos 90. Através de sequências carregadas de emoções vibrantes para o espectador, cenas de ação de tirar o fôlego que são margeadas por um inesperado romance, esse filme é um daqueles que você não se cansa de ver reprisar.

Nota:  9/10 
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Crítica: Relatos Selvagens | Um Filme de Damián Szifron (2014)


Através de seis pequenos contos da vida, todos provenientes do simplório cotidiano popular, nós somos confrontados com uma realidade tão imprevisível quanto crua, onde os personagens rumam por uma linha tênue entre a civilidade e a barbárie. Nessa reunião de contos acompanhamos os acontecimentos ocasionados durante um dia de fúria na vida de um homem, o retorno de tristes lembranças de uma garçonete, o destino brutal de uma briga de trânsito, a revolta de um homem pelo sistema burocrático e ineficaz dos serviços públicos, o asqueroso jogo de poder aos quais pessoas de influência se beneficiam e por fim, os estranhos caminhos de uma festa de casamento. Nesse conjunto de acontecimentos, o espectador pode notar que são nos pequenos detalhes da vida que sob as circunstâncias adequadas é que podem surgir atitudes irreconhecíveis nas pessoas. “Relatos Selvagens” (Relatos Salvajes, 2014) é uma inspirada comédia de humor negro que foi escrita e dirigida por Damián Szifron (responsável pelo filme “Tempo de Valentes”, de 2005), como também foi protagonizada por Rita Cortese, Ricardo Darín, Nancy Dupláa e Dario Grandinetti. Longa-metragem selecionado para a Palma de Ouro com o prêmio de maior prestígio do Festival de Cannes, o filme também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na cerimônia do Oscar 2015. O filme, ao relatar os acontecimentos através de uma inspirada retratação, o cineasta Damián Szifron entrega um dos melhores filmes de vingança ocasionados pela perda do controle emocional que poderia surgir do cinema latino-americano.

As seis histórias sobre a perda de controle, e suas consequências são o material e a essência de “Relatos Selvagens”. Embora o filme tenha grandes nomes no elenco (leia-se Ricardo Darín, como sempre competente ator do cinema argentino), os personagens e seus desempenhos são bem divididos na tela e em proporções tão justas quanto impressionantes. Todos brilham em suas performances de modo bastante particular, como a direção de Damián Szifron, ao estabelecer um tom cômico às ações dos personagens, mostra mais do que um acerto ao desenvolvimento desse longa-metragem, mas sim, uma necessidade. Com um roteiro afinado pela mão de Damián Szifron, uma montagem funcional e atuações mais do bem entregues por parte de todo elenco, que equilibram bem a dramaticidade necessária para suas histórias com o teor cômico adotado pelo realizador, “Relatos Selvagens” surge como uma das melhores surpresas do cinema argentino em anos, e em meio a um vasto repertório de outros excelentes filmes que vem saindo de lá. As histórias de vingança protagonizadas por personagens que estão à beira, ou já ultrapassaram os limites da razão e perdem o controle, surgem de acontecimentos e circunstâncias casuais ganham desfechos tão inesperados quanto brutais e se alinham perfeitamente com a proposta oferecida pela direção, que acentua tudo com ares de comédia escapista que suaviza os contornos de sadismo que se encontram em seu desenvolvimento. “Relatos Selvagens” é uma brilhante comédia dramática que merece ser descoberta.

Nota:  9/10   
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sábado, 31 de outubro de 2015

Brinquedo de Gente Grande


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Crítica: Bata Antes de Entrar | Um Filme de Eli Roth (2015)


Evan Webber (Keanu Reeves) sempre se mostrou ser um bom marido e pai de família. Algo bem evidenciado ao percorrer os corredores de seu lar que está repleto de lindas fotografias de momentos agradáveis de sua sólida vida familiar. Mas quando em uma noite chuvosa, duas jovens garotas, Bel (Ana de Armas) e Genesys (Lorenza Izzo) batem inesperadamente a sua porta pedindo ajuda por estarem perdidas justamente numa noite em que Evan se encontra sozinho em casa, pois sua esposa e filhos estão viajando, seu futuro dá uma drástica guinada. Lentamente essas duas jovens começam a seduzi-lo e Evan não resistindo à tentação, se envolve em um esquentadíssimo ménage à trois. E o que parecia ser apenas uma quente noite de sexo, para sua surpresa logo pela manhã elas se revelam duas perigosas psicopatas dispostas a tudo para punir os seus pecados com o devido rigor. “Bata Antes de Entrar” (Knock Knock, 2015) é uma produção de terror psicológico escrito por Guillermo Amoedo, Nicolás López e Eli Roth, o qual o último também assume a direção e é inspirado em um longa-metragem de 1977, chamado “Jogo da Morte”. Roth, famoso por realizar filmes mais sanguinários como “Cabana do Inferno” e “O Albergue”, adota uma postura mais contida e nada radical em sua mais recente realização, buscando o efeito apavorante sobre os espectadores através do desempenho do elenco principal composto pelo astro Keanu Reeves, pela, Ana de Armas e por Lorenza Izzo, também esposa do diretor Eli Roth.

De premissa interessante, o potencial de “Bata Antes de Entrar” desaparece com a mesma lógica que a postura de marido exemplar que Keanu Reeves detinha nos primeiros minutos dessa produção. Em um arquitetado teste de fidelidade elaborado por duas convenientes femme fatale (com intenções semelhantes a da atriz pornô Marcia Imperator que abalou uma série de relacionamentos em um programa de auditório orquestrado pelo apresentador João Cleber durante muitos anos), ele cai previsivelmente numa armadilha tão inesperada quanto desconexa, digna de um reality show sensacionalista. O que até poderia render alguns momentos de tensão psicológica bastante propício ao conjunto da obra, na verdade os acontecimentos decorrem de forma cansativa ao espectador. Se de um lado da câmera temos Eli Roth que já não é um realizador associado a projetos exuberantes em termos de desenvolvimento de trama, do outro temos um elenco acuado pelo rumo esquisito da história, o que consequentemente reduz o trabalho dos envolvidos a um enrolado jogo de levar justiça aos pecadores sem a adequada construção de personagens afetada pelo ritmo acelerado e nervoso das atuações. Se havia uma intenção de desencadear algum efeito de reflexão no espectador, o filme falha grosseiramente nessa tarefa. Tudo se mostra um extenso jogo sem comprometimento crível.

Embora o roteiro lance algumas boas sacadas criativas, como um deturbado jogo de perguntas e respostas conduzido pelas duas desequilibradas beldades, onde o vulnerável personagem de Keanu Reeves é entrevistado e as respostas erradas aos olhos das duas é punido com tortura, o desenvolvimento da trama se rende a um progresso acomodado se mostrando excessivamente limitado e negativamente repetitivo. Como também as reviravoltas que lançadas sobre o espectador são apenas um aglomerado de acontecimentos burocráticos e que não possuem a força necessária para manter a atenção do público como teoricamente idealizado. Assim sendo, “Bata Antes de Entrar” se mostra uma perda de tempo bastante inferior aos filmes mais conhecidos de Eli Roth, e que dificilmente irá agradar até quem desconhece seu estilo de fazer cinema. Particularmente julgo o seu desfecho um desperdício de uma fantástica canção, que tem “Where is My Mind”, dos Pixies antes da subida dos créditos finais.

Nota:  5/10
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Crítica: Sr. Holmes | Um Filme de Bill Condon (2015)


A presença de um magnifico ator como Ian McKellen, associada a um personagem icônico da literatura como Sherlock Holmes é um orgulho que não cabe a qualquer realizador. Embora o trabalho aqui não seja esmiuçar nenhuma grande trama investigativa de difícil resolução a meros mortais, Bill Condon entrega de um modo bastante particular um longa-metragem igualmente fascinante. Tanto o trabalho de McKellen quanto de Condon, ambos tem de uma forma bastante elegante e eficiente às atribuições do mais famoso investigador do mundo. “Sr. Holmes” (Mr. Holmes, 2015) é um drama de mistério britânico e estadunidense baseado no romance A Slight Trick of the Mind, de Mitch Cullin que foi publicado em 2005 e que tem a figura de Sherlock Holmes como personagem principal, da autoria de Arthur Conan Doyle. Em sua trama, agora acompanhamos o detetive aposentado Sherlock Holmes (Ian McKellen), que com 93 anos em pleno ano de 1947, já está distante de suas atividades profissionais há quase 20 anos. Embora aposentado, sua reputação e seu talento para desvendar mistérios continuam intactos, apesar de serem ocasionalmente prejudicados pelo ímpeto da idade. Sua memória já lhe o submete a tensas armadilhas e vivendo numa distante fazenda apenas na companhia de uma governanta, a Sra. Munro (Laura Linney) e seu pequeno filho, Roger (Milo Parker), o qual o segundo divide com Holmes seu fascínio por abelhas e sempre se encontra interessado pela incursão de Holmes como escritor, o garoto acaba o ajudando a reconstituir um antigo e importante caso do passado que se recusa a desaparecer da memória e que inclusive lhe impulsionou a uma precoce aposentadoria.

Em uma segunda parceria entre o ator Ian McKellen e o cineasta Bill Condon (a primeira foi através de “Deuses e Monstros), “Sr. Holmes” é a materialização do melhor desses dois. “Sr. Holmes” é um filme meticulosamente elegante em sua aparência e comportamento, de argumento preciso que se beneficia de uma edição bem montada e que mesmo que os pequenos mistérios abordados na trama não tenham a grandiosidade esperada coerente com a fama do personagem título, despertam a atenção do espectador e reservam algumas surpresas agradáveis. O filme não possui inebriantes reviravoltas, mas delicados e necessários esclarecimentos que trabalham para a funcionalidade do todo. Marcado com boas atuações por parte de todo o elenco (ainda que personagens familiares como Dr. Watson e o irmão de Sherlock Holmes sejam apenas citados na trama), a trilha sonora sensível enriquece outros departamentos técnicos como de arte, que faz uma reconstituição de época precisa nos detalhes, ou de fotografia, que brinda o espectador com belas imagens ao longo da produção. Uma curiosidade: o ator Nicholas Rowe, que interpretou o Sherlock Holmes ainda na juventude no filme “O Enigma da Pirâmide”, de 1985, faz uma inesperada aparição na tela como o personagem Sherlock Holmes em uma transposição cinematográfica de um dos livros de Watson ao qual o ator Ian McKellen vai conferir numa certa passagem do filme. Por fim, “Sr. Holmes” não é necessariamente um longa-metragem que busca entregar ao espectador um quebra-cabeça ou um enigma desafiador aos sentidos sobre misteriosos assassinatos. É mais um drama sobre o necessário aprendizado do envelhecimento, a reciclagem das experiências de vida em benefício dos mais jovens e do quão importante que podem ser as abelhas em nossas vidas.

Nota:  8/10
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Crítica: Seven: Os Sete Crimes Capitais | Um Filme de David Fincher (1995)


Quando o recém-chegado detetive David Mills (Brad Pitt) chega ao departamento de homicídios e é forçado a armar uma parceria inesperada com o experiente detetive William Somerset (Morgan Freeman), isso a poucos dias de sua aposentadoria, ambos são confrontados com uma intrigante investigação que mudará o rumo de suas vidas: encontrar um perigoso serial Killer que fundamenta seus doentios crimes com base nos sete pecados capitais. “Seven: Os Sete Crimes Capitais” (Se7en, 1995) é um thriller policial estadunidense escrito por Andrew Kevin Walker (também responsável pelo roteiro de “8 Milímetros” e “O Lobisomen) e dirigido pelo renomado cineasta norte-americano David Fincher. Entre um dos mais expressivos filmes de sua época, que lançado em setembro de 1995, é justificada que a sua relevância e reputação continua intacta mesmo 20 anos após seu lançamento. Algo praticamente profetizado pelo serial Killer John Doe, que a certa altura da trama, quando ao afirmar com a certeza do que a princípio parecia ser apenas uma série de crimes hediondos, aparentemente comum e esquecível, mas que quando todos estiverem terminados, o significado desses seus atos teria um alcance muito mais longo do que os detetives David Mills e William Somerset conseguem ver de imediato. Verdade seja dita: considerando a relevância da obra na história do cinema, onde serviu de inspiração para uma infinidade de outras obras menos expressivas, “Seven” segue imbatível como um dos melhores suspenses policiais de um cinema mais contemporâneo.


Provavelmente sendo um dos filmes mais fascinantes dos anos 90, “Seven: Os Sete Crimes Capitais” faz parte de um generoso legado de bons filmes permeado pelos mais variados gêneros dessa década. Esse longa-metragem é dono de um requinte visual mais que expressivo herdado da experiência de seu realizador na área de vídeos musicais (onde na época David Fincher já havia dirigido clipes musicais para artistas como Madonna, Billy Idol e Aerosmith), onde logo no início da sombria entrada dos créditos denota a essência de sua natureza. David Fincher mescla com precisão uma densa história que está cheia de boas sacadas, personagens fascinantes e bem construídos e, sobretudo sob uma estética visual e rítmica de cinema noir bem aplicada em prol do conjunto da obra. O fascinante contraste da parceria surgida do novato detetive interpretado por Brad Pitt e o experiente guru das investigações interpretado por Morgan Freeman na incessante caçada de uma tão complexa quanto insana mente criminosa materializada pela brilhante atuação de Kevin Spacey são entre muitas qualidades do filme as que mais se destacam. O conjunto de elementos que compõem essa obra seja técnico ou criativo é um deleite aos apreciadores do gênero. Inclusive esse filme também foi um grato impulso ao subgênero de filmes de serial Killer que passava por uma condição de desgaste aparentemente irreversível. Aparentemente. O filme é a materialização de uma trama de uma ideologia psicótica bem fundamentada a proposta da produção, que repleta de surpresas originais possibilitadas por bons diálogos e situações funcionais, acima de tudo o resultado exibe uma condução primorosa que segura a atenção do espectador sem folga. 

Embora o rumo da trama tenha um desenvolvimento fantástico do começo ao fim, alternando picos de tensão e suspense inigualáveis dentro do gênero, isso eu afirmo sem exageros, “Seven: Os Sete Crimes Capitais” é provavelmente dono de uns dos desfechos mais fascinantes do cinema. Entre muitas qualidades que surgem na tela de forma bem escolhida, seu final é simplesmente de cair o queixo.

Nota:  10/10
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sábado, 10 de outubro de 2015

O Brazil de Terry Gilliam

Fan Art

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crítica: Intocáveis | Um Filme de Olivier Nakache e Éric Toledano (2011)


Phillippe Cluzet (François Cluzet) é um educado milionário francês que após um acidente ficou tetraplégico. Embora esteja sempre cercado de funcionários, devido a sua delicada condição física ele precisa de um auxiliar de enfermagem para ajuda-lo nas tarefas mais simples de seu cotidiano. Fato que consequentemente o deprime diante da vida. Diante da inevitável necessidade de uma nova contratação de um profissional para auxilia-lo nas rotineiras tarefas, entre muitos candidatos surge o recém-libertado da prisão, Driss (Omar Sy), um senegalês radicado nos subúrbios de Paris que se candidatou para a vaga de enfermeiro apenas para cumprir com as formalidades de sua soltura. Porém, Driss de uma forma um tanto estranha cativa seu contratante, e dessa estranha união de opostos surge uma inesperada amizade que fará com que Phillippe venha a encontrar novamente o prazer de viver que lhe foi tomado após o trágico acidente. “Intocáveis” (Intouchables, 2011) é uma comédia dramática francesa escrita e realizada por Olivier Nakache e Éric Toledano. Baseada na real história de amizade entre o milionário Philippe Pozzo di Borgo e o jovem argelino, Abdel Selou, abordada no livro autobiográfico Le Secound Souffle, essa história já havia rendido um documentário chamado “A La Vie, à La Mort” e dois best-sellers, um escrito por Philippe e outro por Abdel. De contornos dramáticos sensíveis que habilidosamente foram equilibrados com uma boa dose de humor, a dupla de cineastas franceses, Olivier Nakache e Éric Toledano conseguem entregar um produto tipicamente americano em sua essência, entretanto imensamente mais inspirado e divertido do que a maioria de produções do gênero oriundas do mercado norte-americano.


Um imbatível sucesso de bilheteria na França (o filme bateu recordes de bilheteria se tornando no final das contas uma das produções francesas mais rentáveis da história do cinema francês), “Intocáveis” conquistou rapidamente o mundo com sua forma simples e sincera de mexer com as emoções contidas do público. Sobretudo, da crítica que não poupa elogios para sua forma acessível e equilibrada de emocionar. Essa produção tem inúmeras indicações e ganhou vários prêmios nos mais variados festivais de cinema pelo mundo, o que mostra que a história da improvável e sincera amizade de dois sujeitos tão diferentes aos olhos da maioria das pessoas (um negro suburbano sobrecarregado de problemas e um aristocrata inacessível) ganhou merecidamente a empatia dos mais variados públicos do mundo. Brilhantemente protagonizado por François Cluzet e Omar Sy, auxiliados promissoramente por um elenco de apoio igualmente inspirado (com destaque para Anne Le Ny no papel de governanta da residência do aristocrata), o filme tem em seu conjunto de elementos bem relacionados com a fórmula a qual adota para fazer sucesso a sólida sabedoria de como agradar. Desprovido de melodramas forçados que são geralmente ocasionados por roteiros insistentemente acomodados e apelativos, o filme tem na química agradável que rola entre os protagonistas, muitas vezes gerando momentos vibrantes no ritmo, o seu maior acerto. Além de tudo é claro, essa produção tem uma genial trilha sonora que pontua momentos cruciais do andamento da trama, como um conjunto técnico vistoso. “Intocáveis” é um programa leve e divertido, que deixa com toda elegância francesa, uma infinidade de outras produções parecidas no esquecimento.

Nota:  8/10
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Coming Soon: Tubarão 19


terça-feira, 6 de outubro de 2015

De Volta para o Futuro | Porque o futuro é agora!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Crítica: Perdido em Marte | Um Filme de Ridley Scott (2015)


Há vida inteligente no espaço. Mais precisamente em Marte. Baseado no romance The Martian, de Andy Weir, a transposição cinematográfica dessa obra é a confirmação disso. “Perdido em Marte” (The Martian, 2015), uma produção de ficção científica que usa o argumento de Drew Goddard (autor do roteiro da sci-fi “Cloverfield” e diretor do terror juvenil “O Segredo da Cabana”) e  é dirigida por Ridley Scott em seu primeiro longa-metragem de relevância em muitos anos. O filme aborda essa possibilidade com um realismo técnico impecável e com uma combinação bem escolhida de boas ideias oriundas de outros icônicos filmes que resultam no final das contas, em um longa-metragem de sobrevivência dramático e envolvente. Scott, que não emplaca um verdadeiro sucesso a altura de sua filmografia do passado (“Blade Runner: O Caçador de Andróides” e “Alien: O Oitavo Passageiro”), acerta em cheio na realização desse produto que tem o tão discutido planeta vermelho no centro das atenções. Na verdade, Ridley Scott mostra o que já era de conhecimento público aos familiarizados com seus filmes: É no terreno da ficção científica que mora seu talento. E ao aliar uma boa história com seu talento, não é surpresa para ninguém que haja uma funcionalidade agradável nessa produção. Em sua trama acompanhamos a história do astronauta Mark Watney (Matt Damon), que em uma expedição ao planeta vermelho é surpreendido por uma terrível tempestade e deixado para trás pelo restante da tripulação que parte em direção do planeta Terra, como também dado como morto devido à gravidade das circunstâncias. Porém, Watney sobrevive ao acontecimento e com inteligência e determinação, envia um sinal de socorro e toma providências para tornar sua permanência em Marte mais duradoura possível, já que a hipótese de uma missão de resgate é logicamente improvável.


Perdido em Marte” se apoia em informações cientificas da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) para dar a devida credibilidade ao seu desenvolvimento. E Ridley Scott consegue dar fluência a essa iniciativa de forma bem orgânica, pois a engenhosidade dos métodos da Nasa é conciliada com a esperteza dos envolvidos na produção. Em sua essência, trata-se de um “Resgate do Soldado Ryan” no espaço com traços de “O Náufrago”, entretanto com uma série de atrativos próprios. Matt Damon está desolado num planeta de atmosfera e condições de sobrevivência insustentáveis, onde ele deve usar sua engenhosidade para sobreviver. O que consequentemente desperta a curiosidade no espectador em como ele irá fazer isso. Ao mesmo tempo, há uma ação paralela de resgate por parte da tripulação em confronto com o comando da Nasa que preenche alguns vazios e intercala as passagens solitárias do protagonista com algo mais que desencadeia ações intrigantes, materializadas em bons diálogos e atitudes impactantes. O que também recheia a história com grandes e talentosos nomes de Hollywood (Jessica Chastain, Jeff Daniels, Sean Bean, Kate Mara, Michael Peña e Kristen Wiig), contrariando a aparente premissa solitária de Damon em sua luta pela sobrevivência. Com um visual esplendoroso, conferido por efeitos visuais inspirados de um realismo inquestionável, Marte está reproduzida de forma brilhante que transparece toda e provável solidão e imensidão que Matt Damon está sendo submetido. Por fim, “Perdido em Marte” é um retorno satisfatório e realmente representativo do cineasta, onde o filme tem um desempenho mais que promissor de Matt Damon e companhia e talvez seja um dos melhores filmes do ano.

Nota:  9/10
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domingo, 4 de outubro de 2015

Crítica: Assassinos Substitutos | Um Filme de Antoine Fuqua (1998)


John Lee (Chow Yun-Fat) é um experiente e leal matador profissional. Simplesmente o melhor que o dinheiro pode comprar. Prestando serviço para a máfia chinesa, esse assassino entra em choque com o chefão da organização quando se recusa a executar um trabalho que toca sua consciência. Jurado de morte, lutando para salvar sua vida, John Lee acaba se envolvendo com Meg Coburn (Mira Sorvino), uma talentosa falsificadora de documentos que é contratada para confeccionar passaportes falsos para a fuga de Lee do país em direção à China. Transformados em alvos de novos e perigosos assassinos contratados pela máfia, John e Meg unirão forças para escapar desses novos assassinos. “Assassinos Substitutos” (The Replacement Killers, 1998) é filme de ação policial escrito por Ken Sanzel e dirigido pelo diretor norte-americano Antoine Fuqua, em seu primeiro longa-metragem de ação após uma promissora carreira como realizador de vídeos musicais de bandas de sucesso. Produzido por John Woo, um genial cineasta que na década de 80 e 90 criou fantásticos exemplares Made in Hong Kong para o gênero da ação que ganharam o mercado mundial como poucos, e que curiosamente estrelados por Chow Yun-Fat, essa produção tem várias das características estéticas e narrativas de seu produtor e que consequentemente ressoam sobre filmes como “The Killer – O Matador” (1989) e “Fervura Máxima” (1992). Com uma mistura bem criada de ação e atmosfera, Antoine Fuqua entrega um filme visualmente bem elaborado e de contornos dramáticos de grande funcionalidade.

Assassinos Substitutos” foi um filme de estreias e de teste para muitos dos envolvidos. Enquanto Fuqua ainda era visto por muitos com suspeitas de ter a competência necessária para conduzir uma produção ambiciosa comercialmente, o que desencadeou um clima pesado entre ele e o estúdio responsável, tem-se ao mesmo tempo nessa produção a estreia de Chow Yun-Fat no cinema estadunidense, além da presença de Til Schweiger (o soldado alemão que é aliado dos Bastardos Inglórios no longa-metragem de Quentin Tarantino), que faz o papel de um dos assassinos substitutos que dá nome ao filme. Com uma trama enxuta, que alia bem ação estilizada e uma carga dramática válida a proposta, a regra em vigor do seu desenvolvimento é presentear o espectador com as mais fantásticas sequências de ação e tiroteios no melhor estilo Hong Kong de se fazer cinema. Com atuações bem desempenhadas, seja pelo casal de protagonistas ou pelo elenco de apoio formado por Michael Rooker, Danny Trejo, Til Schweiger e Kenneth Tsang, o filme acerta em cheio no equilíbrio de trama bem ajustada à necessidade de gerar adrenalina. De um conjunto técnico brilhante, onde a direção de fotografia confere uma beleza estética rara aos acontecimentos, e a trilha sonora um ritmo envolvente para as passagens de emoção (com destaque para a sequência inicial pontuada pelo grupo The Crystal Method), é certo que a composição do trabalho de Fuqua não é nenhuma novidade. Mas a eficiência do que é aplicado em “Assassinos Substitutos” é de uma excelência que beira ao impecável dentro de sua proposta. Um grande filme para fãs de filmes de ação frenética que não tem do que se envergonhar diante de outros ícones de sua época.

Nota:  8/10
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Let's Dance Cinéfilos!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Demolidor


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Crítica: A Entrevista | Um Filme de Seth Rogen e Evan Goldberg (2014)


Alguns filmes fazem muito barulho por nada. Certos filmes em fase de pré-lançamento acabam ganhando muito mais notoriedade perante a mídia do que às vezes é merecedor. E isso é em função de alguns aspectos polêmicos que envolvem sua produção. O cinema está repleto de exemplos desse fenômeno, onde após uma olhada mais concisa do público e da crítica se acaba chegando a esse remate. E esse é o caso de “A Entrevista” (The Interview, 2014), uma comédia estadunidense politicamente incorreta, a qual o roteiro de Dan Sterling (com base na história criada por Sterling, Seth Rogen e Evan Goldberg) e direção conjunta de Seth Rogen e Evan Goldberg, os espectadores podem chegar a essa conclusão. Em sua trama acompanhamos o produtor de um famoso programa de entrevistas, Aaron Rapaport (Seth Rogen) e seu popular entrevistador, Dave Skylar (James Franco). Mesmo com o programa fazendo muito sucesso, Aaron não está satisfeito com o nível de seu trabalho e anseia por conferir mais relevância ao programa. E quando descobrem que o temido ditador norte-coreano Kim Jong-um (Randall Park) aprecia o programa, a dupla busca fazer uma entrevista com ele. Curiosamente o ditador aceita o convite, e a CIA aproveita a inusitada situação elabora um destemido plano conjunto com os dois para envenenar o ditador e por fim a ameaça nuclear que Kim Jong-um oferece aos Estados Unidos. Mas de cara, Skylar e o ditador já viram amigos, o que se mostra o começo de uma série de confusos que a CIA nem imaginava que poderiam acontecer.


A Entrevista” conheceu a fama antes mesmo de ser lançado. A comédia ganhou abrangência mundial, após cair em conhecimento público de estar fazendo um retrato negativo sobre a figura de Kim Jong-um. E quando veio a tona algumas notícias sobre o vazamento de informações na Sony Pictures Entertainment devido a ataques de hackers norte-coreanos, cancelamentos e adiamentos de estreia por medo de retaliação, uma série de ameaças de bombas caso o filme fosse lançado e um punhado de outras manchetes alarmantes em volta dessa produção, fez com que esse filme conhecesse a fama antes mesmo do sucesso. Muito barulho por nada. Na verdade, em termos políticos “A Entrevista” não alveja diretamente a Coréia do Norte, e sim atira para todos os lados (e é nas piadas que tiram sarro da própria cultura que conseguem um nível melhorado de eficiência). Embora o enredo tenha surgido aos olhos de muitos como uma imperdoável e arriscada afronta ou ameaça ao governo coreano, o filme em si não tem força alguma para se mostrar relevante como imaginado. Através de muito humor que visto por muitos, como de mau gosto, escatologia e piadas infames, o filme se apoia simplesmente no carisma da dupla de protagonistas para se manter em destaque. Embora tenha algumas boas piadas, onde os dois evidentemente se divertem mais do que o próprio espectador, essa produção alcança um nível de funcionalidade mediano que inclusive não agrada todo mundo na mesma proporção. Quase que sendo um repeteco da parceria anterior realizada em “É o Fim” (2013), comédia bem-sucedida também co-dirigida por Seth Rogen e estrelada por James Franco, “A Entrevista” não é aquilo tudo (ainda que ligeiramente divertida), e muito menos ainda uma ameaça a alguma nação dominada por algum regime militar totalitário.

Nota: 6/10
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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Crítica: 3 Dias para Matar | Um Filme de McG (2014)


Ethan Renner (Kevin Costner) é um veterano agente da CIA que descobre estar com uma doença terminal logo após uma desastrosa missão de campo. Afastado da CIA em função da doença que lhe confere poucos meses de vida, ele se dispõe a um último serviço oferecido pela agente Vivi Delay (Amber Heard) em troca de droga experimental que pode prolongar um pouco mais seus dias. O serviço: identificar e matar um perigoso traficante de armas alemão chamado o Lobo (Richard Sammel), que também foi o responsável pelo desastre de sua missão anterior, e que possivelmente Ethan é o único que pode reconhecer. Mas mesmo com essa difícil missão, seu maior temor está no processo de reconciliação com sua filha adolescente, Zooey (Hailee Steinfeld) a qual não via há muitos anos e precisa corrigir seus erros do passado como pai ausente porque o tempo é curto devido a sua condição física. "3 Dias para Matar” (3 Days For Kill, 2014) é um filme de ação escrito por Luc Besson e Adi Hasak e dirigido por McG (responsável pelos filmes “As Panteras” 1 e 2). Ainda que essa produção não ofereça nenhuma novidade ao tentar erguer um fiapo de história a um nível de excelência anos luz distante de ser materializado, curiosamente ela reserva ao mesmo tempo algumas surpresas.

Há duas formas de ver "3 Dias para Matar”:

1 - Parece ser: Um suspense de espionagem frenético, de roteiro internacional que passa pela Rússia e Paris e que tem como protagonista, um experiente ator de desempenho dramático, como também aparentemente preparado para cenas de perseguição e tiroteio no melhor estilo Busca Implacável. O trailer sugere isso, como o cartaz confere um tom de mistério típico dos suspenses de espionagem que possuem seus mistérios próprios (uma combinação de ideias que culmina no protagonista). Tanto o título, como o próprio enredo transparece a urgência da ação (apenas 3 dias) para que o mocinho descubra o paradeiro do vilão e salve o dia numa jornada de perigos e uma enxurrada de clichês hollywoodianos. Além disso, o herói ainda consegue fazer as pazes com seu passado ao buscar uma reconciliação com sua filha, o que disponibiliza uma dose de emoções dramáticas interessantes para um filme onde praticamente o espectador busca apenas ação e reviravoltas bem pontuadas por um condicionamento técnico arrojado.


2 - Realmente é: Se muito do que parece ser está presente na fórmula de sucesso dessa produção, uma coisa é certa: o trabalho do diretor, como a própria atuação do Kevin Costner está mais para comédia do que outra coisa. Toda violência estética e a brutalidade que se esperaria de um filme desses não só é suavizada pelo tom cômico com que é conduzida, como pode-se dizer que substitui esse aspecto. Se não dá para ficar impressionado com o a ação, que demostra um evidente destempero, pelo menos dá para tirar boas risadas do desconcerto da paternidade do agente Ethan Renner. Cenas como a que quando um dos capangas do grande vilão (um pai de três meninas que passou algumas cenas antes dando dicas de como educar filhas) pergunta para Ethan porque ele não o mata, a resposta traça o objetivo dessa produção. É apenas para divertir toda família. Embora tenha e siga uma série regras dos filmes aos quais se inspirou (ou por assim dizer, que Luc Besson está habituado a criar), o espectador precisa estar preparado para dar algumas boas risadas e esquecer uma infinidade de furos de roteiro e soluções surreais que conciliam a vida de um agente com o exercício da paternidade presente.

Por fim, “3 Dias para Matar” está longe de fazer justiça ao talento do astro Kevin Costner, ator ligado a filmes icônicos como “Dança com Lobos” (1990), “Robin Hood: O Príncipe dos Ladroes” (1991), “JFK” (1991) e “O Guarda-Costas” (1992), embora tenha todos os trejeitos de seu realizador, que oriundo do universo do vídeos musicais da moda, não deixa de cuidar da trilha sonora de seus filmes com o mesmo afinco do resto.

Nota:  6,5/10  
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Crítica: O Exterminador do Futuro: Gênesis | Um Filme de Alan Taylor (2015)


Em 2029, depois de anos lutando com a resistência humana na guerra contra as máquinas, John Connor (Jason Clarke) líder da resistência executa uma manobra tão inevitável quanto imprescindível nessa guerra. Consciente das intenções da Skynet de enviar um perigoso exterminador ao passado objetivando assassinar sua mãe Sarah Connor (Emilia Clarke), antes do seu nascimento, já que as máquinas vislumbram uma eminente derrota, John envia em seguida o sargento Kyle Reese (Jai Courtney) ao ano de 1984 com a intenção de garantir a segurança dela. Mas algo de estranho aconteceu, pois quando Reese chega ao presente planejado encontra um passado diferente do esperado, no qual Sarah já tem como protetor outro guardião, o T-800 (Arnold Schwarzenegger), que foi enviado para protegê-la desde quando ainda era uma criança. Diante de uma nova e desconhecida versão do passado descrita por Connor, Reese tem uma missão muito mais difícil quanto inesperada: redefinir o futuro. “O Exterminador do Futuro: Gênesis” (Terminator Genysis, 2015) é uma produção estadunidense de ficção científica escrita por Laeta Kalogridis e Patrick Lussier. Dirigida por Alan Taylor (realizador de “Thor – O Mundo Sombrio), essa produção é o quinto filme da cinessérie iniciada em 1984 por James Cameron. Esse filme teve uma icônica sequência (O Exterminador do Futuro: O Dia do Julgamento Final) em 1991, mencionada por muitos como uma das mais influentes obras da ficção científica dos últimos tempos, um terceiro episódio (O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas) em 2003, ligeiramente espelhado no segundo filme e um quarto longa-metragem de guerra (O Exterminador do Futuro: A Salvação) lançado em 2009.


Numa mistura desequilibrada de reboot com continuação, “O Exterminador do Futuro: Gênesis até pode ser uma reapresentação significativa para novos espectadores, mas ainda assim se mostra muito decepcionante aos familiarizados com o status do personagem principal e, sobretudo da franquia. Entre os cinco filmes, talvez esse seja o menos envolvente. E muito disso se deve a intenção dos produtores em dar um novo gás inesperado à franquia. Assim sendo, a regra em vigor nessa produção é a seguinte: Por que simplificar se nós podemos complicar ainda mais o que já era visto com um difícil entendimento? Os roteiristas não poupam os espectadores de soluções confusas que nem o próprio Arnold Schwarzenegger consegue chegar perto de provavelmente entender (questões sobre espaço tempo contínuo e paradoxos temporais), onde tudo é arremessado sobre o público sem embasamento, que atordoado por sequências de ação deslumbrantes fica refém do que pode ser apenas apreciado com os olhos. Em meio ao resgate de elementos familiares da franquia (o policial interpretado por J. K. Simmons) combinados com novas e reveladoras ideias (agora a gente sabe como os humanos tiveram acesso à máquina do tempo), peca em inutilizar por completo sua fascinante e conhecida história. Essa repaginada soa forçada em várias passagens, e embora tenha tido um acabamento técnico surpreendente e muito melhorado em comparação aos filmes anteriores, algumas sequências de ação principalmente ganham uns contornos incômodos (uma perseguição de helicópteros parece saída de um filme de “Star Wars).

Infelizmente o elenco não contribui em muito em comparação aos nomes do passado. Se Arnold Schwarzenegger está à vontade no papel do T-800, embora prejudicado pelo roteiro, Emilia Clarke não tem a força de Linda Hamilton. Enquanto Jason Clarke não tem a presença de tela de Christian Bale, Jai Courtney interpretando Kyle Reese (um dos personagens que até então não tinha sido devidamente explorado na franquia) não consegue conferir simpatia a seu personagem. De resto, as familiaridades se encerram nas figuras ainda que se preserve algumas características (o policial líquido que dá ritmo a uma grande parte do corre-corre). Por fim, a franquia do Exterminador é uma daquelas que insiste em não morrer enquanto trouxer lucratividade. Mas si caso “O Exterminador do Futuro: Gênesis vier a ser um último episódio, infelizmente resultou num filme medíocre diante de seu potencial.

Nota:  5/10    
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