quinta-feira, 20 de julho de 2017

Crítica: Assumindo a Direção | Um Filme de Isabel Coixet (2014)


Wendy (Patricia Clarkson) é uma crítica literária em Manhattan, Nova York. Inesperadamente seu marido acaba de trocá-la por outra mulher e numa iniciativa de transpor barreiras como uma forma de superar a separação, ela decide tirar a carteira de habilitação para um dia visitar sua filha em outro estado. Mas ela nunca imaginou que dirigir poderia ser um desafio tão grande. Com a ajuda de Darwan (Ben Kingsley), um taxista indiano que está prestes a firmar um casamento arranjado com uma conterrânea que nunca havia visto antes, ele passa a ajudar Wendy com suas inseguranças no trânsito, ao mesmo tempo em que ela lhe dá dicas para se relacionar com as mulheres. Dessa estranha relação de cumplicidade, ambos descobrem juntos todas as possibilidades de superar desafios comuns da vida, do amor, para encontrar a felicidade. “Assumindo a Direção” (Learning to Drive, 2014) é uma comédia dramática estadunidense escrita por Sarah Kernochan com base em um artigo do New Yorker de Katha Pollit. Dirigido por Isabel Coixet, esse longa-metragem lança um olhar sensato sobre um momento delicado da trajetória de duas pessoas bastante diferentes. Mescla dois personagens comuns do cenário nova-iorquino e apresenta uma história sincera e sem muitas doses romanceadas de ficção.

Assumindo a Direção” conta uma história de relacionamentos inesperados que dão certo ao seu modo. O filme trabalha bem o conceito de que os opostos se atraem, ao orquestrar clichês batidos e entregar um produto adequado e sem floreios. O filme é fiel aos seus princípios presos aos argumentos dos personagens e não se restringe a agradar a um público que torce pela manifestação de um grande amor na tela. O trabalho de Coixet é mais ambicioso. O filme busca algo mais, pois acompanhar a relação dessas duas pessoas experientes de vida, que têm muito a aprender e a ensinar uma com a outra proporciona muito mais do que um previsível romance adocicado típico do gênero. Os surtos de raiva de Wendy se contrastam brilhantemente com a serenidade de seu instrutor de direção, como também em contrapartida, as dúvidas que assombram a cabeça de Darwan com seus problemas domésticos com a recém-esposa são agraciados com as dicas uteis dadas por Wendy após recentemente ser abandonada pelo marido. O filme tem ótimas interpretações de Patricia Clarkson e Ben Kingsley que se mostram escolhas inteligentes para os papéis principais.

Assumindo a Direção” não é revolucionário, mas é digno de uma boa dose de atenção pelo seu jeito encantador e espirituoso. O choque cultural que as histórias dos dois personagens principais proporcionam no cenário estadunidense pós 11 de setembro, os aspectos que rondam o ensinamento de Wendy não apenas para ser uma motorista melhor, mas uma pessoa melhor e a exploração agradável de uma boa parcela da vida como ela é, quando de alguma forma estranha é capaz de nos conectar com o enredo, rende boas passagens dramáticas e alguns momentos hilários que fazem desse longa-metragem um bom passatempo de ser conferido.

Nota:  7/10
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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Em Breve: Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017)


Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017) é um filme de suspense e mistério escrito por Michael Green baseado no romance homônimo de Agatha Christie, de 1934. Dirigido por Kenneth Branagh, o filme tem no elenco o diretor e mais Tom Bateman, Lucy Boynton, Olivia Colman, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, entre outros mais. Sendo a segunda adaptação cinematográfica do famoso romance da escritora, o espectador acompanhará em sua trama os desdobramentos de um assassinato que ocorre em um trem, onde todos os passageiros se tornam suspeitos. Essa história é um remake da versão de 1974 dirigida por Sidney Lumet. Lançamento previsto para 10 de novembro. Pôster Oficial.

terça-feira, 18 de julho de 2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Crítica: Sete Dias Sem Fim | Um Filme de Shawn Levy (2014)


Judd Altman (Jason Baterman) é um sujeito azarado que perdeu tudo o que tinha quando pegou sua esposa o traindo com seu chefe. Para piorar, ele recebe a triste notícia de que seu pai faleceu e que precisava retornar para sua cidade natal para participar de uma tradição judaica chamada Shivá, onde todos os membros da família se reúnem durante o período de luto de sete dias, isso atendendo ao último pedido do falecido pai. O problema é que a família Altman não se reunia já havia muitos anos e como no passado, o convívio familiar provavelmente não seria muito sereno e agradável. Então durante uma semana, a mãe (Jane Fonda) e seus quatro filhos, o Judd, Paul (Corey Stoll), Wendy (Tina Fey) e Phillip (Adam Driver), cada um com suas estranhas particularidades e histórias de vida repletas de altos e baixos terão que coexistir novamente no mesmo espaço como no passado, o que fará esses sete dias parecer eternos de um modo ou de outro. “Sete Dias Sem Fim” (This is Where I Leave You, 2014) é uma comédia dramática escrita por Jonathan Tropper e dirigida por Shawn Levy (responsável por filmes como “Uma Noite no Museu”, “Gigantes de Aço” e “Os Estagiários). Baseado no livro homônimo do próprio Jonathan Tropper, o diretor consegue imprimir nesse cenário de reunião familiar forçada, alguma nostalgia para pessoas distantes de seus lares de criação, boas passagens de humor e algumas mensagens positivas bastante válidas.

Sete Dias Sem Fim” é uma inspirada dissecação da história de uma família comum americana. Mesmo que acompanhar um pequeno grupo de adultos que retornam ao lar onde passaram a infância e a juventude, onde tentam lidar com as insuportáveis mudanças do presente ao mesmo tempo em que tentam resolver inevitáveis pendências do passado seja de todas as formas possíveis à premissa de um enredo extremamente batido no cinema, essa comédia merece alguma atenção do espectador. Se o enredo é clichê, sua forma e ritmo são de uma competência original. Isso instituído pelo roteiro ajustado de Tropper (uma ótima adaptação literária) que trabalha com sabedoria todas as emoções contidas em cada um dos personagens. Essa inesperada e duradoura volta para casa que traz lembranças representativas diferentes para cada um dos filhos, se contrasta de modo bastante interessante com suas peculiares trajetórias até o presente momento. A direção segura de Shawn Levy, que pega todas as qualidades legítimas e maduras do roteiro ligeiramente melancólico e as equilibra de forma brilhante com o humor, é um grande diferencial dessa comédia. As piadas, as situações constrangedoras e os irônicos diálogos que são permeados durante sua duração funcionam curiosamente sem falhas. Isso porque o elenco que compõem esse longa-metragem simplesmente  barbariza em cena. É difícil afirmar quem se sai melhor em cena, embora algo da estrutura do filme indique que Jason Bateman tenha que se destacar.

Assim sendo, “Sete Dias Sem Fim” tem um nível de competência invejável se comparado a uma porção de filmes que transitam pelo mesmo terreno escorregadio que essa comédia se encontra. Mesmo que sua proposta não busque revolucionar, ela sem dúvida nenhuma funciona e diverte como poucas. Suas mensagens sobre valores, família, passado e futuro que estão em movimento, geram ótimas passagens dramáticas que não causam em momento algum estranhamento com o formato de humor constante que essa comédia assume. Trata-se de um filme bastante interessante de ser acompanhado por quem gosta de histórias de família repleta de contos engraçados.

Nota:  7,5/10
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sábado, 15 de julho de 2017

Crítica: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell | Um Filme de Rupert Sanders (2017)


Em um mundo futurista, o hábito de se fazer aperfeiçoamentos no corpo humano através de inserções tecnológicas se torna comum. O ápice dessa evolução é a Major Mira (Scarlett Johansson), que teve seu cérebro transplantado para um corpo totalmente cibernético construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, logo a Mira é adicionada a um departamento especial da polícia local chamado Seção 9. Em sua jornada de combate ao crime sob o comando de Aramaki (Takeshi Kitano), ela conta com a ajuda de seu parceiro, Batou (Pilou Asbaek) nas perigosas tarefas de sua função. Mas em meio a investigação sobre o assassinato de vários executivos da Hanka por um misterioso assassino, ela começa a descobrir alguns segredos sombrios da empresa responsável por sua criação e sobre si mesma. “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” (Ghost in the Shell, 2017) é uma produção de ação e ficção científica escrita por Jonathan Herman e Jamie Moss, e dirigida por Rupert Sanders. Baseada no icônico mangá japonês Ghos in the Shell de Masamune Shirow (que gerou uma animação que por aqui foi chamada “Fantasma do Futuro”, em 1995), essa versão live-action prioriza o visual estarrecedor de sua fonte, ao mesmo tempo em que falha em engrandecer as mensagens de seu contexto revolucionário.

A fascinante estética visual de “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” é a melhor coisa que se pode dizer sobre essa obra de ficção cientifica que absorve e expõe toda a inspiração do universo de sua fonte. Quando em sua introdução, dentro de um laboratório hi-tech um cérebro humano é metodicamente acomodado em uma concha, onde em sua extensão está um esqueleto robótico feito de metal e componentes eletrônicos, e segundos depois emergindo de um denso tanque de um sofisticado processo laboratorial surge uma mulher em carne e osso, o salto evolutivo que culmina na Major Mira, a qual toda sua perfeição é personificada na figura da belíssima atriz Scarlett Johansson, o espectador tem a ideia precisa do que está por vir. O filme é um agradável delírio visual como há muito tempo não se via no cinema de ficção científica. Porém a discussão da relação homem/máquina e a ética ligada aos aspectos da ciência e seus desenvolvimentos são deixados em segundo plano. Pelo menos em se tratando de competência. Tanto o enredo que dissecado pelos roteiristas não consegue imprimir uma cativante opinião sobre as ideias que toca, como a direção de Rupert Sanders que dedicada a confeccionar cenas de ação fantásticas em paisagens futuristas surreais, essa produção falha em oferecer algo memorável. Todos os elementos necessários estão impressos na película, mas em um ritmo e profundidade equivocada. Se as passagens de ação são deslumbrantes, os diálogos carecem de mais atenção e a montagem burocrática dos eventos não ajuda o conjunto, pois os momentos de perigo na verdade não conseguem demonstrar essa emoção.

O trabalho que remete a lembrança de filmes como “Blade Runner” (1982) e “Matrix” (1999) em sua forma e essência, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” falha onde suas comparações atingiram um nível de excelência incomparável. Se no elenco, Scarlett Johansson cumpre com seu papel de forma funcional, é bastante curioso que o completo desconhecido Pilou Asbaek se destaque tanto em tela, como ao mesmo tempo, a atriz Juliette Binoche consiga elevar sua personagem clichê de cientista com crise de consciência a um nível tão promissor como muitos outros talentos de Hollywood nem chegaram perto. Assim sendo, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” não chega a fazer feio diante de sua fonte de animação, mas também não chega a sequer a se igualar a ela. A versão live-action tem as qualidades, os seus momentos de glória e tudo mais, mas com um pouco mais de esmero no roteiro e uma direção focada em algo mais do que no visual esse filme poderia ter sido muito melhor.

Nota:  7/10
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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os Top 10 Filmes de Crime de Todos os Tempos