quarta-feira, 11 de junho de 2014

Crítica: Expresso do Amanhã | Um Filme de Bong Joon-ho (2013)


São poucos os filmes que podem se orgulhar de ter explorado todas as possibilidades possíveis de contar a sua história e mostrar que é mais do parece ser em premissa. “Expresso do Amanhã” (Snowpiercer, 2013) talvez seja um forte candidato há produções que ostentam essa qualidade, ainda que não seja também de um brilhantismo unânime. O que começa com uma premissa curiosa ao gênero de filmes que se passam num futuro pós-apocalíptico, se sucede um desenvolvimento de aparência de filmes B com contornos de game (cada obstáculo superado para se concluir o objetivo remete a uma fase de jogo de videogame) levando a ação a um desfecho que entrega uma série de esclarecimentos arrebatadores e inesperados. Baseado numa HQ francesa chamada “Le Transperceneige”, em sua trama o espectador é levado ao interior de um trem chamado Snowpiercer que percorre todos os extremos do mundo, já a cerca de 17 anos onde dá voltas ao mundo. Após a equivocada aplicação de um experimento científico cuja finalidade era frear o aquecimento global, mas que consequentemente acabou criando um fenômeno glacial fatal por todo planeta dizimando praticamente toda vida, os poucos sobreviventes da humanidade residem confinados ao trem como sendo o único refúgio para sobrevivência. Mas nesse limitado habitat ferroviário, o trem é dividido por classes sociais, onde os desfavorecidos passageiros que permanecem no último vagão sobrevivendo sob condições miseráveis e misteriosas passam a arquitetar uma rebelião para tomar o controle do trem e iniciar uma revolução que irá mudar não somente suas vidas, mas do futuro da humanidade.


Expresso do Amanhã” é o primeiro longa-metragem na linha inglesa conduzido pelo diretor sul-coreano Bong Joon-ho (Memórias de um Assassino, 2003). Em um trabalho multinacional entre Estados Unidos, Coreia do Sul, França e República Tcheca, essa produção é produzida pelo realizador do icônico “Oldboy”, Park Chan-wook. Com uma realização visualmente arrojada, narrativamente inventiva que acomoda cenas de extrema brutalidade com momentos de inspirado lirismo que são compilados em uma apresentação bem fundamentada em vários aspectos (já que o roteiro não deixa pontas soltas negligentemente), “Expresso do Amanhã” se mostra uma produção fascinante repleta de surpresas, embora as melhores sejam adiadas genialmente para o último ato. Muitas das nuances que provavelmente possam passar despercebidas ao espectador, onde um motivo para isso ou aquilo, ou até mesmo um olhar de divagação ganham lógica e a devida atenção a certo ponto da história, mostram as verdadeiras intenções dessa produção. Com um elenco multicultural de performances mais do que funcionais contribuem para solidificar a proposta oferecida por esse longa-metragem de ficção. Repleto de dilemas, onde o moral é o mais dos expressivos, decisões difíceis e atitudes sem volta compõem um repertório variado de aspectos bem elaborados que se revelam no tempo certo. “Expresso do Amanhã” é bem mais do que parece ser e somente por isso, já vale ser conferido com a devida atenção. Os mistérios a serem revelados a cada vagão que é transpassado em direção a casa das máquinas é uma surpresa não somente aos sofridos personagens, mas acima de tudo ao espectador.

Nota:  8/10
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2 comentários:

  1. Filmaço, valeu cada minuto. A cena que mostra de que é feita a comida dos pobres é memorável, todo mundo come e ninguém pensa duas vezes antes de pedir mais.

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    1. Falando de cenas marcantes, julgo o momento que precede o confronto com as machadinhas. Sinistro... além é claro... do desfecho no qual é erguido o alçapão numa reviravolta fenomenal. Na verdade esse filme está repleto de cenas poderosas.

      abraço

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