sexta-feira, 29 de junho de 2012

Acerte às Horas | Bird Box Studio



Deparei-me com esse video de animação postado no blog H+MIN+SEC do Felipi Chagas, realizado pelo Bird Box Studio, sobre a importância da pontualidade de seu relógio. É hilário o desfecho.

Fallen Art | Curta de Animação de Tomek Baginski (2005)



"Fallen Art" é o nome de uma curta de animação originário da Polónia realizada em 2005 sob a direção de Tomek Baginski. Fallen Art nos leva para uma base militar onde um grupo de oficiais desequilibrados demonstram e põe em prática técnicas de animação insanas. Um curta metragem visualmente criativo e com uma dose cavalar de humor negro. 
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Imperdível!

Crítica: Um Homem Misterioso | Um Filme de Anton Corbijn (2010)



O astro George Clooney é inegavelmente um dos maiores galãs do cinema da atualidade. Dentro e fora das telas suas conquistas são conhecidas. Charmoso e talentoso marcou pontos em filmes de ação ou presença em profundos dramas com a mesma maestria. Sabe aplicar a qualidade do humor sem ser forçado. Apesar do deslize cometido em um dos filmes da franquia Batman – o ator demonstra um enorme desconforto na interpretação – praticamente todo filme ao qual seu nome é vinculado se sai bem. Contudo, em "Um Homem Misterioso" (The American, 2010), Clooney faz tudo, menos interpretar seu papel como o público espera ansioso. O filme rola e não acontece nada que sacie a expectativa do espectador faminto por tiroteios e adrenalina. Ele interpreta um personagem bem distante dos moldes de Hollywood ao qual alcançou seu prestigio. A exemplo disso, o ator comprou os direitos do livro “A Very Private Gentleman” (algo como Um Senhor Muito Reservado, numa tradução livre), escrito por Martin Booth, e produziu o filme por conta própria, bem nos moldes do cinema europeu.



Com a história onde George Clooney interpreta o papel de Jack, um artesão que fabrica armas sob medida para assassinatos encomendados. Com esse exótico ofício, precisa ter em seu currículo descrição e desapego com o ambiente, onde jamais deve criar vínculos pessoais. Após uma nova solicitação de seu trabalho, Jack se isola na região de Abruzzo, na Itália, em uma pequena cidade que seu personagem não passa despercebido em hipótese alguma. E contra regras as quais ele é escravo voluntário, passa a criar uma espécie de relacionamento amigável com o padre da cidade e uma cumplicidade com uma prostituta chamada Clara (Violante Placido), que ele escolhe para passar as noites com certa frequência. Mas o que era evidente ao espectador, que algo não iria dar certo se ele burlasse as regras, para Jack era um fio de esperança por uma vida diferente, que ironicamente dividindo a cama com Clara, havia a possibilidade de ser alcançado.

O filme pode ser encarado por fãs de Clooney como chato, excessivamente lento e arrastado. Mas a proposta oferecida é justamente essa, adotando uma narrativa que aproveite as belezas e os contornos da paisagem europeia numa trama que cresce sem saltos e mantém a atenção do espectador sem entregar o final de forma precipitada. Apesar da atuação monossilábica de Clooney, os melhores momentos do filme são inclusive aqueles onde não é dito nada, e sim nas tensas ocasiões, onde o público tenta predizer o passo seguinte do protagonista. O clima hipnótico perpetua por todo o longa, seja no enquadramento, seja nos diálogos acentuados pelo requinte da obra.  A afeição do astro pelo personagem é evidente, por seu prazer em interpretar papéis erguidos em camadas. A direção ficou a cargo de Anton Corbijn, cineasta holandês responsável por dirigir Control (biografia de Ian Curtis, vocalista do Joy Division). Muito do ritmo lento e bem caracterizado ao cinema europeu que "O Homem Misterioso" estampa, pode ser atribuído à natureza de seu realizador que vê no clima da trama a maior importância de seu trabalho. 

Nota: 7/10

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Crítica: Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança | Um Filme de Brian Taylor e Mark Neveldine (2012)


Confesso que nunca virei uma página sequer da revista do personagem em questão, portanto não tenho a mais vaga noção da essência do conteúdo da cruzada de Johnny Blaze e seu equivocado acordo com o Diabo. Porém, acabei ficando bem familiarizado com as consequências de sua transposição para a telona. Mas não é preciso ser nenhum expert para perceber que, embora Nicolas Cage seja bem mais ator do que tem demonstrado nos últimos anos, ainda não será nessa sequência intitulada "Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança" (Ghost Rider – Spirit of Vengeance, 2012), que irá retirá-lo do fundo do poço ao qual se encontra no momento. O astro permanece perdido e menos à vontade com esse personagem alarmante do que apresentou no primeiro filme dessa franquia. Um dos grandes desafios da primeira produção foi o elemento técnico do fogo em CGI presente na caracterização do personagem, que se fosse mal elaborado visualmente, já cairia por terra sem chances de brilhar nas bilheterias, correndo o risco de ser rotulado pela crítica como trash bem estrelado ou coisa pior. Desse mal Johnny Blaze se safou e inclusive nessa sequência esse elemento até foi melhorado. Alias todos os efeitos estão mais apurados. Mas nem por isso se salvou de se queimar nos cinemas devido a uma série de outras deficiências técnicas, criativas e de trama. A história solicita que Johnny Blaze encontre e proteja um garoto, fruto de um acordo semelhante ao dele em certos aspectos. Assim Blaze dispara pela a Europa depois de uma possessão demoníaca atrás do menino, que é raptado por uma seita comandada pelo Diabo na forma humana. Igual ao personagem do Motoqueiro Fantasma, esse garoto faz parte de um plano maior de grande interesse para todos os envolvidos. Blaze passa a contar com a ajuda da mãe do garoto e de um padre alcoólatra para protegê-lo, amando de uma congregação de monges liderado por um Christopher Lambert – de aparência sinistra e segundas intenções. 

Qualquer chance de Cage mostrar talento de atuação com seus conflitos interiores não acontece, e muito pelas soluções visuais da narrativa escolhida pela direção de Brian Taylor e Mark Neveldine, que aparentam ter anseio por virarem um Guy Ritchie da vida. O problema é que não chega nem perto da capacidade de criar efeitos que simulem sensações pessoais que o ator sofre em cena, como exemplo, o momento da transformação de Cage no motoqueiro fantasma. Muito espetáculo visual para um resultado previsível que não empolga. A expressão de cansaço do astro é constante em cena, fazendo crer que sua maldição é um fardo inquestionável. Agora a pergunta que me faço a certa altura do filme é: será que esse detalhe Cage já não trouxe dos bastidores? Vai saber. São tantas decepções. A história do filme continua simples, sem reviravoltas que prendam a atenção. O elenco de apoio desfavorece melhoras e os vilões estão se descobrindo tanto quanto o protagonista. Desinteressantes como os do primeiro filme, não ajudam no conjunto. Apesar de que Peter Fonda interpretando o capeta fez falta à beça no elenco. Os planos de Lambert após se apoderar do garoto eram mais do que óbvios e seu fim dentro da trama não foi nenhuma surpresa maior do que sua participação nesse longa. Saudades dos tempos de “Highlander – O Guerreiro Imortal”, onde me fascinava o toque sinistro que ele dava ao personagem com sua voz sussurrada e olhar compenetrado. Apesar do pôster bacana e de um trailer que era uma boa promessa de retomada de um projeto promissor, enfim não teve o que o subtítulo prometia, com a menção de uma vingança espirituosa, pois não fez mais do que dar segmento ao que já havia sido apresentado antes. Como entretenimento cumpre seu papel, mais só em DVD mesmo, porque para assistir o mesmo do mesmo prefiro pegar o filme da prateleira. Minha esperança quanto à carreira de Nicolas Cage é que não tome o rumo igual à de Christopher Lambert, hoje menosprezado e reduzido a um mero elenco de apoio, até porque, seu tombo seria bem maior devido à altura de seu sucesso no passado. 


Nota: 4/10
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Crítica: Hellboy | Um Filme de Guilhermo Del Toro (2004)


Essa adaptação cinematográfica dos quadrinhos de Mike Mignola chamada "Hellboy" (Hellboy, 2004) em uma produção hollywoodiana é uma surpresa por preservar com fidelidade o material original com charme e elegância, ao mesmo tempo em que transpõe todos os elementos necessários para compor um filme surpreendente de visual criativo e harmonia narrativa . Porém não há como um espectador desavisado, não ficar com um pé atrás diante de um longa, cujo protagonista incomum (Hellboy era um personagem pouco conhecido a não ser por fãs de quadrinhos) ganhar crédito com facilidade. A estranheza que causa a ideia de um demônio detetive que serra os próprios chifres para impedir que se cumpra seu destino é bastante ousado e de transposição complexa para a telona. Ousadia essa levada as telas aos dentes por Guilhermo Del Toro (Blade 2), que durante anos travou uma guerra para materializar sua visão fantástica da história que resultou em um sucesso de cinema ( que inclusive gerou uma sequência mais tarde chamada "Hellboy O Exército Dourado"). A história é focada em um demônio bebê que foi encontrado por soldados americanos durante a Segunda Guerra, e é criado por uma agência governamental secreta que combate ameaças sobrenaturais sem o conhecimento do público, mas sob constantes especulações da imprensa. 


"Hellboy" é puro entretenimento. O Hellboy (Ron Perlman) é um personagem de quadrinhos, mas poderia ser bem vendido como astro de filme de ação por sua desenvoltura em tela, ao estilo de um John Mclane à vontade na função de exterminador de aberrações e de personalidade cínica e sarcástica.  E contando com a ajuda do anfíbio Aben Sapien (Doug Jones), uma criatura grotesca e educada de transposição perfeita para os cinemas; Liz Sherman (Selma Blair), uma piro cinética ao qual Hellboy nutre uma paixão; o agente John Myers (Rupert Evans), a visão da normalidade diante do universo fantasioso de Mignola; e o professor e padrasto de Hellboy (John Hurt), o comandante dessa equipe especial; integram o Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal. Com vilões que se alternam entre duas dimensões, comandados pelo mágico Rasputin, a trama se desenvolve sobre o plano de criar um apocalipse na terra utilizando a natureza sombria de Hellboy como ferramenta. Um filme feito à moda antiga, com maquetes e muita maquiagem (Ron Perlman está irreconhecível sob toda a maquiagem) aliando recursos digitais modernos em pequenas doses, dão o tom sinistro necessário ao enredo e fazendo da narrativa adotada por Del Toro perfeita e harmoniosa como só ele poderia fazer. "Hellboy" prova que adaptações de quadrinhos alternativos, podem muito bem serem fiéis as suas origens, comercialmente lucrativas e bacanas ao mesmo tempo.


Nota: 7,5/10
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Crítica: Retratos de uma Obsessão | Um Filme de Mark Romanek (2002)



Totalmente distante dos roteiros de suspense elaboradíssimos de Hollywood, e bem conectado a uma realidade possível, o filme “Retratos de uma Obsessão” (One Hour Photo, 2002), estrelado por Robin Williams, interpreta de forma brilhante o papel de Seymour Parrish, um simples funcionário de um laboratório de revelação fotográfica. Um personagem de perfil comum, simpático e prestativo, como qualquer um funcionário anônimo que nos atende diariamente em estabelecimentos comerciais que frequentamos quase todos os dias, onde que por fim acabam desempenhando um papel dentro de nossa rotina. Apesar de sua admiração obsessiva por uma família, que acompanha atento através das fotos que revela frequentemente, Seymour não tem nenhuma ligação com ela além das obvias. Mas ele alimentava em seu imaginário o retrato de uma família perfeita, que a certa altura, acreditava inclusive ser membro desse exemplo familiar. Porém a casa caiu para Seymour, quando descobriu que o marido de Nina (Connie Nielsen), o principal alvo de sua obsessiva perdição estava sendo traída.

O diretor Mark Romanek foge corajosamente de uma abordagem comum, com derramamentos de sangue e violência descarada, adotando uma perspectiva mais profunda das possibilidades que essa premissa pode proporcionar. Ele trabalha com coerência e foco a reação de Seymour, que da dissolução de sua fantasia, que a princípio causou frustração, aos poucos se reverte em um intenso desejo de vingança. A dor que a infidelidade causou a Nina quando caiu a mascara da perfeição era igualmente dolorosa, porém curiosamente distorcida para Seymour por não dar relevo a sua própria vida que permanece inalterada diante das circunstâncias.

  
Tanto Robin Willians quanto Connie Nielsen apresentaram interpretações inspiradas, convincentes sem a necessidade de adicionar exageros dramáticos, ou criar situações extraordinárias para prender a atenção do espectador. A trama desperta fascínio por sua conectividade com esse temor distante, que causa arrepios só de pensar de ser possível.

Depois de dezenas de trabalhos onde Willians esgotava a escassa paciência do público – critico – fazendo todo tipo de papel de personagens bonzinhos e altruístas imagináveis – que já causava a sensação de déjà vu incomoda aos mais atentos a sua carreira – à crítica não poupou elogios ao seu desempenho bem direcionado a esse papel de vilão real desprovido de floreios e caretas. Por fim, nota-se claramente que, mais do que a critica propriamente dita, ele mesmo se surpreendeu com os resultados de sua atuação, tanto que veio a repetir o papel de antagonista perverso e doentio em outro filme chamado “Insônia”, interpretado por Al Pacino e Hilary Swank. 

Nota: 7/10 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Crítica: A Colônia | Um Filme de Tsui Hark (1997)



Apesar de uma recepção frustrante de critica e público nos Estados Unidos, onde inclusive recebeu vários prêmios “Framboesa de Ouro” em três categorias – premiação dedicada aos piores do ano – esse filme chamado "A Colônia" (Double Team, 1997), é particularmente uma surpresa divertida. Desde que você não leve a sério a trama antiquada de narrativa ao estilo chinês de filmagem. Depois de Jean-Claude Van Damme importar cineastas como John Woo e Ringo Lam da China, foi à vez do diretor Tsui Hark fazer o milagre de alavancar definitivamente a carreira de Van Damme como ator de ação consagrado. Apesar de John Woo ter tido mais notoriedade nas terras ianques do que Tsui Hark, não se pode afirmar com certeza quem possa ter influenciado quem, já que Tsui estimulou muito a carreira de John, produzindo seus filmes quando ele ainda era um desconhecido do cinema chinês e mais ainda do grande público.

Assim nesse filme, cuja trama é focada na interpretação de Jean-Claude Van Damme, um agente especial aposentado que volta ativa, em uma missão de captura de um terrorista interpretado por Mickey Rourke numa operação equivocada. E assim, após uma sequencia de erros, além de não capturá-lo como planejado, ainda o agente especial é dado como morto, e levado para uma colônia de aprisionamento de ex-agentes, que através de seus conhecimentos passam a combater terroristas a serviço de governos indiretamente. O confinamento não o impede de escapar, numa fuga absurda em direção a Roma, onde conhece no meio tempo, um fornecedor de armas interpretado por Dennis Rodman – o jogador de basquete – que o ajuda em sua caçada por justiça. Com uma edição exageradamente estilizada, com personagens excêntricos e deslocados – como Rodman interpretando ele mesmo – ao lado de Van Damme, sem química nenhuma, sobra um vilão medonho interpretado por Rourke – sem noção alguma do papel ridículo que está passando. Por mais bem feito que a parte técnica exerça no todo não salva o filme da falta coerência do roteiro, carregado pela direção de Tsui Hark com cenas de ação improváveis, filmadas com ângulos diferentes, que saltam aos olhos de tão acelerado que são os quadros de filmagem. 

As cenas de ação do filme foram coreografadas por Sammo Hung Kam-Bo, criativo e audacioso na criação de ideias originais, quando o assunto é pancadaria. A luta no quarto do hotel, onde Van Damme duela com um adversário armado com um canivete que maneja com os dedos do pé, exemplifica bem a sem-vergonhice que a produção é capaz. O grande mérito desse longa é justamente seus excessos, de lutas inimagináveis, tiroteios intermináveis e explosões, várias explosões, feitas com gosto de não poupar esforços de causar efeito de estarrecimento sobre o espectador. Esses cineastas que falam mandarim gostam disso, e fazem funcionar bem essa fórmula na prática bem materializada em "A Colônia".

Nota:  6,5/10
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Crítica: Colombiana | Um Filme de Olivier Megaton (2011)




Para apreciadores de obras emocionantes como “Salt” e “Hanna” – protagonizado por personagens femininas audaciosas - esse filme chamado "Colombiana" (Colombiana, 2011) é um prato cheio, mostrando a capacidade de Luc Besson de produzir e “escrever” filmes visualmente apurados, como na época de o “Beijo do Dragão”, “Cão de Briga” e “Carga Explosiva”. Mesmo que faça lembrar, talvez por coincidência, um filme como “O Profissional” – estrelado por Jean Reno e Natalie Portmann – pela criação de uma personagem feminina a prova de balas desde a infância, o resultado técnico foi melhorado, quase chegando à perfeição e sua trama, apesar de simples, ganha pontos pelo conjunto bem realizado. Com uma história clássica de vingança, Zoe Saldana interpreta o papel de uma jovem que depois de testemunhar o assassinato dos pais, chega à maturidade com o intuito de matar os responsáveis. E durante anos exercita sua vocação para a vingança, tornando-se uma assassina profissional a serviço de um tio, tendo em mente apenas um único objetivo: matar o mafioso responsável pela morte de seus pais.


A qualidade técnica do filme é excelente, desde a direção de arte e fotografia ao elenco e direção bem sintonizados com a sinopse simples, porém bem realizada e promissora. Os tiroteios exemplificam as melhores qualidades do filme, que foram bem orquestrados sem deixar outros elementos – diálogos necessários na trama – menos vistosos do que as explosões e as execuções da assassina. A atriz Saldana quase consegue emocionar pela sua via-crúcis de sofrimento que já passou – cena na biblioteca com o tio – onde as feridas emocionais adquiridas durante o processo de vingança para chegar ao final de seu objetivo começam a dar sinais visíveis de cansaço. Seu desejo de viver uma vida normal é conflitante com seu desejo de vingança, criando uma tortura emocional visível aos olhos de um apaixonado pretendente ao qual ela também nutre um carinho especial.Porém, mesmo que a história tenha qualidade, apesar de simplória ao mesmo tempo, a direção de Olivier Megaton é bem focada na ação, quase incessante, deixando claro porque veio. Como no filme da Angelina Jolie, em “Salt”, o ponto alto do longa é o conjunto dos elementos narrativos que dão o tom da obra: o drama; a ação policial, o desempenho da protagonista e os tiroteios – não necessariamente nessa ordem é claro.

Nota: 6,5/10

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Crítica: Quero Matar Meu Chefe | Um Filme de Seth Gordon (2011)



Essa comédia de premissa duvidosa e título bem chamativo, "Quero Matar meu Chefe" (Horrible Bosses, 2011), é uma surpresa de como funciona bem usando uma série de ideias desgastadas do cinemão de humor. Ela surpreende como poucas a disposição do público, mesmo sem trazer nada de novo para tela através do roteiro escrito por Michael Markowitz, John Francis Daley e Jonathan Goldstein, ou pela direção de Seth Gordon, que havia dirigido "Surpresas do Amor". Em sua bizarra trama acompanhamos três amigos (Jason Bateman, Charlie Day e Jason Sudeikis) revoltados com suas chefias, e frustrados profissionalmente. Assim o trio decide cortar o mal pela raiz – matando seus chefes – como solução de seus problemas. Dentre eles está o psicopata manipulador interpretado por Kevin Spacey, a dentista ninfomaníaca interpretada por Jennifer Aniston e o excêntrico incompetente Colin Farrell. Mas como seus empregados não entendem nada de assassinato, eles decidem contratar a ajuda de um consultor de homicídios representado pela estranha figura de Jamie Foxx. Mas como era de se esperar: nem tudo sai como planejado. 



Com uma história absurda, personagens estranhos, situações surreais, o improvável acontece: o filme ficou muito divertido. Provavelmente devido ao entrosamento do trio, que parece que se diverte tanto quanto o próprio espectador. Repleto de referências bacanas, faz inclusive uma homenagem ridícula ao filme “Pacto Satânico” de Alfred Hitchcock, atravês da interpretação de um sinistro Jamie Foxx. E mesmo tendo semelhanças estruturais que façam lembrar o filme “Se Beber não Case” (pelo escrachamento da trama), o espectador acaba até ignorando esses detalhes por estar ocupado com o drama insólito dos pretensos assassinos. A aplicação de clichês desgastados não fazem diferença, quando você está se divertindo. É uma comédia feita para ser engraçada sem pretensão de mudar o mundo, ou teorizar conspirações ilícitas dentro de sua empresa. Trata-se apenas de entretenimento. Além disso, se reparar bem nas entrelinhas, o filme está pulverizando a balde a propaganda dos anunciantes-patrocinadores – o merchandising corre solto na tela à respeito de carros e serviços americanizados de forma criativa, porque inclusive o elenco faz piadas – bem feitas – desse elemento que é impossível de não rir. E o melhor de tudo, é que "Quero Matar meu Chefepossivelmente terá uma sequência seguindo os passos de suas referências com pouca originalidade, mas com uma provável certeza de um bom programa de entretenimento. 

Nota: 8/10


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Prêmio Darwin | Internet




Quanto a quem é Darwin, dispensa apresentação, no entanto a criação de um prêmio que serve de “homenagem” para indivíduos que contribuem com a evolução humana, seguindo os princípios de Darwin, onde somente terá êxito em propagar a espécie aqueles que forem mais fortes e preparados é inusitado. O Prêmio Darwin é destinado a pessoas que se matam acidentalmente de maneiras estúpidas e que se retiram automaticamente do processo evolutivo facilitando a metodologia. A organização do prêmio, que existe desde 1995, reúne as histórias mais estranhas possíveis, porém não garante nenhuma veracidade dos fatos descritos e contados.

Algumas histórias que já foram descritas no site: www.darwinawards.com

Massacre da Serra Elétrica – Em uma mesa de bar, na Polônia, alguns amigos competiam entre si para ver qual deles era mais “macho”. Bêbados, começaram batendo na cabeça com pedaços de madeira. Um deles, mais extremista, cortou uma parte do pé com uma serra elétrica. Outro adversário, que não quis ficar atrás, pegou a serra das mãos do amigo e gritou: “Ah é! Veja isso então!” E decepou a própria cabeça.

Tiro na Cabeça – É comum os americanos terem armas em casa para se defender de possíveis arrombamentos noturnos. E todo cuidado com elas é pouco. Mas o americano Ken Barger certa vez dormia tranquilamente em sua cama quando o telefone tocou. Em vez de atender ao telefone, ele atendeu uma pistola calibre 38 que estava logo ao seu lado na cama, e a descarregou contra a cabeça.

Elevador Traiçoeiro – O homem de deficiência física – cadeirante – chuta a porta do elevador irritado com a demora, e quando a porta se abre o sujeito entra sem olhar para dentro do elevador. Elevador levadinho. Não é que cara despenca dentro do buraco do elevador.

Crítica: Dublê do Diabo | Um Filme de Lee Tomahori (2011)



Quando eu era ainda adolescente o Iraque havia invadido o Kuwait no início da década de 90 com a intenção de tomar o território e a posse do petróleo kuaitiano, e quando a nação americana intrometeu-se no conflito entre as nações árabes como força repositora da paz, de forma duvidosa devo dizer, eu sempre ouvia nos noticiários de que Saddam Hussein havia sido possivelmente alvejado em um bombardeio aéreo, porém a informação era complementada pela CIA com a possibilidade de ser apenas mais um de seus inúmeros sósias que desempenhavam seu papel de presidente com a função de resguardar sua segurança e confundir seus inimigos. Divulgava-se a notícia de que ele tinha dezenas de homens idênticos a ele, que ficavam expostos em lugares públicos em seu lugar caso houvesse um atentado que pusesse sua persona em perigo. Por isso quando me deparei com esse filme chamado "Dublê do Diabo" (The Devil`s Double, 2011), de cartaz de divulgação incomum e baseado em fatos reais, sabia que estava prestes a ver uma história inédita de interesse nostálgico, e ainda que distribuído pela Califórnia Filmes – que lança filmes que geralmente tem um acerto em cinco tentativas – poderia trazer uma surpresa. 



A trama é baseada na trajetória verídica de vida de Latif Yahia (Dominic Cooper), um soldado iraquiano que devido suas semelhanças físicas com Uday Hussein, filho do ditador Saddam Hussein, foi obrigado a se tornar sósia dele, onde testemunhou contra sua vontade as perversidades de um lunático homicida. Fez algumas cirurgias plásticas que apenas intensificaram suas semelhanças, tornando uma espécie de irmão gêmeo de aparência, contudo de caráter plenamente diferenciado. E como a goiaba não cai muito longe do pé, Uday faz jus ao título do filme, pois se comporta como sendo o próprio anticristo, pelas atrocidades que cometia impunemente durante o regime político do pai. Dominic Cooper faz o papel duplo, tanto de bravo sobrevivente e inevitável herói quanto o de vilão real, convincente em ambos os papéis, salva esse filme de ser uma bomba como corria o risco de ser. Sua interpretação é louvável mesmo não sendo uma estrela do primeiro time. Obviamente não se trata de nenhuma obra prima, nem nada disso, mas é um filme interessante pelo seu conturbado aspecto histórico, que em várias passagens é lembrado através de cenas reais de noticiários da época; pelo ambiente modificado lentamente pela tensão da população iraquiana; pelo avanço das tropas inimigas Xiitas sobre o solo do Iraque e pela eminente derrota da guerra. A direção encomendada fica a cargo de Lee Tomahori, que foca a trama pela perspectiva de Latif, frustrado com o destino que sua vida tomou depois que sua existência lhe foi negada em prol da sobrevivência de um pervertido sádico.  A narrativa adotada pela direção não da margem para erros grosseiros por sua experiência na direção de produções muito mais complexas como o da série "007", a qual já foi responsável no passado. Apesar do final simplório e preguiçoso, preso aos fatos como rédeas para um bom desenvolvimento de uma história cativante, basta assistir alguns minutos para ver que não se trata de nenhuma bomba lançada direto em DVD como estamos acostumados a ver nas prateleiras da locadora. "Dublê do Diabo" é apenas um filme sem o apelo de estrelas, erguido sobre um argumento interessante e sem espetáculos. 


Nota: 7/10

terça-feira, 12 de junho de 2012

Crítica: Terror na Antártica | Um Filme de Dominic Sena (2009)


Rumo ao Pólo Sul, a atriz Kate Beckinsale interpreta Carrie Stetko, uma delegada federal que, afetada por um caso que não acabou bem no continente, pede transferência para uma estação de pesquisas no ártico. Um pouco antes de terminar seu período de trabalho isolado entre cientistas e pesquisadores, ocorre um assassinato. Assim começa a corrida contra o tempo para desvendar o autor do crime, antes que a base seja fechada por seis meses em razão da chegada do rigoroso inverno. O longa-metragem "Terror na Antártica" (Whiteout, 2009), baseado em uma HQ de autoria de Greg Rucka (que também cumpre o papel de produtor executivo dessa produção) dirigida por Dominic Sena, faz um contraste com o gibi, com alterações benéficas a trama deixando a história adequada para o formato cinematográfico. A exemplo disso tem a revelação do assassino, que na revista encontra-se convenientemente no meio da história, enquanto no filme obviamente ficou para o final.

Com dificuldades no lançamento do filme, antes previsto para 2007, mas que foi exibido mesmo dois anos depois, demostrava sinais de problemas para a imaginação da critica, que não entendia o receio do lançamento.  O produtor responsável justificava a demora, por causa de uma pós-produção complexa, carregada de efeitos digitais, que precisavam estar acertados para reproduzir com fidelidade as condições climáticas do ambiente.  A neve, cada respiração que está em tela foi criada com recursos digitais demorados. Para quem se deslumbrava com as curvas da protagonista no filme “Anjos da Noite”, apenas terá uma palhinha de sua “beleza” no inicio do filme – com uma cena de chuveiro – e mais nada. Por mais que o CGI contribua para criação do elemento gélido, seu corpo escultural fica bem coberto pelas vestes necessariamente, quase o tempo todo, somente aparecendo seu rosto. Seu nome fica bem associado a personagens femininas fortes, visto por sua filmografia. Com a trama bem ambientada, em um jogo de gato e rato, bem condicionado apesar do desfecho sem nenhum estardalhaço, é um longa interessante que empolga e choca alternadamente. A cena onde a protagonista, devido ao congelamento precisa amputar dois dedos pode ficar encrustado na memória com tanta intensidade quanto à passagem do chuveiro. 


Nota: 6,5/10
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Crítica: Táxi | Um Filme de Tim Story (2004)



Esse filme intitulado "Táxi" (Taxi, 2004), é uma refilmagem de uma aventura escrita e produzida por Luc Besson de 1998, o qual assume o mesmo papel nessa produção ianque. Essa refilmagem serve como arranque para a carreira de muita gente, desde o elenco até o diretor. Infelizmente para o público, não passou de uma marcha ré como entretenimento. Com Jimmy Fallon fazendo o papel de um policial “barbeiro” que perde constrangedoramente sua habilitação, se encontra em apuros quando precisa capturar um grupo de assaltantes a banco, formado por belas modelos, que escapam em potentes carros após os assaltos, o que tem estranhamente dificultado a captura. Assim ele pede ajuda a Queen Latifah, uma taxista proprietária de um possante taxi, e que saem pela cidade na caça dessas assaltantes bem motorizadas. 

O elenco, sem dúvida nenhuma foi uma baita derrapada, pelas performances medíocres tiradas a força de Fallon, recém-saído do programa Saturday Night Live para a telona. Latifah cheia de pretensões para o estrelato não corresponde à expectativa a qual foi delegada. É impossível acreditar que ela possa ser a única pessoa capaz de perseguir as malfeitoras a altura em uma fuga de carro. Uma das assaltantes é interpretada por Gisele Bündchen, famosa modelo brasileira, onde prova que como atriz ela era uma ótima modelo, em vista da falta de espaço para interpretação e excesso de pose. A direção encomendada ficou a cargo de Tim Story, de bem com a vida tendo o longa “O Quarteto Fantástico” para realizar. Esse filme não passou de um estágio remunerado para algo mais pretensioso a sua carreira. Tentar dar coerência a um roteiro horrendo feito esse, onde o elenco não contribui em nada, não é tarefa fácil.

Apesar do excelente suporte técnico cedido por Besson (produtor astuto muitas vezes quando inspirado) o condicionamento das imagens é feito com maestria, uma competência louvável, mas insuficiente para carregar um filme ao sucesso sem um roteiro melhor elaborado, mesmo em si tratando de um filme pipoca. Porém a culpa do fracasso desse filme não foi restrita, ao contrário, teve um enorme aglomero de fatores responsáveis que não contribuíam em nada na relevância da trama, que equivocadamente presumiu que convenceria com belas imagens, humor boboca e muita perseguição. Obviamente se perderam em algum ponto do projeto-trajeto, até ficarem completamente perdidos sem chance de retorno ao ponto de partida. A dica fica, e desculpem o trocadilho, mas esqueçam do táxi e peguem um ônibus – Velocidade Máxima – que estarão no lucro mesmo que já tenham visto antes.

Nota: 6/10